Tuesday, March 30, 2010

Fotos texto da Tertulia em almoço debate do Bar do Alem sobre a ALQUIMIA DO PALáCIO E JARDINS DA REGALEIRA



Realizada no sábado 24 de Abril, as 12h, na Tertúlia do Bar do Além

Orador João Susano
e quem quer aderir ao facebook da Regaleira pode seguir para o link...
http://www.facebook.com/pages/Sintra-Portugal/Quinta-da-Regaleira/103738155478?v=wall

João Luis Susano foi durante seis anos guia na Quinta da Regaleira. A experiência do trabalho aí desenvolvido e o contacto diário com os conteúdos temáticos das Ciências Herméticas levou-o a interessar-se por outros lugares de profundo significado esotérico.



Tem guiado visitas a lugares como Alcobaça, Cós, Nazaré e à Baixa Pombalina de Lisboa, na óptica da História e da Tradição Mítica portuguesas.



Criou em 2009 as edições Arcano Zero, cuja linha editorial incide sobre os estes mesmos assuntos e outros conexos. Frequentou o Curso de Licenciatura em Antropologia da F.C.S.H. da Universidade Nova de Lisboa

moderador Luis Nandin de Carvalho
Tema: Alquimia na Regaleira
texto de apoio sugerido por Joao Susano

Há já cerca de vinte anos que a Quinta da Regaleira é conhecida no panorama cultural português como “a Mansão Filosofal de Sintra”. Esta designação vem vinculando o Palácio e os seus jardins ao livro escrito por autor desconhecido que assinou com o pseudónimo Fulcanelli, (que significa o Fogo de Hely), publicado em França em 1930 com o título “Les Demeures Philosophales” e traduzido em português nas edições 70, no ano de 1989 com o título (a meu ver incorrecto) “As mansões filosofais”.



O assunto de que trata o livro é a Alquimia, arte multimilenar que todos julgavam definitivamente arrumada na gaveta das superstições e de que este livro veio dar a prova inequívoca da sua continuidade nos dias de hoje.



Mas o que tem a ver a Quinta da Regaleira com a Alquimia?



De que elementos dispomos para produzir um discurso de teor alquímico em torno desta propriedade?



O que sabemos nós acerca do seu encomendante, o Dr. Carvalho Monteiro, filantropo e homem das Ciências Naturais numa época em que estas estavam já imbuídas de um positivismo epistemológico, o mesmo positivismo que catalogara a Alquimia de pré-química infantil?

E o que tem tudo isto a ver com a Maçonaria, movimento de ideias liberais nascido em Inglaterra, com forte presença em Portugal no final do séc XIX e inícios do XX, ao qual se tem associado a Quinta mas cuja simbólica desconhece Nossa Senhora, precisamente a referência que domina nas imagens e inscrições da Capela da Quinta da Regaleira?  Aqui fica o convite a uma visita virtual a este lugar ímpar que é a Regaleira, e a vislumbrar por detrás das aparentes contradições a coerência do pensamento do Dr. Carvalho Monteiro.

Sunday, March 21, 2010

Excelente tertúlia sobre a TEORIA da DOUTRINA SECRETA da TEOSOFIA com Jose Anacleto!



AS TRÊS PROPOSIÇÕES FUNDAMENTAIS

DA DOUTINA SECRETA
(HELENA BLAVATSKY)

Renascimentos

A Doutrina Secreta de Helena Blavatsky, a obra maior de Ciência e Filosofia Oculta à disposição do público, apresenta, no seu Proémio, uma síntese magnífica de tudo o que é essencial e causal para a compreensão dos Mistérios da Vida e do Ser, formulada nas suas três proposições fundamentais. Nelas, encontramos o ponto de partida e a fundamentação de qualquer temática (do Esoterismo ou, realmente, de tudo), incluindo, naturalmente, a deste artigo. E por este motivo, bem como por serem uma referência que importa nunca perder de vista, aqui as vamos reproduzir:

PRIMEIRA
Um Princípio omnipresente, Eterno, Ilimitado e Imutável, sobre o qual toda a especulação é impossível, dado que transcende o poder da concepção humana e não pode ser traduzido por qualquer expressão ou comparação humana. Está para além do alcance do pensamento; é, segundo a expressão do Mandukya-Upanishad, ‘impensável e indizível’.

Para que se possa compreender mais claramente estas ideias, deve o leitor adoptar como ponto de partida o seguinte postulado: há uma Realidade Absoluta, anterior a tudo o que é manifestado ou condicionado. Esta Causa Infinita e Eterna, vagamente formulada no “Inconsciente” e no “Incognoscível” da filosofia europeia em voga, é a Raiz sem Raiz de “tudo quanto foi, é e será”. É, naturalmente, desprovida de todo e qualquer atributo e permanece essencialmente sem nenhuma relação com o Ser manifestado e finito. É a “Asseidade”, mais propriamente que o Ser; é Sat, em sânscrito, e está fora do alcance de todo o pensamento ou especulação.

Esta Asseidade é simbolizada, na Doutrina Secreta, sob dois aspectos. Por um lado, o Espaço Abstracto Absoluto, representando a subjectividade pura, aquilo que nenhuma mente humana pode excluir de qualquer concepção nem, tampouco, consegue conceber como existente em si mesmo. Por outro lado, o Movimento Abstracto Absoluto, que representa a Consciência Incondicionada. Mesmo os nossos pensadores ocidentais mostraram que a consciência, considerada sem mutação, é inconcebível para nós, que o Movimento é o melhor símbolo dessa mutação e a sua característica essencial. Este último aspecto da Realidade Única é também simbolizado pelo termo “Grande Sopro”, símbolo bastante sugestivo para necessitar elucidação. Assim, o primeiro axioma fundamental da Doutrina Secreta é esta Única e Absoluta Asseidade metafísica, que a inteligência limitada representou na Trindade teológica.

SEGUNDA
A Eternidade do Universo, no total, como um plano sem limites; periodicamente o “cenário de Universos inumeráveis que se manifestam e desaparecem incessantemente”, chamados “Estrelas que se Manifestam” e “Centelhas de Eternidade”.

“A Eternidade do Peregrino” é como um abrir e fechar de olhos da Existência-em-si-Mesma, como diz o Livro de Dzyan. “O aparecimento e desaparecimento dos Mundos são como o fluxo e o refluxo periódicos das marés”.

Esta segunda asserção da Doutrina Secreta é a absoluta universalidade desta lei da periodicidade, de fluxo e de refluxo, de maré enchente e vazante, que a ciência física tem observado e registrado em todos os domínios da Natureza. Alternâncias como Dia e Noite, Vida e Morte, Sono e Vigília, são um facto tão comum, tão perfeitamente universal e sem excepção, que é fácil de compreender porque aí divisamos uma das Leis absolutamente fundamentais do Universo.

TERCEIRA
A identidade fundamental de todas as Almas com a Super-Alma Universal, sendo esta última, ela própria, um aspecto da Raiz Desconhecida; a peregrinação obrigatória de todas as Almas, centelhas daquela Super-Alma, através do Ciclo de Encarnação (ou da “Necessidade”), de acordo com a Lei Cíclica e Kármica, durante todo esse período. Por outras palavras: nenhuma Buddhi (Alma Divina) puramente espiritual pode ter uma existência independente e consciente antes que a centelha saída da pura Essência do Sexto Princípio Universal – isto é, da Super-Alma – tenha (1) passado através de cada forma elementar do mundo fenomenal deste Manvantara e (2) adquirido a individualidade, primeiro por impulso natural e depois à custa dos próprios esforços conscientemente dirigidos (e regulados pelo seu Karma), percorrendo assim todos os degraus da inteligência, desde o Manas mais baixo até ao mais elevado, do mineral e da planta até ao Arcanjo (Dhyâni-Buddha) mais santo. A doutrina axial da Filosofia Esotérica não admite privilégios, nem dons especiais, no homem, salvo os que o seu próprio Ego conquistou pelo esforço e mérito pessoais no decurso de uma longa série de metempsicoses e reencarnações 1.

Apliquemos agora esta síntese notável à questão dos Renascimentos.
Poder-se-á pensar, superficialmente, que a primeira das proposições nada tem a ver com o tema do Renascimento e da Reencarnação. Na verdade, porém, é o seu ponto de partida incontornável.

Ser e Permanência
Com efeito, é preciso que haja um fundamento permanente de Ser. Só aquilo que É, permanentemente, pode viver, morrer, e renascer; só aquilo que É, permanentemente, pode expressar-se numa forma, ou conjunto de formas, abandoná-la(o) e incorporar-se num(a) outra(o). O processo reencarnativo ou de renascimentos implica a existência de uma dimensão de permanência, e de uma outra de impermanência. É a manifestação (ou a radiação ou reflexão2) daquilo que é permanente em formas impermanentes, que caracteriza a reencarnação. Se a forma onde se nasce ou encarna não tivesse fim, não haveria novos nascimentos, porque jamais se daria a morte; e se a fonte de onde emana essa projecção de vida ou ser não fosse permanente, não haveria novos e sucessivos nascimentos; no limite, se não houvesse ser, radical e necessário, não haveria nascimento, nem morte, nem nada.

Potencialidade e Acto
No entanto, esse Ser, é pura potencialidade – potencialidade de tudo, contudo, acto nenhum. É destituído de atributos, tanto positivos como negativos. Potencialidade absoluta de tudo, é, assim, actualidade de nada. Base de todas as manifestações, experiências e qualidades de ser, não tem em si mesmo nenhuma em particular. Para tanto precisa de passar pela relatividade, limitadora mas também definidora; sofrida mas também disciplinadora 3; dura, mas também despertadora dos poderes latentes.

É assim que temos a peregrinação obrigatória, necessária, pelo ciclo da Encarnação, conforme a Terceira daquelas Proposições. Através dela, a Mónada Divina, saindo da homogeneidade primordial, projecta-se no mundo fenomenal, objectivo, descendo os sucessivos graus de materialidade, adquirindo, nos chamados Reinos Elementais, a capacidade de ser forma; depois, no que costuma designar-se por Arco Ascendente, progredindo até à consciência individual (de eu individual), característica da etapa humana; e, a partir daí, ampliando essa consciência, na senda de um englobamento cada vez maior, até chegar a uma consciência universal – a re-união consciente com o Todo.

Este regresso autoconsciente (isto é, com a consciência de ser um Eu [divino e espiritual mas também inteligente]) ao Uno é a consumação de um longo e prodigioso processo evolutivo. No entanto, ao aludirmos a “evolução”, não pretendemos significar a ideia de que o maior seja produzido pelo menor (o que é uma impossibilidade já sustentada, inclusive, por Aristóteles), como o fazem certos postulados de evolucionismos mais ou menos científicos4 e mais ou menos materialistas.

Com efeito, o que o ciclo (re)encarnativo permite é a passagem da Potencialidade ao Acto. Tal implica o desdobramento da Consciência de Relação a partir da sempiterna Consciência Absoluta (que é a potencialidade de tudo mas actualidade ou efectividade de nada em particular): consciência de relação entre o espírito e a matéria, entre a subjectividade e a objectividade (levando à identidade individual e à auto-consciência), consciência de relação do Todo centrado num ponto (um Eu) e o Todo espargido pelo círculo, que é constituído por outras Unidades de Vida que são também, cada uma delas, o próprio centro do Todo.

A Lei da Periodicidade
A Encarnação implica a relação entre um nível de Permanência (Espírito) e um nível de Impermanência (as formas substanciais ou materiais), o que se coliga com a Segunda Proposição. Efectivamente, no Ser Eterno e Ilimitado, cósmico ou Humano, exsurgem Universos (ou formas encarnativas) inumeráveis que se manifestam e desaparecem incessantemente, e que são como um abrir e fechar de olhos da Existência-em-si-Mesma. E entre essa Permanência (a verdadeira Realidade) e a Impermanência (irrealidade ou aparente realidade) há uma constante sucessão cíclica, de acordo com uma das Leis absolutamente fundamentais do Universo – a Lei da Periodicidade.

O que é Permanente é o cenário, o pano de fundo, o espaço, a raiz, o Ser que permite e de onde irradia o que é impermanente. No entanto, como Ser-Consciência Absoluta, não está (directamente) envolvido na existência mortal, na Impermanência, e em todos os seus episódios e fenómenos. Testemunha silenciosa, Ser Imutável (que é Movimento Absoluto), a tudo assiste sem se envolver, sem se condicionar, sem se relativizar.

O simples fragmento (para usar a expressão do Bhagavad Gîta, 9: 4 e 10: 42), o simples raio, a simples possibilidade manifestada que, projectada do Permanente, permite a existência condicionada, a construção e a vitalização das formas materiais, e a consciência que nele há e se desenvolve, é a Alma. É esta que involui5 ou se contrai, e que se expande ou evolui.

Encarnação Humana
Temos, até agora, usado palavras e conceitos que, por analogia, são aplicáveis tanto à Encarnação Cósmica (ou Macrocósmica), como à Encarnação Humana, como à Encarnação nos Reinos precedentes ao Humano, por onde nós6 igualmente já passámos. “A doutrina da reencarnação aplica-se a cada átomo no universo”7.

Agora, contudo, tratemos mais especialmente da Encarnação Humana.

Para entendermos o processo encarnativo no Ser Humano, é necessário recordarmos a sua constituição septenária de princípios vivenciais e cognitivos.

Antes de tudo, é ele uma Unidade Divina Imortal, o Eu-Ser Absoluto. Em sânscrito, é o Âtman, mais propriamente o Âtman sem atributos, o Adhy-Âtman (Espírito Supremo ou Primordial), a Mónada no seu sentido radical.

No entanto, esta pura unidade, não poderia espoletar e aproveitar-se da dialéctica da manifestação encarnativa – a peregrinação pelos diferentes níveis de substancialidade – sem algo que lhe contraste, que seja um pólo oposto e complementar, que seja o seu mediador na existência objectiva. Esse “algo” é a Alma Espiritual, ou seja, o veículo do Espírito: Buddhi, em sânscrito, o princípio de determinação da consciência, de discernimento espiritual, de sabedoria íntima e unificadora. Esta é a Díade Monádica ou Espiritual, em que Âtman é positivo, e Buddhi é receptivo, feminino. Como, porém, da união de dois pólos opostos mas complementares, surge sempre um terceiro elemento, a Tríade completa-se com a Inteligência, o Manas Superior, a Mente Abstracta – o Filho do Homem. É através da Mente que o Homem Espiritual e o Homem Animal-Material, se encontram, se chocam, se contrastam. No que se refere aos mundos inferiores, e nas palavras de Helena Blavatsky, “Buddhi só percebe por intermédio do Manas Superior” 8.

Esta Tríade Superior (Âtma-Buddhi-Manas) é perene. Dura todo o ciclo de reencarnações – de centenas e centenas de existências. Ao final, a díade monádica recebe a quintessência, o aroma espiritual do Manas Superior, com a síntese de toda a qualidade desenvolvida na experiência. Tal fora armazenado, justamente, nos níveis de conjunção de Buddhi e Manas, de cuja substância se constitui o chamado Corpo causal. “Este ‘corpo’ [causal], que, na realidade, não é corpo algum, nem objectivo nem subjectivo, mas Buddhi, a Alma espiritual, é assim denominado por ser causa directa do estado de Suchupti, que conduz ao de Turîya, o mais alto estado de Samâdhi. Os yogîs, que praticam o Târaka-Râja-Yoga, dão-lhe o nome de Karanopudhi, ‘a base da Causa’, e, no sistema vedantino, corresponde ao Vijñanamaya e ao Ânandamaya-Kosha (sendo de se notar que este último princípio segue imediatamente o Âtman e é, portanto, o veículo do Espírito Universal). O Buddhi, por si só, não poderia ser chamado de ‘Corpo Causal’, porém chega a sê-lo em união com o Manas, o Ego ou entidade que se reencarna. [Assim, pois, chama-se Corpo Causal ao conjunto Buddhi-Manas, ou seja, o quinto e sexto princípios unidos, e é assim chamado porque recolhe dentro de si os resultados de todas as experiências, as quais, trabalhando como causas, moldam as vidas futuras.]”9.

“Ao reencarnar, o Ego Superior emite um Raio, que é o Ego Inferior”10. O último é apenas uma expressão parcial do primeiro. É somente uma sua manifestação limitada, tal como um raio solar o é da estrela de onde promana. Só à medida que o homem progride é que maiores potencialidades da sua natureza espiritual se vão expressar nos níveis inferiores.

Este derramar da vida e da consciência da Tríade Espiritual, mais propriamente do seu elemento menos elevado, a Mente (Manas) Superior, para formas encarnativas inferiores, representa uma limitação, um enclausuramento, um sacrifício. “A crucifixão do Christos simboliza o auto-sacrifício do Manas Superior”11.

O mencionado raio, essa porção da Mente Superior (aquela natureza mental que é capaz de lidar com o geral e arquetípico) que se projecta para a encarnação, para níveis inferiores, constitui o que se chama Manas (Mente) Inferior; e vai-se ligar à natureza passional, emocional ou dos desejos, que a atrai: Kâma, em sânscrito.

Forma assim a natureza psíquica de uma encarnação, o conglomerado Kâma-Manas – Desejo e Mente (Inferior). É esta natureza psíquica o cerne e o carácter de cada personalidade encarnativa ou Eu Inferior.

Somam-se-lhe três princípios mais objectivos, que completam o Quaternário Inferior ou Forma Encarnativa: o Corpo Astral, que é o molde ou padrão karmicamente condicionado, a partir do qual se constrói (decalca ou duplica) o Corpo Físico (o último, isto é, o mais denso, o mais material dos Princípios). O Corpo Físico é animado e mantido em coerência pelo Princípio da Vitalidade (Prâna), que lhe aflui por intermédio do Corpo Astral (ou Linga-Sharîra).

Recapitulando, há, pois, a considerar:
a) A Unidade Divina Imortal, o Âtman Supremo ou Âtman sem atributos (nirguna), a Essência Monádica, a Centelha da Eternidade, o Eu Divino.

Não podendo, em si mesma, estar implicada na dialéctica da manifestação e da involução-evolução, este Espírito Puro desdobra-se numa Tríade Perene, por meio da qual pode receber impressões da existência múltipla.

b) Esta Tríade Superior ou Tríade Espiritual, o Eu Superior, consiste em:

1. Âtman ou Espírito

2. Buddhi, Alma Espiritual ou Intuição

3. Manas ou Mente Superior

O Manas, em cada encarnação, projecta de si mesmo um raio, um “fragmento”, que vai coligar-se ao:

c) Quaternário Inferior ou Eu Inferior

4. Kâma-Manas

5. Prâna ou Força Vital

6. Linga-Sharîra ou Corpo Astral

7. Corpo Físico

A Vida Antes e Depois da Morte
O Quaternário Inferior, enquanto forma agregada, dissolve-se nos períodos post-mortem. Assim, os três princípios inferiores (Corpo Físico, Corpo Astral e Prâna) são descartados pelo ser humano, ao sobrevir a morte física.

No momento da última pulsação, toda a existência que então cessou é revista pelo ser humano. Se tal visão integral num curto espaço do nosso tempo é possível, tal se deve ao facto de, nesse momento, a personalidade se tornar una com o Eu Espiritual. É por este motivo também, que a vida, no plano físico, que se deixou para trás, é avaliada imparcialmente, compreendendo-se a justiça kármica subjacente à cadeia de causas e efeitos.

Restam, pois, quatro princípios: o Kâma-Manas, o Manas Superior, o Buddhi e o Âtman. E dá-se, então, o ingresso no Kâma-loka, o local (subjectivo) do Kâma.

Aqui, o Manas vai por sua vez separar-se do Kâma-Rûpa, que é deixado para trás, num processo de desagregação. De facto, neste estado intermédio, dá-se a grande “luta” entre as tendências inferiores (mortais), representadas por Kâma, e as tendências elevadas, sementes de espiritualidade (susceptíveis de serem assimiladas na Tríade Superior), que se identificam com a Díade Superior (assim, o Manas é disputado entre Âtma-Buddhi e Kâma). A gestação de tais sementes no Kâma-Loka é necessária para formar a substância adequada (o aroma espiritual da personalidade) ao mundo do Ego Espiritual.

Após uma segunda revisão da vida passada, dá-se a entrada no Devachan, que significa, etimologicamente, “o Paraíso dos Deuses” (outra designação ainda é Sukhavati, palavra igualmente sânscrita, que significa “Terra Feliz”). Trata-se, pois, de renascer no mundo do Eu Superior.

“‘Quem vai para o Devachan?’ O Ego pessoal 12, é claro, mas beatificado, purificado, sagrado. Cada Ego – a combinação do sexto e do sétimo princípios – que, depois do período de gestação inconsciente, renasce no Devachan, é necessariamente tão puro e inocente quanto um bebé recém-nascido. (…) E, enquanto o (mau) karma fica de lado por algum tempo para segui-lo na sua futura encarnação terrestre, ele traz consigo para este Devachan o karma das suas boas acções, palavras e pensamentos. (…) Portanto, todos aqueles que não caíram no lodo do pecado e da bestialidade irrecuperáveis – vão para o Devachan. Eles terão de pagar pelos seus pecados, voluntários e involuntários, mais tarde. Enquanto isso, eles são recompensados; recebem os efeitos das causas que produziram.

Naturalmente, trata-se de um estado; um estado, digamos assim, de intenso egoísmo13, durante o qual o Ego colhe a recompensa do seu altruísmo na terra. Ele está completamente envolvido na bênção de todas as suas afeições, preferências e pensamentos pessoais terrestres, e colhe o fruto das suas acções meritórias. Nenhuma dor, nenhuma aflição, e nem mesmo a sombra de uma tristeza surgem para escurecer o horizonte iluminado da sua pura felicidade; (…) Já que a percepção consciente da personalidade do indivíduo na terra é apenas um sonho passageiro, esta percepção também será a de um sonho no Devachan – só que cem vezes mais intensa. Isso é tão verdade, de facto, que o Ego feliz é incapaz de ver através do véu das maldades, aflições e angústias a que os que ele amou na terra podem estar sujeitos. Ele vive naquele doce sonho com os que ama – quer tenham ido antes ou ainda permaneçam na terra; ele tem-nos perto de si, tão felizes, tão abençoados e tão inocentes como o próprio sonhador desencarnado.

(…) Há muita diversidade nos estados do Devachan14. Há tantas variedades de bem-aventurança como, na terra, há tonalidades de percepção e de capacidade de apreciar tal recompensa15. É um paraíso feito de ideias, produzido em cada caso pelo próprio Ego, e preenchido por ele com o cenário movimentado pelos factos e povoado pelas pessoas que ele esperaria encontrar nesta esfera de bem-aventurança compensatória.

(…) É uma ‘dimensão espiritual’ apenas em contraste com a nossa própria e grosseira ‘dimensão material’ e, como já foi dito, são estes graus de espiritualidade que constituem e determinam a grande ‘diversidade’ de condições dentro dos limites do Devachan. Uma mãe de uma tribo selvagem não é menos feliz que uma mãe de um palácio real, com o seu filho perdido de volta aos braços. (…) Os prazeres experimentados por um indígena pele-vermelha nos seus ‘felizes campos de caça’ naquela Terra dos Sonhos não são menos intensos que o êxtase sentido pelo connoisseur [conhecedor] que passa longas eras enlevados pela delícia de escutar sinfonias divinas tocadas por coros e orquestras angelicais imaginários” 16.

Quando a vivência no Devachan está a cessar, por se esgotar o Karma que o possibilitou, há ainda uma terceira revisão da última encarnação. Então, o homem volta-se de novo para os mundos objectivos, os mundos inferiores, a cujo “apelo” responde. Começa, pois, o processo conducente a nova reencarnação.

De acordo com os padrões kármicos de cada indivíduo, os veículos inferiores são reconstituídos para uma nova encarnação, para uma nova personalidade. Esta obedece às tendências e predisposições (mentais, psíquicas, astrais e físicas) cultivadas na(s) vida(s) anteriores, que determinam a qualidade da substância da nova personalidade encarnativa. Tais predisposições e tendências constituem os Skandhas do ensinamento budista, que são os exércitos do Karma17. No que toca ao Corpo Físico, ele é formado por “dentro”, a partir do molde astral onde esses condicionalismos kármicos ou os Skandhas estão impressos.

A renovação constante
Entretanto, cada renascimento significa uma nova oportunidade. Cada renascimento, cada novo renascimento, significa um novo afluxo de vida: “em nenhum momento está contida tanta energia como no momento inicial”, que é sempre uma idade de ouro. A periodicidade, a renovação constante é omnipresente na Natureza e impulsiona o processo de evolução. Assim, o homem reencarnante, embora tenha karmicamente atraídos, para os novos veículos do Quaternário, átomos-vida que já haviam integrado as correspondentes formas em existências precedentes, rodeia-se também de essência akáshica pura – de substância primordial não “contaminada” por vícios anteriores.

A Importância do Mental
Afirmámos, há pouco, que em cada encarnação manifestamos somente uma gama limitada das potencialidades do Homem Espiritual, particularmente do Manas Superior. As imperfeições e a pouca qualidade da substância dos corpos e dos princípios inferiores não permite mais do que isso, não constituindo veículo adequado para “a manifestação dos Filhos de Deus”18. De resto, usando novamente as palavras de Helena Blavatsky, “O Manas superior não pode guiar directamente o homem: tem que actuar por intermédio do Manas Inferior”19. Entretanto, acrescenta ela pouco depois: “Devemos sempre ter presente que o Manas Inferior, na sua essência, é idêntico ao Manas Superior, com o qual poderá unificar-se repelindo os impulsos kâmicos”.

Quando os impulsos kâmicos (ou seja, dos desejos e emoções egoístas e personalísticos) são dominados e rejeitados, dá-se a sublimação de todos os níveis do Quaternário. De facto, a terminologia corrente de “os pecados da carne” não nos deve induzir em erro. O Corpo Físico, em si mesmo, não é propriamente bom nem mau. Ele faz e torna-se aquilo que as nossas decisões determinam, conforme vão predominando o desejo egoísta (ou egocêntrico) e o correspondente pensamento míope, ou os anseios nobres, as aspirações espirituais, os pensamentos lúcidos, os ideais altruístas, a criatividade superior. No que respeita ao Corpo Astral, ele adquire as qualidades decorrentes das nossas acções psíquicas e físicas.

O nosso grande instrumento de trabalho é, pois, o Mental. É aí que se decide a que tipo de impulsos – superiores ou inferiores – respondemos e aos quais aderimos20. E é aí que se constrói e amplia o Antahkarana, o órgão mental interno, a ponte estendida entre o Quaternário Inferior e a Tríade Superior, entre a natureza mortal e a natureza perene.

O alargamento e consolidação dessa ponte permite em simultâneo manifestar mais amplamente o Eu Superior e permite a recolha mais abundante das qualidades com a quintessência das experiências e lições obtidas no (através do) Eu Inferior, nos planos de maior materialidade. Estes são os que maior contraste oferecem com o Eu Espiritual e que mais agudamente estimulam o despertar das capacidades ou aptidões e o desenvolvimento da consciência de relação, com todos os seus melhores atributos ou virtudes: a Vontade, o Amor, a Sabedoria, a Harmonia, a Justiça, a Consagração, a Ordem Correcta, etc., etc.

Aptidões e Qualidades
Cabe aqui notar que “fisicamente, o homem comum não tem recordação das vidas anteriores, uma vez que já não dispõe dos mesmos instrumentos (nomeadamente o cérebro físico) dessas outras vidas. Contudo, em cada nascimento, trazemos latentes as capacidades – tão diferentes de indivíduo para indivíduo – que nelas desenvolvemos. E essas capacidades – e não a memória de factos concretos – são o que verdadeiramente importa”21.

Deste modo, as aptidões despertadas, as capacidades efectivas e as qualidades individuais – adquiridas através da longa peregrinação pelos diferentes Planos, em muitas situações, nos mais diversos cenários, através de todo o género de atritos, condicionalismos e oportunidades, de inúmeros erros e aprendizagens, e enraizadas nos níveis causais (Buddhi, com a quintessência do Manas Superior) – são a grande conquista do processo evolutivo.

“Terminado o ciclo das suas reencarnações, [o Ego] continua sendo a mesma Consciência Divina, mas então já se tornou uma Autoconsciência individualizada”22. A semente espiritual, “caída” da Árvore da Vida para a terra, onde fica sepultada, onde apodrece e de onde começa o renascimento guiado pela luz solar, acaba por se tornar, ela própria, uma Árvore florescente, que gerará frutos abundantes, e multiplicará as sementes… no ilimitado progresso universal.

O Ensinamento da Reencarnação
A Reencarnação tem sido sustentada, ao longo das Idades, pelas melhores e mais genuínas tradições espirituais e filosóficas, bem como por grande parte dos maiores pensadores que a Humanidade já produziu. Faz parte dos ensinamentos do Hinduísmo, do Jainismo, do Budismo, do Sikhismo, do Taoísmo, do Zoroastrismo, do Hermetismo, do Gnosticismo (Cristão ou não), de muitos expoentes entre os Sufis do Islão, bem como integrava as ideias dos Maniqueístas, dos Cátaros, dos Bogomilos. No seio do Judaísmo, é aceite pela Cabala, e era reconhecida pelos Essénios e Fariseus, unicamente os Saduceus a rejeitando. Muitas outras formas religiosas, em todos os continentes, a incluem e incluíram nas suas concepções da vida 23.

Foi apresentada e defendida – ou, no mínimo, admitida –, por filósofos da grandeza de Pitágoras, Heráclito, Platão, Empédocles, Apolónio de Tiana, Fílon de Alexandria, Séneca, Plotino, Porfírio, Jâmblico, Hypatia, Sinésio, Hierócles, Proclo, Giordano Bruno, Spinoza, Leibniz24, Henry More, Voltaire, David Hume, Kant, Ralph Waldo Emerson, Kant, Fichte, Schleiermacher, Krause, Schelling, Hegel ou Schopenhaeur; artistas, nomeadamente músicos e pintores, tão extraordinários como Wagner, Scriabin, Débussy, Mahler, Sibelius, William Blake, Dante Gabriel Rossetti, Gauguin, Mondrian, Kandinsky, Paul Klee, Salvador Dali ou Nicholas Roerich; escritores e poetas tão celebrados como Camões, Fernando Pessoa, Ennius, Virgílio, Ovídio, Taliesin, Skakespeare, Milton, Goethe, Schiller, Herder, Novalis, Alexander Pope, Shelley, Wordsworth, Coleridge, Tennyson, Robert Browning, Elizabeth Browning, Longfellow, Thomas Moore, Balzac, Lamartine, Victor Hugo, Flaubert, Khalil Gibran, Jack London, Louise Mary Alcott, Somerset Maugham, Oscar Wilde, Arthur Conan Doyle, Tolstoi, Rainer Maria Rilke, Walt Whitman, Rudyard Kipling, William Butler Yeats, George W. Russell, James Joyce, E. M. Forster, L. Frank Baum, Tagore, Maeterlinck ou Romain Rolland; cientistas tão importantes como Newton, Johann Ehlert Bode, David Brewster, Charles Bonnet, Humphrey Davy, Thomas Huxley, Camille Flammarion, Thomas Edison, William Crookes ou Gustaf Stromberg; políticos de tanta relevância como Frederico o Grande, Thomas Paine, Benjamin Franklin, Mazzini, Gandhi, Nehru, David Lloyd George ou Henry Wallace; homens e mulheres tão renomados como Cícero, Flávio Josefo, Plutarco, Rumi (o grande místico islâmico e sufi) Paracelso, Van Helmont, Jacob Boehme, Carlyle, Lessing, Carl Gustav Carus, Friedrich von Schlegel, Keyserling, François Charles Fourier, Henry David Thoreau, George Sand, Henri Amiel, William James, Carl Jung, Oliver Lodge, Henry Ford e tantos, tantos outros.

E quanto ao Cristianismo? A pergunta surgirá naturalmente em alguns leitores. Já escrevemos acerca disso em número anterior da Biosofia25. É preciso distinguir26. Temos, de um lado, as matrizes originais e legítimas do Cristianismo: a figura de Jesus, os ‘ingredientes’ Cabalísticos, Gnósticos (aí integrando grupos como os Nazarenos, os Ebionitas, os Essénios e os Terapeutas), Pitagóricos e Platónicos, da religiosidade Egípcia e das Tradições Orientais – que, conforme a Sabedoria de Todas as Idades, que ecoam – incluem o ensinamento da Reencarnação. Temos, do outro lado, a ignorância ou mesmo a negação de qualquer Ciência Espiritual, a insana pretensão de exclusivismo, a destruição de inúmeros documentos e testemunhos, a fraude e a falsificação não só nos textos evangélicos, como nos escritos de autores como Orígenes. No primeiro caso, temos uma religiosidade sábia e justa; no segundo caso, um amontoado de afirmações ilógicas, incoerentes, destituídas de qualquer senso de proporção e justiça, e tantas vezes imorais e até monstruosas. Qual é a verdadeira mensagem do Cristo?



José Manuel Anacleto

Presidente do Centro Lusitano de Unificação Cultural

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(1) A Doutrina Secreta, de Helena Blavatsky (Ed. Pensamento, São Paulo, 1973; Vol. I págs. 81 a 85).

(2) Toda a manifestação é ilusória, porque é o próprio domínio da impermanência, logo, da irrealidade. O que é real e impermanente está mais além da existência condicionada, que é meramente uma reflexão sua, e na qual, em si mesma, não está envolvida.

(3) Tal é a função da Coluna da Severidade na Árvore da Vida. Aquela é encimada por Binah, que representa a Forma e as Leis que a regem. “A forma limita a vida, aprisiona-a, mas, não obstante, permite-lhe organizar-se… A forma disciplina a força…” (Dion Fortune, A Cabala Mística, Ed. Pensamento, São Paulo; pág. 121).

(4) Dizemos “mais ou menos científicos, porque os modelos evolucionistas darwinistas e neo-darwinistas, apesar de alguns méritos, estão cheios de afirmações não comprovadas (quando não se verificou o seu contrário) e de meras suposições. Acerca disto, cfr., por exemplo, Para Acabar de Vez com o Darwinismo, de Rosine Chandebois (Instituto Piaget, Lisboa, 1996).

(5) Jivâtaman, a vida (anima) de Âtman (Espírito), é a involução do Espírito (na Matéria).

(6) Ou melhor: por onde passou a Vida, a nossa onda de vida.

(7) William Quan Judge, Echoes of the Orient (Point Loma Publications, San Diego, 1987); Vol. III, pág. 180.

(8) Helena Blavatsky, Doutrina Secreta, Vol. VI, pág. 201; Collected Writings, Vol. XII (The Theosophical Publishing House, Quest Books, Wheaton, 1980), pág. 673.

(9) Helena Blavatsky, Glossário Teosófico (Ed. Ground, São Paulo).

(10) Helena Blavatsky, A Doutrina Secreta, Vol. VI, pág. 222; Collected Writings, Vol. XII, pág. 709.

(11) Idem, A Doutrina Secreta, Vol. VI, pág. 215.

(12) Ou seja, o que nobre, elevado e altruísta se desenvolveu na Personalidade dessa particular Encarnação.

(13) “Egoísmo”, porque se trata, em todo o caso, de um gozo individual, merecido é certo, mas de que os Iniciados e Discípulos tendem a abdicar, para servir ao Bem Geral.

(14) E assim também quanto à duração. O homem que desenvolveu maior quantidade e qualidade de ideais, tem mais substância para alimentar o estado devachânico que, portanto, é mais prolongado, podendo, por exemplo, rondar os dois milénios (embora, normalmente, ande por metade disso).

(15) Embora a) o “selvagem”, b) o homem comum, c) ou o grande filósofo, cientista, místico, artista, esteta ou filantropo possam ter, todos o seu devachan, a qualidade e profundidade de cada um variará, naturalmente, sempre em conexão com os interesses e aspirações da vida física precedente (e só desta. Coisa bem diferente do Devachan, é o Nirvana, no fim do grande ciclo de encarnações). O que há no Devachan são os infinitos desdobramentos de cada ideal, de cada aspiração, de cada momento de criatividade do indivíduo. Os sonhos do mundo da objectividade se transformam nas realidades da existência nesse mundo da subjectividade.

(16) Cartas dos Mahatmas para A. P. Sinnett, (Ed. Teosófica, Brasília, 2001); Vol. I, págs. 298 a 301. Para uma explanação mais completa dos estados que medeiam entre duas reencarnações no Plano Físico, recomendamos o artigo “A Libertação das Formas – A (Vida Depois da) Morte”, de Helena Castanheira, publicado no nº 28 da Biosofia (Centro Lusitano de Unificação Cultural, Lisboa, 2006).

(17) Cfr. A Chave da Teosofia, de Helena Blavatsky. Edições 70, Lisboa, 1978, pág. 115; Ed. Teosófica, Brasília, 1991, pág. 129.

(18) Romanos, 8: 19.

(19) A Doutrina Secreta, Vol. VI, pág. 215.

(20) Remetemos para o nosso artigo “A Mente Dual – da Escravidão à Liberdade”, publicado no nº 21 da Biosofia (Centro Lusitano de Unificação Cultural, Lisboa, 2004).

(21) José Manuel Anacleto, Transcendência e Imanência de Deus (Centro Lusitano de Unificação Cultural, Lisboa, 2002), pág. 89.

(22) Helena Blavatsky, A Doutrina Secreta, Vol. VI, pág. 212.

(23) Cfr. Reincarnation – An East-West Anthology, complilado e editado por Joseph Head & S. L. Cranston, The Theosophical Publishing House, Quest Books, Wheaton, 1990, págs. 71 e 72.

(24) O seu conceito de “metamorfose” corresponde no findamental ao ensinamento sobre os Skandhas e os Átomos de Vida.

(25) Ver as págs. 24 a 30 do nº 8 (Centro Lusitano de Unificação Cultural, Lisboa, 2000). Com maior desenvolvimento, o artigo foi depois incluído no já citado livro Transcendência e Imanência de Deus, págs. 97 a 115.

(26) Remetemos, nomeadamente, para os nossos livros Cristo (Centro Lusitano de Unificação Cultural, Lisboa 2005) e Alexandria e o Conhecimento Sagrado (Centro Lusitano de Unificação Cultural, Lisboa, 2008), especificamente os seus Capítulos III e IV, págs. 95 a 277.





http://centrolusitano.org/acerca/esoterismo.html
http://www.biosofia.net/
www.¬biosofia.¬net/¬2004/¬09/¬22/¬esoterismopsiqui¬smo-¬e-¬artes-¬ocultas/
www.¬biosofia.¬net/¬2002/¬03/¬23/¬a-¬alma/
www.¬biosofia.¬net/¬2002/¬06/¬23/¬buddhi-¬a-¬intuicao/
www.¬biosofia.¬net/¬2000/¬10/¬01/¬transcendencia-¬e-¬imanencia-¬de-¬deus-¬v/
www.¬biosofia.¬net/¬2003/¬06/¬29/¬demiurgo-¬construtores-¬dos-¬universos/
www.¬biosofia.¬net/¬2003/¬06/¬29/¬deuses-¬idolos-¬e-¬demonios/
www.¬biosofia.¬net/¬2006/¬06/¬22/¬karma-¬2/
www.¬biosofia.¬net/¬2000/¬07/¬02/¬espiritualismo-¬ou-¬egoismo/
www.¬biosofia.¬net/¬2004/¬12/¬22/¬o-¬valor-¬do-¬conhecimento-¬espiritual/
www.¬biosofia.¬net/¬2000/¬03/¬30/¬sobre-¬o-¬vacuo-¬e-¬a-¬realidade/


Sunday, February 28, 2010

SEGREDO MAÇÒNICO: Texto Integral da Comunicaçao de RUI BANDEIRA

outras fontes:
Reproduzimos aqui o texto que nos foi cedido pelo orador do almoço debate da Tertúlia do Bar do Além do dia 20 de Fevereiro de 2010, sobre Segredo Maçónico?. Como habitualmente são também inseridas algumas fotos obtidas durante a exposição do orador convidado e debate, e do almoço em que participaram cerca de 40 tertulianos




O chamado segredo maçónico é um dos pontos que mais suscita a curiosidade de quem não é maçon. É também um dos pontos utilizados por aqueles que são hostis à Maçonaria e aos maçons para procurar atacar e vilipendiar uma e outros, ao abrigo do genérico pretexto de que se não tivessem um propósito criticável, não precisavam de segredo para nada. Como se não fosse intuitivo que todas as pessoas têm e guardam segredos, uns só para si, outros apenas acessíveis aos que lhe são mais chegados - chama-se a isso reserva da vida privada e tem dignidade de direito fundamental, constitucionalmente protegido em todas as sociedades civilizadas... Como se todas as sociedades e associações não tivessem matérias e planos e decisões e estratégias cujo conhecimento reservam apenas para os seus membros... Como se os empresários, os membros da alta finança e os políticos não proclamassem todos, com alegre satisfação, que o segredo é a alma do negócio... A todos é naturalmente reconhecido o direito ao segredo, à reserva do que não se destina a ser do conhecimento público. Só os maçons são verberados por respeitarem o seu compromisso de guardar o segredo maçónico!

Muita da curiosidade, muito do combustível para os ataques aos maçons resulta, afinal, de se mitificar a essência, a natureza e a amplitude do segredo maçónico. Mitificação para que a Maçonaria e os maçons contribuíram, reconheço... Mitificação que, sendo um exagero, é um distorcer da verdade. E do torcer da verdade não resulta, normalmente, nada de bom...

A Maçonaria é uma instituição ancestral e que preza a Tradição. Mas, como todas as instituições ancestrais bem sucedidas, sabe preservar a Tradição, adaptando os seus usos e costumes ao evoluir dos tempos e das sociedades. Só assim evita ser anacrónica e mantém interesse e importância e valor, ao longo da passagem dos anos, décadas e séculos.

O século XXI lançou-nos a todos na voragem da Sociedade da Informação. As chamadas Novas Tecnologias permitem aceder a mananciais de informação que, ainda há poucas décadas - há poucos anos... - eram impensáveis. A Maçonaria não pode, não deve, obviamente, ser indiferente às consequências desta evolução. Não que tenha deixado de fazer sentido a subsistência do segredo maçónico. Mas a mitificação do mesmo, essa sim, não me parece que seja vantajosa, nem para os maçons, nem para os profanos.

A Maçonaria prossegue objetivos honrosos e louváveis. É frequentemente denegrida por quem, sendo-lhe hostil, a acusa de prosseguir propósitos menos recomendáveis e, sistematicamente, esgrime com o segredo maçónico como alegada prova dos tenebrosos propósitos da Maçonaria. Em época de acelerada circulação da informação, não basta à Maçonaria seguir o seu caminho, não ligando aos cães que ladram à passagem da caravana. Porque tanto ladrido de tanta canzoada acaba por impressionar quem o ouve. A Maçonaria deve continuar a prosseguir o seu caminho, apesar dos rafeiros e seus latidos. Mas, para bem de si própria e elucidação de todos, nestes tempos de abertura de informação, deve mostrar e informar para onde vai, porque vai e como vai. Assim todos verão qual o caminho e não se impressionarão com a barulheira dos canídeos, que todos poderão ver ser vã e sem motivo que a sustente.

O segredo maçónico é um dos objetos dos latidos. Pois bem, é tempo de mostrar, a quem estiver de boa fé, que esse vozear não tem razão de ser. Não abandonando o segredo maçónico ou traindo os compromissos assumidos. Mas explicando os limites, a natureza e as razões do dito segredo. Quem estiver de boa fé perceberá. Os outros... continuarão a ladrar, mas já impressionarão menos...

Na minha opinião, não há um segredo maçónico. Há dois. Um exotérico e outro esotérico. Quero com estes adjetivos significar duas diferentes realidades. No meu entendimento, o segredo maçónico exotérico é aquele que é constituído por matéria ou conhecimento que é suscetível de fácil apropriação por qualquer pessoa, que sem dificuldade de maior pode ser transmitido por quem o sabe a quem não o sabia. Inversamente, o segredo maçónico esotérico não comunga dessa facilidade de apreensão e de transmissão. O segredo maçónico exotérico só existe enquanto e na medida em que for preservado por todos aqueles que o detêm, os maçons, nos seus respetivos graus e qualidades. O segredo maçónico esotérico existe independentemente de qualquer esforço de preservação, porque o seu teor não é suscetível de ser adequada e completamente transmitido por quem atinge o seu conhecimento (apenas alguns, maçons ou não). Tem de ser descoberto, num esforço individual, mediante um percurso de autopreparação para o atingir e reconhecer, em que cada patamar atingido é condição necessária para poder conseguir-se chegar ao seguinte. Este segredo existe independentemente de qualquer propósito de preservação por quem o detém. Direi mesmo que existe apesar dos esforços e das tentativas de partilha por quem o descortinou.

Dito de outro modo: o segredo maçónico é composto por uma parte que não é sequer particularmente importante (o segredo exotérico) e subsiste graças e na medida dos cuidados dos maçons na sua subsistência; e existe também uma outra componente (o segredo esotérico) que existe independentemente da vontade e dos esforços e das tentativas dos seus detentores, por impossibilidade de sua adequada e completa transmissão, seja por via oral, seja por escrito. O acesso a este implica vivência, experiência, vontade, esforço. Não basta ouvir ou ler. Portanto, o segredo que se guarda não é especialmente importante e o que importa não se consegue transmitir...



O segredo maçónico exotérico é constituído por quatro aspetos:

1) Reserva da identidade dos maçons que não se hajam assumido publicamente como tal;
2) Reserva de divulgação das formas de reconhecimento entre os maçons;
3) Reserva de divulgação de rituais e de cerimónias;
4) Reserva de divulgação do teor concreto e específico dos trabalhos de qualquer reunião de Loja ritualmente realizada.

Talvez com exceção da última faceta, o segredo maçónico exotérico é um verdadeiro segredo de Polichinelo: só não o conhece quem não quiser. Basta um pouco de esforço e trabalho para apurar o seu conteúdo. Então com as possibilidades atualmente disponíveis com as Novas Tecnologias de Informação e os potentes motores de busca universalmente disponíveis, aceder a esse conhecimento é uma pura questão de perseverança, trabalho e alguma habilidade. Ao contrário do que vulgarmente se pensa, está tudo publicado. Só é preciso descobrir onde... E - esta será porventura a maior dificuldade - destrinçar entre o que verdadeiramente é e o que é falso ou imitado ou errada ou desajustada ou intempestivamente utilizado.

O objetivo primacial do segredo maçónico exotérico é permitir aos maçons saber, de uma forma exclusivamente a si acessível, quem é e quem não é maçon - e também que grau detém quem é maçon. Nos tempos de antanho, foi essencial. Hoje, nem por isso. Outras formas de saber, rápida e eficazmente, quem é e quem não é maçon existem. Hoje, a facilidade e rapidez das comunicações, particularmente das telecomunicações e da comunicação eletrónica, permite, em caso de necessidade, fácil e rapidamente verificar junto de uma Grande Loja ou de uma Loja se fulano é seu membro. Antigamente, era diferente. Daí que a importância do conhecimento da forma de obter essa informação, e a sua preservação, fosse nuclear. As realidades da vida, da evolução e do desenvolvimento em muito erodiram a necessidade e importância do segredo.

Sendo assim, porque continuam os maçons a preservar esse já não tão importante segredo? Por duas razões, uma acessória, outra essencial. A acessória é que, embora a necessidade de preservação das reservas de informação tenha diminuído, seja menos importante, não cessou completa e universalmente, não perdeu TODA a importância (ainda há locais onde é perigoso ser maçon). A essencial é que os maçons preservam o segredo maçónico PORQUE SE COMPROMETERAM, POR SUA HONRA, A FAZÊ-LO.

Sendo assim, porque se continua a exigir aos maçons esses compromisso de honra? Não já pela necessidade de antanho. Ou não já essencialmente. Nem também por um cego tributo à Tradição, o continuar a fazer agora assim porque dantes assim se fazia. Antes como um exercício permanente do que é na essência inerente à condição de maçon. Um maçon é um homem livre, apenas escravo da sua palavra; sério, sempre preservando a sua honra; cumpridor dos seus compromissos, apenas porque ele se obrigou a eles. A palavra de um maçon vale tanto ou mais do que um contrato escrito, é mais duradoura do que se tivesse sido gravada em pedra. Independentemente da importância do assunto. Um homem só é honrado e de confiança se o for nas pequenas como nas grandes coisas. A verdadeira palavra sagrada de um maçon é a sua palavra de honra.

É portanto em execução desse princípio inderrogável de que o maçon cumpre sempre a sua palavra, seja-lhe ou não conveniente, seja o assunto importante ou sem destaque particular, que este preserva o segredo maçónico. Porque se comprometeu a fazê-lo. Independentemente de ser ou não ser já importante fazê-lo. Mesmo que, por esse mundo fora, esse segredo, total ou parcialmente, tenha sido centenas ou milhares de vezes exposto. Se o não fizesse, sabia-se merecedor do opróbio e desprezo unânimes dos maçons. E um maçon só o é na medida em que seja reconhecido como tal pelos seus pares...

O maçon preserva o segredo maçónico porque se comprometeu a fazê-lo, e esse compromisso continua a ser exigido aos maçons como forma de exercício diário, constante, permanente, dos deveres inerentes a um homem honrado, livre e de bons costumes. Outros existem que, diz-se para aí, pontuam a sua pertença à organização em que buscam a excelência através do cilício, da mortificação do corpo. Os maçons buscam a excelência do caráter, do espírito, e portanto exercitam continuamente o caráter e o espírito. Uma das formas de o fazerem é honrando escrupulosamente os seus compromissos. Independentemente de serem importantes. Sem questionar a eficácia ou o interesse desse cumprimento. Sendo-lhes indiferente que outros, mais fracos ou imerecedores, porventura tenham falhado esse cumprimento.

RESERVA DA IDENTIDADE DOS MAÇONS QUE NÃO SE HAJAM ASSUMIDO PUBLICAMENTE COMO TAL

Mesmo nas sociedades mais abertas e com maior inserção social da Maçonaria, mesmo no Brasil, nos Estados Unidos ou em Inglaterra, existem preconceituosos contra a Maçonaria que, se tiverem o poder e a posição para tal, podem subrepticiamente prejudicar um maçon apenas por o ser - embora porventura ocultando o seu preconceito e usando uma qualquer outra desculpa ou justificação... Também nas sociedades mais abertas e com maior inserção social da Maçonaria se continua a justificar uma atitude prudente em relação aos preconceituosos e, portanto, o cumprimento do princípio de não revelar que alguém, que não tenha assumido publicamente essa condição, é maçon.

Uma outra razão justifica ainda o cumprimento deste princípio. A Fraternidade implica o reconhecimento da dignidade do outro em todas as circunstâncias. Implica o respeito pelo outro, pela sua inteligência, pelas suas escolhas. Se um maçon divulgasse que outrem tem essa qualidade, sem que o visado tivesse previamente assumido a mesma publicamente, estaria, sobretudo a desrespeitá-lo, a desrespeitar essa sua escolha. Se o visado não se tinha assumido publicamente como maçon, isso resultava de uma análise do mesmo, de uma escolha sua. Análise e escolha que era seu direito fazer e que só a ele competia fazer. Divulgar que esse que se não assumiu como maçon é maçon corresponde a substituir, a desvalorizar, a desconsiderar, o juízo por ele feito, em favor do juízo (ou da falta de juízo...) do próprio.

A decisão de cada um se assumir publicamente como maçon a cada um pertence. Não pode, não deve, ser apropriada por nenhum outro maçon. E não o é. Em nome do respeito pelo outro, pela sua inteligência, pela sua capacidade de análise, pelas suas escolhas, que é inerente ao elo que une todos os maçons: o elo da Fraternidade. Trair esse elo, mais do que trair o outro seria traição ao próprio e a todos.

RESERVA DE DIVULGAÇÃO DAS FORMAS DE RECONHECIMENTO ENTRE OS MAÇONS

Antigamente era, em muitos locais, perigoso ser maçon. Ainda hoje o é, em várias partes do globo. Os maçons tinham necessidade de se conseguirem reconhecer uns aos outros, sem necessidade de perguntar. Com efeito, se um maçon perguntasse a outrem se também era maçon e esse outrem não só não fosse maçon como denunciasse quem o inquirira, estava o caldo entornado... Havia, pois, que arranjar maneira de um maçon se poder assegurar que outro homem também tinha essa qualidade, de forma que, se assim fosse, o interrogado soubesse que tal interrogação lhe estava a ser feita e soubesse responder da mesma forma, mas que, se o interrogado não fosse maçon, não se apercebesse sequer da interrogação. Havia que criar uma forma de um maçon se dar a conhecer como tal, de maneira que só os maçons se apercebessem disso e só eles reconhecessem essa forma. Havia que poder testar se alguém que se arrogava de ser maçon efetivamente o era. E, sobretudo, havia que tudo isto fazer de forma discreta, apenas percetível por quem devesse perceber. E havia, obviamente que guardar segredo dessas formas de reconhecimento.

Antigamente,não havia as facilidades e rapidez de comunicações e de deslocação que há hoje. Os agregados populacionais eram fechados, muito mais isolados do que agora e, sobretudo, mais distantes, em termos de tempos de viagem. Ir de Lisboa a Londres demorava semanas. Ir de Lisboa ao Porto demorava dias. Ir da Europa à Ásia, a África ou à América demorava meses. Um viajante que chegava a um qualquer local era um desconhecido e desconhecia quase todas ou todas as pessoas desse local. Se se arrogava qualquer título ou condição, não havia meios de comunicação rápidos que permitissem verificar, em terras distantes, se o afirmado era verdade.

Viajar era demorado e perigoso. Os maçons em viagem podiam beneficiar do auxílio de seus Irmãos. Muitas vezes sendo - viajante e residente - desconhecidos um dos outro. Não bastava ao viajante dizer que era maçon. Tinha de comprovar essa qualidade.

Antigamente era, pois. essencial que existissem formas de reconhecimento discretas, eficazes e de conhecimento restrito aos maçons. Que deviam ser e eram avaramente guardadas em segredo.

Essas formas de reconhecimento eram e são constituídas por determinados sinais, por certas palavras, por específicos toques. Os sinais permitiam que os maçons se reconhecessem como tal no meio de uma multidão, se preciso fosse, sem que mais ninguém se apercebesse. As palavras permitiam confirmar esse reconhecimento, constituindo uma segunda forma de verificação, que confirmaria a identificação ou permitiria desmascarar impostor que, por conhecimento ou sorte, tivesse efetuado corretamente um sinal de identificação. Os toques, discretos, permitiam, além de uma fácil identificação mútua absolutamente discreta e insuscetível de ser detetada por estranhos, também desmascarar impostores, pois não bastava, nem basta, usar um certo toque: é preciso saber quando o usar, para quê e que deve suceder em seguida...

Sempre os sinais de reconhecimento foram objeto de curiosidade profana. Por quem perseguia a Maçonaria e os maçons, por razões evidentes. Por quem, não sendo maçon, gostaria de se infiltrar entre os maçons ou, viajando, beneficiar da ajuda que os maçons residentes davam aos maçons viajantes. Ou, simplesmente, por quem era curioso...

Milhares e milhares de maçons conhecem os sinais de reconhecimento. Ao longo do tempo, milhões de maçons acederam a esse conhecimento, nas quatro partidas do Mundo. Houve zangas. Houve dissensões. Houve abandonos. Houve traições. Houve inconfidências. Um segredo só é verdadeiramente secreto se for conhecido apenas por um - e, mesmo assim, se este não falar a dormir... Era inevitável que as formas de reconhecimento dos maçons fossem expostas. Existem livros. Existem filmes. Existem vídeos. Existem panfletos. Existem, hoje em dia, inúmeros suportes em que estão expostas aos profanos as formas de reconhecimento dos maçons. Mas também existem publicados nos mesmos suportes formas de reconhecimento falsas ou inventadas ou simplesmente ultrapassadas... Quem está de fora tem o magno problema de descobrir o que é verdadeiro e o que é falso, de distinguir o certo do inventado, de descortinar o que se mantém vigente e o que foi ultrapassado...

Por isso, ainda hoje, as formas de reconhecimento vigentes, apesar de conhecidas por milhões, apesar de repetidamente expostas, continuam a ser úteis e eficazes.

Mas, mesmo que algum profano consiga conhecer os sinais, palavras e toques certos e consiga descobrir quando os utilizar e como o fazer corretamente, ainda assim só logrará, quando muito, enganar alguns maçons durante algum tempo e acabará - porventura mais cedo do que mais tarde - por ser desmascarado como impostor. Porque não basta executar o sinal certo na hora precisa, pela forma correta, nem dizer a palavra adequada, pela forma prescrita, a quem deve ouvi-la, nem dar o toque acertado, no momento asado e sabendo o que se deve passar a seguir. Tudo isso já é suficientemente complicado - mas não basta. Tudo isso, ainda que porventura executado de forma atinada, constitui ainda uma determinada informação: que quem o fez tem um determinado nível de conhecimentos, uma certa postura e compostura, um exigível comportamento, um específico nível de desenvolvimento pessoal, social e espiritual. Ser maçon e ser reconhecido como maçon não é só conhecer e saber executar sinais, palavras e toques. Isso é o que menos importa. É, sobretudo, saber fazer um percurso, utilizar um método, avançar num caminho.

As formas de reconhecimento são apenas sinais exteriores básicos e nem sequer particularmente importantes. Isso também, mas sobretudo muito mais, é que faz com que um maçon seja reconhecido como tal pelos seus Irmãos.

Reservo o segredo dos sinais, palavras e toques que constituem as formas de reconhecimento dos maçons, porque a isso me comprometi. Mas digo e afirmo: podíamos divulgar, publicar, mostrar, explicar, exemplificar, ensinar, filmar e exibir o filme, executar todos os sinais, palavras e toques de reconhecimento; podíamos ensinar a toda a gente como e quando e por que forma utilizar cada um deles. Ainda assim, pouco tempo e apenas um razoável cuidado bastariam para reconhecer quem efetivamente é maçon e quem, ainda que perfeitamente executasse todos os sinais, palavras e toques, não o é!

Porque ser maçon é muito mais do que saber sinais, palavras e toques. Ser reconhecido como tal implica muito mais do que essas minudências, pois não basta saber sinais, palavras e toques para ser reconhecido maçon. É preciso efetivamente sê-lo e vivê-lo e praticá-lo.

Que nunca ninguém se esqueça disto. Seja profano ou tenha sido iniciado. Especialmente estes!

RESERVA DE DIVULGAÇÃO DE RITUAIS E DE CERIMÓNIAS

Os maçons estruturam o seu trabalho em Loja mediante rituais. A abertura e o encerramento dos trabalhos são sempre executados da mesma forma, a maneira como, durante os trabalhos, cada um fala ou se movimenta em Loja está tipificada, etc.. Os maçons assinalam também diversas situações, individuais ou coletivas, consideradas significativas com Cerimónias meticulosa e ritualmente executadas. Assim sucede com a Iniciação, a Passagem, a Elevação, a Instalação, a Consagração de Loja, etc..

A preservação do segredo sobre os rituais e cerimónias é uma das obrigações dos maçons. Quanto aos rituais, porque são parte integrante da identidade da instituição, que só fazem sentido no âmbito da mesma. A pior coisa que se pode fazer a um conceito, uma informação, uma declaração, é descontextualizá-la. A descontextualização atraiçoa o espírito, o propósito, o aspeto do conceito, da informação, da declaração. Torna-o, ou pode torná-lo, inentendível. Desvaloriza-o. Quiçá, submete-o a ridículo. No entanto, no seu devido contexto, os rituais maçónicos, não só são entendíveis, como são fonte de estudo e iluminação. Não só têm valor, como são fonte de união. Não só são seriamente tomados e executados, como são fonte de fortalecimento do espírito de grupo e da fraternidade entre os maçons.

Os rituais só fazem plenamente sentido se e quando executados no local e pela forma próprios, por e perante quem está apto a compreendê-los. Expô-los aos olhares profanos seria permitir que juízos turvados pela ignorância, obnubilados pelo preconceito, prejudicados pela distância, extraíssem conclusões erradas, perfunctórias, vãs.

Quanto às cerimónias, acresce ainda um outro motivo para o seu teor e o seu desenrolar ser reservado não apenas aos maçons, mas aos maçons do grau em que são executadas, ou superior. É que é importante preservar o fator surpresa, em relação àquele ou àqueles em benefício de quem cada cerimónia é executada. A Maçonaria destina-se a propiciar um terreno apto para o aperfeiçoamento moral e espiritual dos seus membros. Coloca ensinamentos, princípios, máximas, à disposição destes. Faseadamente. Um pouco de cada vez, para que os ensinamentos, os princípios possam ser detetados, descobertos e interiorizados pelos interessados. A Maçonaria nada ensina. Apenas possibilita que se aprenda. Mas essa aprendizagem não é efetuada apenas com o recurso à memória e ao elemento racional. Essa aprendizagem, essa melhoria, esse avanço, resulta também da marca deixada em cada um, através da respetiva inteligência emocional e seu desenvolvimento. Daí que as noções obtidas não sejam apenas adquiridas, mas realmente entranhadas. Daí que se dê valor ao tempo, ferramenta indispensável à construção da melhoria de cada um. Todo este processo se desencadeia através da disponibilidade de apreensão de algo que se desconhece. Daí a importância do fator surpresa. Muitas vezes o que se transmite não é novo. Já foi centenas de vezes lido, milhares de vezes visto. Mas nunca foi visto ASSIM, nunca foi contextualizado DESTA forma, nunca tinha sido introduzido COMO tal.

O maçon a quem uma cerimónia é dedicada é sempre o centro da mesma. Para que a viva e não apenas a ela assista. O objetivo é VIVER a cerimónia. Não revivê-la. Por isso a deve desconhecer antes de dela beneficiar. Por isso devem as cerimónias maçónicas permanecer secretas, de conhecimento reservado a quem o deve ter - e só a esses.

Mas há dezenas de versões de rituais publicados. através dos quais se pode ler o texto de diversas cerimónias. Qual então o interesse de continuar a preservar o sigilo sobre rituais e cerimónias? Duas razões avanço: em primeiro lugar, muito do que está publicado não é já atual. Pode ter semelhanças com o que atualmente se pratica, mas também tem diferenças, algumas significativas. Em segundo lugar, um ritual, uma cerimónia, não é - longe disso! - apenas um texto que se lê ou recita. É muito mais que isso. É movimento, é entoação, é gesto, é interpretação. Muito do que ritualmente é executado não está escrito. É aprendido pela observação, aperfeiçoado com o auxílio dos que antes aprenderam a executar. Por isso é importante o trabalho de aperfeiçoamento ritual de uma Loja. Como um meio. Nunca um fim em si mesmo.

Preservar o segredo quanto a rituais e cerimónias é preservar a essencialidade da cultura maçónica, da sua diferença em relação ao mundo profano. É preservar o método de transmissão e apreensão de conhecimentos. É, enfim, proteger o cerne da Maçonaria.

Os rituais e cerimónias maçónicos, sendo reservados aos maçons, não têm nada de especial, a não ser o cuidado em que sejam um meio eficaz de transmissão de noções, mais uma ferramenta do método maçónico de aperfeiçoamento. Nada têm de censurável ou perigoso. Em nada contendem com as normas do Estado ou com os princípios da Sociedade. Por isso, os maçons também preveem e organizam, de quando em vez, cerimónias a que chamam de brancas, ou seja, abertas a profanos, também executadas ritualmente, através das quais os profanos - e, em primeiro lugar, as profanas com quem partilhamos as nossas vidas... - podem aperceber-se de como decorre uma reunião maçónica. O princípio é sempre o mesmo: os maçons reservam para si o que só para si deve ser guardado, mas não têm qualquer problema em mostrar aos demais o que extravasa do núcleo estrito de reserva, nem em demonstrar como fazem.

Afinal de contas, num mundo ideal, todos seríamos maçons...

RESERVA DE DIVULGAÇÃO DO TEOR CONCRETO E ESPECÍFICO DOS TRABALHOS DE QUALQUER REUNIÃO DE LOJA RITUALMENTE REALIZADA

Os maçons comprometem-se finalmente a não divulgar o teor concreto dos trabalhos de uma reunião de Loja, ritualmente realizada. À primeira vista, isto parece excessivo. Sobretudo, se tivermos em conta que, de cada reunião, é elaborada uma ata que, depois de aprovada, é conservada na documentação e no arquivo da Loja. Por essa ata se alcança que assuntos foram tratados na reunião, que deliberações foram tomadas. E uma ata existe para ser consultada - senão, para quê fazê-la? Independentemente da delicadeza dos assuntos tratados, a ata é elaborada e preservada. Eu publiquei no blogue A Partir Pedra um documento histórico, uma ata que registou os trabalhos da sessão de 18 de setembro de 1835 da Loja brasileira Philantropia e Liberdade. Essa ata registou, nada mais, nada menos, do que a preparação e planificação de um movimento revolucionário, a Revolução Farroupilha!

Porquê então guardar sigilo sobre os sucessos de uma reunião, ao mesmo tempo que se regista, e se guarda escrupulosamente esse registo, o que se passou, elaborando-se uma ata formal? Se é certo que o acervo documental constituído pelas atas das reuniões das Lojas maçónicas pode constituir - e constitui! - precioso material de investigação histórica, nem sequer é esse o principal objetivo do registo em ata. Como acima escrevi, uma ata serve para ser consultada. Cem anos depois ou dois dias depois...

Esta aparente incongruência esclarece-se se tivermos a noção de que uma Loja maçónica é uma organização - que deve registar os seus eventos e deliberações mediante atas, até em obediência às leis civis e em cumprimento dos bons costumes sociais -, mas uma organização com uma característica bem distintiva: é uma fraternidade. Enquanto fraternidade, cultiva e desenvolve especialmente as relações de confiança mútua entre os seus elementos, em estrito espírito de igualdade, sem prejuízo dos graus e qualidades de cada um e dos particulares deveres e meios que cada grau ou qualidade confira a quem os detém.

Enquanto organização, uma Loja maçónica cumpre as regras civis e, portanto regista quem esteve em cada reunião, o que se tratou nela, o que ficou decidido. E guarda e preserva esse registo, que, a qualquer momento, pode ser necessário nos mesmos termos em que qualquer ata de qualquer reunião de qualquer associação ou sociedade pode ser necessária.

Enquanto grupo fraternal, procura-se que cada elemento se sinta, no interior do grupo, completa e absolutamente livre de expressar as suas ideias, opiniões, projetos, preocupações, sem constrangimentos de qualquer espécie. O espaço de uma Loja em reunião ritual é um espaço em que todos e cada um podem baixar completamente as suas defesas e guardas, em que não necessitam de manter a sua "máscara social", em que todos e cada um podem ser e comportar-se e aparecer como realmente todos e cada um são, com suas forças e fraquezas, virtudes e defeitos. Porque, naquele espaço, todos e cada um sabem que devem aos demais a mesma tolerância que dos demais recebem. Porque todos e cada um sabem que todas as opiniões, ideias, contribuições, são analisadas e consideradas pelo seu valor intrínseco, sem argumentos ad hominem, sem acrescentar ou retirar valia à opinião expressa em função de quem a expressa.

Enquanto grupo fraternal, cultiva-se a absoluta confiança mútua, a cooperação, o auxílio a todos na medida das possibilidades de cada um. Procura criar-se um laço forte e duradouro entre todos. Que por isso se consideram Irmãos. Ao criar-se um laço desta natureza, está-se a criar um espaço onde a crítica é aceite, porque a aceitação existe ainda que haja lugar a crítica. Preserva-se um espaço de cumplicidade imensa, em que cada um está à vontade junto dos demais, porque confia nos demais como nele mesmo.

Num espaço assim, de Fraternidade, pode desabrochar sem peias a Liberdade. A Liberdade de opinar, de arriscar testar uma ideia, sem medo de que ela seja apoucada por disparatada. Se o for, assim será considerada. Mas isso não diminui quem a teve. Porque se sabe que ela só foi expressa porque se estava à vontade e porque é em espaços assim que livremente se pode testar a real valia de ideias, opiniões, propósitos. E aperfeiçoar. E limar arestas. E - quantas vezes! - transformar uma balbuciante e hesitante ideia num projeto sólido e com mérito, através do contributo de todos. Um espaço assim é potencialmente um espaço de criatividade e cooperação sem paralelo - porque ninguém teme o juízo, ou a troça ou o apoucamento dos demais. Porque todos sabem que ninguém tem só excelentes ideias, que só expondo todas - as péssimas, as sofríveis, as regulares, as boazinhas, enfim, todas - é possível peneirar delas as que têm efetiva valia. Porque todos sabem que um bom projeto só raramente é produto do valor de apenas um qualquer iluminado, antes resulta da concatenação de ideias, que se acumulam e organizam e dão forma, muitas vezes diferente no final do que fora o lampejo inicial.

Num espaço assim não se tem medo de ser ridicularizado, apoucado, magoado. Mesmo que se use o direito ao disparate. Num espaço assim, sabe-se que o juízo sobre o valor de cada um não depende de uma excelente ou uma péssima ideia, antes resulta do Todo que cada um é e que os demais vão conhecendo, cuja evolução vão constatando.

Um espaço assim é um espaço de intimidade intelectual sem paralelo. E só subsiste porque blindado numa confiança mútua absoluta. O que se diz ali, fica ali. Seja a ideia do século, seja o mais profundo disparate. Quer uma, quer outro, são ali vistos na correta perspetiva, de procura de contribuição para a melhor decisão do grupo, de experimentação, de sugestão, sem reservas, sem cuidados, sem temores de ridículo ou de crítica.

Um espaço assim propicia a mais livre da Livre Expressão do Pensamento. Porque livre da necessidade da pior das censuras, a autocensura. Um espaço assim, baseado na confiança, na Fraternidade, só pode subsistir se todos e cada um souberem que o à vontade em que se expressam não é traído por juízos exteriores feitos por quem, descontextualizando o paradigma em que as ideias são expostas, possa vir a apoucar a ideia, o pensamento, a opinião.

É para preservar esse espaço intimista de Liberdade que se preserva o que de concreto se passa numa reunião maçónica. Porque cá fora julga-se segundo os critérios cá de fora, não se atendendo às condições que se criam para que todas as contribuições sejam bem-vindas. É preciso garantir que todos e cada um possam, no decorrer de uma reunião ritual de Loja, expressar sem quaisquer constrangimentos, de qualquer natureza, as suas ideias e convicções e opiniões. Para que essa Liberdade absoluta exista, mister é que todos e cada um saibam que o que se passa em Loja fica em Loja. E portanto, cada um guarda cuidadosamente para si o que em Loja se passou. Quem quiser saber e tenha o direito a saber... consulte a ata!

O SEGREDO MAÇÓNICO ESOTÉRICO: O VERDADEIRO SEGREDO MAÇÓNICO

Na minha opinião, já hoje aqui o disse, o verdadeiro segredo maçónico vai muito além da discrição sobre identidades, modos de reconhecimento, rituais, cerimónias e trabalhos efetuados. Na minha opinião, o verdadeiro segredo maçónico, o que importa, o que releva, existe, não porque os maçons o queiram preservar, mas porque não o conseguem revelar. Porque é insuscetível de plena transmissão. Chamo-lhe segredo maçónico esotérico. Também há quem o refira como a Palavra Perdida. Em bom rigor, nem sequer é exclusivo dos maçons. A Maçonaria ensina e pratica apenas um dos métodos para a ele se poder aceder. Outros porventura haverá, desde a vertente mística à que privilegia a meditação ou a busca do equilíbrio perfeito.

Talvez, como muitas vezes sucede, quem melhor conseguiu mostrar o que é o verdadeiro segredo maçónico, tenha sido um Poeta, no caso, o grande Fernando Pessoa, neste fantástico poema:

O verdadeiro Segredo Maçónico...
É um segredo de vida
E não de ritual
E do que se lhe relaciona.
Os Graus Maçónicos comunicam àqueles que os recebem,
Sabendo como recebê-los,
Um certo espírito,
Uma certa aceleração da vida
Do entendimento
E da intuição,
Que atua como uma espécie
De chave mágica dos próprios símbolos,
E dos símbolos
E rituais não maçónicos,
E da própria vida.
É um espírito,
Um sopro posto na Alma,
E, por conseguinte,
Pela sua natureza,

Incomunicável.

É realmente incomunicável. E obviamente não tenho a prosápia de desmentir o Poeta. Mas posso tentar apontar a sua natureza, indicar a direção em que cada um deve olhar, sugerir o rumo da busca.

O verdadeiro segredo maçónico, aquilo a que muitos chamam de Palavra Sagrada ou, muito simplesmente, de Luz, é aquilo que o maçon aprende através do contacto com seus Irmãos, do convívio e busca de entendimento dos elementos simbólicos que a maçonaria profusamente coloca à disposição dos seus elementos, do método de análise, de trabalho, de esforço, de meditação, de extenuada conquista, passo a passo, degrau a degrau, patamar a patamar, sobre si próprio, a pulso desbastando suas imperfeições, despojando-se do interesse sobre toda a ganga material que obnubila os nossos espíritos, indo-se cada vez mais longe em épica viagem, com começo e fim no fundo de si mesmo e aí descobrindo a resposta que procura.

Esta busca, esta viagem, esta procura, tem um começo e um fim, mas nem um nem outro serão porventura os esperados. O começo será sempre depois do meio dia, a hora a que os maçons iniciam os seus trabalhos, quando cada um está efetivamente apto a começar a trilhar o caminho sem marcos, bordas ou fronteiras, que conduzirá não sabe onde. O fim, esse, tem hora marcada, aquela a que os maçons pousam as suas ferramentas, a meia noite. Como em muito do que tem valor, tão importante é o resultado como o trabalho para o obter, tão atraente é o destino, como o caminho que a ele conduz. E muito raramente o caminho mais curto entre o ponto de partida e o de chegada será uma reta...

Em bom rigor, duvido mesmo que haja apenas um verdadeiro segredo maçónico, um único segredo esotérico. Nesta altura do meu entendimento, propendo a considerar que cada maçon atinge a sua própria Luz - a deste com mais brilho, a daquele mais baça, a daqueloutro, qual bruxuleante chama de longínqua vela, mal se vendo -, cada maçon encontra e resgata a sua própria e individual Palavra Perdida - a de um bela e cristalina, a de outro sonora e estentória, a de um terceiro suave e quase inaudível murmúrio.

Cada um encontra o que procura e o que trabalha e se esforça por encontrar. Cada um encontra Segredos, Luzes, Palavras diferentes ao longo da sua busca. Porque esta nunca termina. Cada resposta encontrada dá origem a novas perguntas, nascidas de mais lúcida compreensão, em perpétua evolução e aprofundamento de compreensão. É por isso que tenho para mim que eu não posso, não consigo, não sei, partilhar a minha Palavra, com mais ninguém, nem sequer com o meu mais chegado Irmão. Não só porque não consigo descrevê-la em toda a sua extensão e complexidade, como porque o mero enunciar do ponto do caminho em que me encontro me abre novos horizontes de busca, para lá dos quais nem sequer sei se não terei de pôr em causa e de reformular tudo ou parte do que me levou a percorrer esse preciso caminho, quer ainda porque cada viagem, mesmo a do meu mais mais chegado Irmão, seguiu rumos diversos dos meus, levando a linguagens distintas, a conceitos diferentes, a complexas variantes.

Cada um em cada momento encontra diferente Palavra, vê diversa Luz, preserva variado Segredo, porque cada um viaja para destinos diferentes: cada um viaja até ao fundo de si mesmo e cada um é todo um Universo diferente do parceiro do lado.

Nessa viagem, nesse trabalho, nessa busca, cada um procura coisa diversa. Eu só posso definir o que neste momento busco. Já me reconciliei - há muito! - com a finitude da vida neste plano de existência, já abandonei, por estulta e estéril, a busca do imenso porquê, a mim nunca me interessou particularmente interrogar-me sobre o cósmico como. Por agora, desde há muito e não sei até quando, concentro-me na busca do sentido da Vida e da Criação. Tenho uma ideia rude e imprecisa desse sentido. Busco o melhor ângulo para obter mais Luz. Espero que consiga obter o Brilho suficiente para, através do sentido da Criação, entrever o Criador... E tudo isto eu - neste momento - busco, em fantástica viagem, sem outro veículo que não eu próprio, não consumindo outro combustível senão tudo aquilo de que me interiormente despojo, sem outro destino e caminho senão o fundo de mim mesmo. Porque é o conhecimento de mim mesmo, em todas as complexas vertentes que condicionam o meu Eu, que me habilitará a conhecer o Outro, o Mundo e quem o criou e porquê e para quê e como. Eu sou a pergunta, a pergunta sem resposta, a pergunta buscando a resposta e, simultaneamente, a resposta contida na própria pergunta, que me levará a nova pergunta, que gerará nova resposta, em contínuo alargar de horizontes, que espero me permita entrever o que está para além do horizonte e contém todos os horizontes...

Algo já encontrei, algo já me ilumina, algo já consigo balbuciar. Mas não tenho ilusões: ainda não sei ler nem escrever, sei apenas soletrar...

Confuso, não é? Pois é! Eu bem avisei que o segredo maçónico esotérico é aquele que existe porque não se consegue transmitir... O Poeta bem o soube...

Saturday, January 30, 2010

O segredo Maçónio por Rui Bandeira, Correio-Mor, orador convidado da Tertúlia de 20 de Fevereiro 2010


O que é o segredo maçónico?
Em que consiste?
Qual a sua justificação?



Rui Bandeira expõe o tema e responde perante a Tertúlia do Bar do Além na reunião e almoço debate de 20 de Fevereiro...a partir das 12h.

Moderador: Luis Nandin de Carvalho
inscrições abertas, lotação limitada, contacto: bar-do.alem@gmail.com

Quem é Rui Bandeira?

Grande Oficial da Grande Loja Legal de Portugal-GLRP, desempenha as funções de Correio-Mor, e nessa qualidade susbcreveu a mensagem abaixo que se encontra no portal da Maçonaria Regular e Universal Portuguesa em www.gllp.pt

outras referências em:



I-Escrito por Rui Bandeira
A Mensagem de boas vindas

do Grande Correio Mor da
Grande Loja Legal de Portugal/GLRP
Bem-vindo ao sítio na Internet da Grande Loja Legal de Portugal/GLRP!
Este espaço foi criado e é mantido com o propósito de proporcionar a todos os interessados informação básica sobre a Maçonaria Regular, a GLLP/GLRP, os seus princípios, atividades e projetos. Procuramos mantê-lo constantemente atualizado, sendo nosso objetivo uma revisão e atualização de conteúdos com uma periodicidade que não exceda um mês.
Toda a obra humana deve ser entendida como provisória e sujeita a aperfeiçoamentos, a evolução, a melhoria. Este sítio está, portanto, em constante renovação. Renovação que não implicará necessariamente a retirada de conteúdos e sua substituição por outros, mas que passará pela adição de novos conteúdos.
Na primavera de 2009, procedemos à renovação do sítio, quer em termos de imagem, quer de organização de conteúdos. Paulatinamente, vamos continuar a introduzir novos conteúdos.
Neste campo, a prioridade vai ser dada, naturalmente, à informação institucional: contactos atualizados, informação sobre as Lojas da Obediência e as demais Obediências Maçónicas Regulares com quem a GLLP/GLRP mantém relações de amizade e mútuo reconhecimento, calendário de eventos, etc..
Mas também haverá lugar à apresentação de trabalhos de obreiros desta Grande Loja. A elaboração de trabalhos, estudos, monografias, sobre os mais diversos assuntos e temas é uma tarefa corrente e realizada com gosto pelos maçons. Muitos desses trabalhos ficam arquivados, após terem sido levados ao conhecimento, por vezes de apenas um punhado de obreiros de uma particular Loja. Alguns deles serão certamente de utilidade para o público em geral e o sítio da Grande Loja (como os sítios das Lojas que também marcam presença no espaço virtual) é o local apropriado para os disponibilizar.
Enfim, a divulgação das iniciativas das Lojas e dos maçons tem também, claramente, lugar neste espaço.Como em tudo na vida, quando algo de novo se apresenta no horizonte, experimenta-se tímida e cuidadosamente. Só depois se ganha confiança para explorar e aproveitar as potencialidades do que de novo se nos apresenta. Assim ocorreu nos primeiros contactos da Maçonaria, instituição centenária e que preza a Tradição estabelecida pelos que nos antecederam, com o fantástico potencial das Novas Tecnologias. O tempo da timidez está passado. Confiantemente, este espaço será o repositório do essencial da informação relativa à GLLP/GLRP.
Porém, tal como Roma e Pavia não se fizeram num dia, os propósitos acima enunciados não se concretizam num piscar de olhos, de um dia para o outro. Ficam enunciados propósitos e caminho. Pede-se aos visitantes deste espaço a benevolência de acreditar que a viagem está em marcha, aceitar que os resultados se vejam mês a mês e ir espreitando periodicamente o que aqui vos deixamos.
Muito obrigado por aqui ter vindo. Volte sempre!
Rui Bandeira

Grande Correio Mor
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II- Escrito por Rui Bandeira
A Grande Loja Legal de Portugal/GLRP é a única organização maçónica portuguesa internacionalmente reconhecida como Regular. A Maçonaria Regular foi institucionalizada a partir de 1717. Nessa data, quatro Lojas maçónicas de Londres constituíram a Premier Grand Lodge.
A Maçonaria Regular rege-se por 12 Princípios, ou Landmarks Regulares, também conhecidos pelos 12 Pontos da Regularidade, que poderão ser consultados no espaço As 12 regras.Entre essas Regras da Regularidade avultam as de que apenas podem ser admitidos como maçons regulares homens livres e de bons costumes, crentes no Criador (mas cabendo à livre e íntima consciência de cada um a conceção individual do mesmo, a religião que professa e a forma como o faz) e a exclusão de qualquer controvérsia sobre Política ou Religião. Os trabalhos das Lojas Maçónicas Regulares são conduzidos à Glória do Grande Arquiteto do Universo (a denominação, abrangente a todas as crenças e religiões que os maçons utilizam para se referir ao Criador) e na presença das 3 grandes Luzes da Maçonaria: o Livro Sagrado (ou Livros Sagrados, se em assembleia houver elementos que, professando diferentes religiões, tenham diversos Livros Sagrados), o Esquadro e o Compasso.
A observância estrita destes princípios distingue a Maçonaria Regular de outras formas de entender e praticar o fenómeno, designadamente da Maçonaria dita Irregular ou Liberal, originada em diferente conceção, nascida em França. São diferentes a identidade e alguns princípios seguidos por estas duas formas de praticar e entender a Maçonaria.
Em contraposição a esta mencionada distinção de princípios, é comum a toda a boa prática da Maçonaria, seja Regular, seja Irregular ou Liberal, a existência de um específico método de aperfeiçoamento pessoal e moral (e, para a Maçonaria Regular, também espiritual), baseado no estudo do Simbolismo e na análise, compreensão, aplicação e relacionação do significado obtido dos símbolos estudados, na aquisição e consolidação de conhecimentos através de sucessivos patamares e na interiorização das lições recebidas através da sua absorção global, pela Razão e Emoção. Essenciais ao espírito e prática maçónicos são a contribuição do conhecimento e esforço individuais para o grupo em que o indivíduo se insere - a Loja -, correspondentemente retribuídos pelo papel do grupo no aperfeiçoamento individual.
Instituição buscadora da excelência, da Sabedoria, da Força e da Beleza, funcionando segundo os princípios da Liberdade, Igualdade e Fraternidade, a Maçonaria desde há séculos que transforma homens bons em homens melhores e, por essa via, contribui para a melhoria das sociedades em que se insere.

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Sunday, January 24, 2010

Cenários e Previsões para o ano de 2010 de Fernando Albuquerque, na Tertúlia do Bar do Além




Reuniu no Bar do Além do AlenquerCamping pela primeira vez em 2010, a 23 de Janeiro a respectiva Tertúlia em que foi orador o astrólogo Fernando Albuquerque como previamente anunciado, aos membros da Tertúlia e também publicamente neste Blog.




Cerca de 50 participantes seguiram com interesse e colocaram depois inúmeras perguntas no debate da fundamentada exposição do orador, cujos slides se encontram acima. Clicando na inagem podera ver os slides em maior tamanho e até isolar cada um deles, para melhor visionamento individualizado.

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Slide 1
Devido às peculiares características dos tempos em que vivemos, parece-me interessante iniciar as previsões para 2010, num enquadramento que nos reporta ainda ao ano de 1999, ou mais especificamente a 11 de Agosto, dia em que como estarão lembrados ocorreu um Eclipse Solar no Grau 18º do Signo de Leão – e do qual derivou a Grande Cruz Fixa Cósmica.


Esse evento também é, referenciado nas Centúrias de Nostradamus, e como já tive oportunidade de o dizer em nalgumas Conferências públicas, é uma data claramente apontada como de Transcendente Importância, pelo Anjo de Portugal no ano de 1916, Anjo e ano, que antecederam as Aparições Marianas, que culminaram como é sabido, com o Milagre do Sol em 13 de Outubro de 1917.


Esse Milagre do Sol, é um devir… pois que o que aconteceu naquele dia, foi apenas um anuncio que aponta para uma outra data, que coincide com a das Profecias Maias; mas por ter ocorrido sob os auspícios da Senhora de Fátima – é sem duvida Ela, que nos transmite essa Mensagem, que em si, constituirá um 4º Segredo… de Fátima.


As matrizes base, são constituídas por 4 e não por 3 elementos. 4, como o são as 4 divisões do nosso coração – 4, como o são os pontos Solstíciais e Equinociais – ora o Anjo anunciou-se num ponto Equinocial e a Senhora apontou para um ponto Solstícial (como o é o de 21 de Dezembro de 2012) e que está efectivamente relacionado com o Milagre do Sol.


Mesmo sem ainda entrar em questões astrológicas, poderíamos olhar para a data de 13 de Outubro de 1917, sob a perspectiva dos Arcanos do Taro:
Dessa data obteríamos a “Roda da Morte” e a “Estrela que Roda”, mas também o “Imperador Mágico” e a “Mágica Justiça”. Há sempre um duplo sentido nas coisas, apesar da nossa atenção se focalizar habitualmente numa só.


13 – 10 – 10 – 17 = (Morte + Roda) e (Roda + Estrela)
Ou
4 – 1 – 1 – 8 = (Imperador + Mago) e (Mago + Justiça)


A primeira decomposição leva-nos “às voltas que a Morte dá” mas, também às “voltas que com a Estrela ocorrem”.


Na sua base, o ano de 1917 é o mesmo que: 19 + 17 e por isso fala-nos do Sol da Estrela ou da Estrela do Sol – essa Estrela numa outra perspectiva é na verdade um Planeta – o Planeta Vénus mas, que na Tradição Portuguesa é designada pela Estrela da Manha – ou Estrela dos Pastores, o que até por aí se liga aos “Pastorinhos de Fátima”.


Essa Estrela ou Carta 17 – contem em si o número do Biorritmo de Portugal. Será coincidência tudo isto? Poderia ser, mas o facto é que entre 11 de Agosto de 1999 e 21 de Dezembro de 2012, ocorrem exactamente 17 Conjunções entre o SOL e a referida ESTRELA SLIDE 2, sendo que em verdade desenham nos céus, essas mesmo Conjunções, um perfeito PENTAGRAMA – figura geométrica que nas palavras do Mestre Lima de Freitas (in, 515 o Lugar do Espelho), é um representativo ou uma expressão “DO ESPIRITO SANTO”.


Dum ponto de vista geométrico e simbólico, esse Pentagrama é a evolução natural do Quadrado – então isso significa, que a Grande Cruz Cósmica ocorrida em 1999 evolui para o Grande Pentagrama Cósmico de 2012, o que em si constitui uma das Mensagens de Fátima e por outro lado anuncia um TEMPO ou MOMENTO de REDENÇÃO do HOMEM. Gostaria de explicar rapidamente porque:


A Senhora de Fátima disse aos Pastorinhos, “não rezem a mim, mas à Senhora do Rosário”. Isso é muito curioso, porque entre 13 de Maio de 1917, data da primeira Aparição e 13 de Outubro data do Milagre do Sol, ocorrerem exactamente 153 dias.


153 é o número das Peças dum Rosário, inicialmente constituído por 150 (número do Salmos), mas, ao qual foram apostas mais três Ave-marias em honra do Deus Trino. Esses 153 são também o número dos peixes pescados por Simão Pedro, um dos Apóstolos e o primeiro Papa da Igreja, que segundo a Tradição é Crucificado em 13 de Outubro do ano de 64, a seu pedido numa Cruz Invertida, por não se sentir digno de morrer de igual forma, à do seu Mestre.


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É interessante notar que esse 13 de Outubro, data da Crucificação de Simão Pedro vem a ser uma efeméride do Milagre do Sol ocorrido em Fátima e não deixa de ser também uma outra efeméride ligada à História dos Templários, pois que é em 13 de Outubro de 1307 que é iniciada a prisão desses Cavaleiros por toda a França e também de notar que é a 13 de Maio de 1310 que são queimados os primeiros Templários, data que fará a Efeméride dos 700 anos no próximo dia 13 de Maio e em que o Papa Bento XVI se encontrará em Fátima.


Falaremos do Papa mais tarde mas, para já note-se que por redução teosófica ou também designado por número secreto, 153 é o mesmo que 17 – o que nos liga por um lado ao Biorritmo de Portugal e por outro à sequência de encontros ou Conjunções entre Sol e Vénus – Vénus ou Estrela dos Pastores – encontros que ocorrem entre 1999 e 2012.


Numa outra perspectiva, designemo-la por Cabalista, o número 17 corresponde à Letra Hebraica Pé e esta é representada por uma BOCA, por sua vez traduzida por REVELAÇÃO. O seu número é 5 (o que se liga inequivocamente ao Pentagrama) e o seu Planeta é Vénus ou aquele que com o Sol, desenha os 17 Encontros, para expressar a Manifestação Cósmica do Espírito Santo e o que significa num outro simbolismo, a Redenção do Homem.


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SLIDE 3 Um Terço é em sentido literal 1/3 do Rosário. Num Terço vemos o Homem Caído ou um Pentagrama Invertido. Rezando o Terço – o que pediu a Senhora de Fátima, rodamo-lo e ao rodar invertemo-lo e nesse Pentagrama rodado, já podemos ver o Homem Redimido e a posição efectiva dos 17 Encontros entre Sol e da Estrela dos Pastores que se realiza por três sequências ou 3 Terços.


Voltando ainda à data de 11 de Agosto de 1999 – a data do Eclipse Total, veremos que ele sob a perspectiva do Taro anunciou destruição, porque é representado pela TORRE e também MORTE.


11.8.1999 = 2 + 8 + 10 + 18 = 38 – 22 = 16 Torre
Mas também Morte, porque
11 + 8 + 20 + 18 = 57 – 22 = 35 – 22 = 13 Morte


Efectivamente o mundo toma a consciência da mudança com a “destruição pela (TORRE) ou Torres Gémeas em Nova York” em 11.09.2001. Mas, esta data também nos leva à RODA o que significa efectivamente MUDANÇA. E ainda a 19 ou SOL.


11.09.2001 = 2 + 9 + 20 + 1 = 32 – 22 = 10 a Roda
11 + 9 + 20 + 1 = 41 – 22 = 19 SOL


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De alguma forma então estas duas datas, encerram também em si, uma mensagem:


A primeira, a do Eclipse, fala-nos da Torre e da Morte => o mesmo que destruição e morte.
A segunda, a das Torres Gémeas (e serem gémeas, também encerra um significado de duplicidade), que no fundo é o 1º acontecimento após o Eclipse, aquele que marca o inicio da consciência da mudança – que como redução a 1 – fala-nos do Mago como 10 da Roda ou da mudança e como 19 do Sol.


É então o mágico rodar do Sol. SLIDE 4 Ora o mágico rodar do Sol foi o que aconteceu em 13 de Maio em Fátima num sentido temporal local, e toda essa significação encontra o seu paralelismo na data de 11 de Setembro de 2001 – que fala da mudança do Sol – aqui poderá ser visto como inicio do processo que reporta para a destruição necessária que vimos na TORRE E MORTE anunciada pelo Eclipse – mas que se projecta para um outro “RODAR MÁGICO DO SOL” e esse sim, prende-se ao verdadeiro MILAGRE e anuncia uma MUDANÇA DE TEMPOS OU DE ERA – pondo fim à sequência destruidora que caracteriza o FINAL DA IDADE DAS TREVAS para que se dê o efectivo INICIO DA IDADE DO AQUÁRIO – DA KRITY YUGA – DA IDADE DO SOL ou DO ESPIRITO SANTO.


Na prática é como estejam a ocorrer dois tempo-acções em simultâneo, paralelo ou gemenidade – que por síntese levam ao SOL – tal como os gémeos da Carta XIX do Tarot.


No dia 11 de Setembro de 2001, ocorria nos céus uma Oposição Plutão – Saturno e por curioso que pareça esse seria o 1º dos Aspectos astrológicos de grande significado, dos SETE que ocorreriam entre a anterior data do Eclipse Solar de 1999 e o posterior Solstício de Inverno de 2012, data esta apontada pela Profecias Maias – como a de Finais de Tempo, que a meu ver deverá ser lida como Final dum Tempo ou Ciclo, e início de outro.


Quando falo em 7 estou a referir-me aos 7 ASPECTOS PRINCIPAIS, pois que naturalmente desses derivam ASPECTOS CONSEQUÊNCIA.


Desses 7 grandes eventos cósmicos – temos 3 OPOSIÇÕES e 4 INGRESSOS PLANETÁRIOS.


Saturno – Plutão = > Que correspondente a Nova York e às suas derivadas que se reflectiram no Afeganistão e Iraque
Saturno – Neptuno => (2006) Intensificação das tensões Israelo-Árabes e a questão nuclear do Irão
Saturno – Úrano => a actual fase que hoje transitamos iniciada em Novembro de 2008 e que se prolongará até Julho deste ano de 2010.


SLIDE 5 A tonalidade destas três Oposições poderia ser vista em analogia com a Simbólica Maçónica como os três golpes de Hiram Abiff, o Construtor do Templo de Salomão – Templo cujas ruínas albergou os Templários em Jerusalém. Será por isso que a Bíblia em Apocalipse nos fala da construção dum novo Templo e duma nova Jerusalém… é uma questão para se meditar.


Olhemos por ora a ambiência dos 4 Ingressos Planetários.
A primeira delas foi a de Úrano Ingressando no Signo de Peixes no dia 11 de Março de 2003
- Sucedeu-lhe no dia 16 a Cimeira dos Açores, e
- No dia 20 a Invasão do Iraque – logo, nove dias após o referido Ingresso.
(nota: há uma analogia astrológica desta data, com a da Batalha de S. Mamede – 24/06/1128 – por existirem configurações semelhantes)


Não se pode deixar de levar em consideração que quando Úrano Ingressou em Peixes, imediatamente se estabeleceu o que se designa tecnicamente de uma Mútua Recepção Planetária, Recepção essa com Neptuno, uma vez que este encontrava-se no Signo de Regência de Úrano, quando este ultimo entrou no seu Signo ou Casa de Neptuno. Na prática esse facto fala-nos dum intercâmbio entre Neptuno e Úrano – curiosamente os Regentes de Portugal e o Regente da Nova Era, respectivamente.


Na verdade – Portugal – através da Cimeira dos Açores, integrou a questão do que viria a ser a Guerra do Iraque – guerra, que chegou aos dias de hoje.


Numa outra perspectiva… a Mútua Recepção, também nos indica aqui um certo equilíbrio entre duas forças…


Neptuno é sem dúvida nesta vertente um representante do mundo árabe – ele é dono da 12ª Casa Natural ou Peixes – o que tem a ver com Água, daí por ventura a luz verde ter nascido numa Ilha (aquela que cercada por água) e se argumentasse a procura das “Armas Químicas” que não deixam de ser uma representação dos líquidos ou da Água. A questão da 12ª Casa prende-se naturalmente com o 12ª Iman Mahdi – o OCULTO ou ENCOBERTO da tradição Islâmica. Mas, também é verdade que estamos por ERA a sair da 12ª CASA ou PEIXES – anunciando-se a aurora da ERA DE AQUÁRIO. Essa aurora, não é a Estrela dos Pastores que a anuncia? Ela que também é conhecida pela Estrela da Manhã.


Estará aqui oculto o mistério do ENCOBERTO português? Aquele que chegará numa manhã de nevoeiro?


Uma coisa é certa… este ano de 2010, inicia-se o terceiro dos 4 Ingressos – já falarei do segundo, é só para não se perder a ideia.


Então em 2010 o mesmo Úrano que desencadeou com a sua entrada em Peixes, a procura das armas químicas, mas sob uma mútua recepção ou equilíbrio, ingressará este ano de 2010 no Signo de Carneiro desencadeando por certo a “procura das armas do Fogo ou das armas nucleares”, desviando o alvo do Iraque para o Irão. Mas, agora esse equilíbrio da Mutua Recepção já não existe o que pode radicalizar as forças gerando por ventura uma grande tensão entre o Ocidente e o Mundo Árabe.


Antes de continuar vou então referir-me ao 2º Ingresso. Esse foi o de Plutão no Signo de Capricórnio. Reporta-se a finais de 2009 e o MUNDO DISSE… QUE A ECONOMIA MUNDIAL entrou em colapso, não podendo mais ser o que foi.


Então num quadro dessa natureza, anunciado por Plutão (crise generalizada) e numa alteração de fundo da Mutua Recepção que se desfaz – enfrentaremos um 2010 que antes de mais por 20 + 10 nos fala do JULGAMENTO DA MUDANÇA.


SLIDE 6 Há duas Cartas astrológicas que chamam atenção neste ano de 2010. A primeira é naturalmente a do Solstício de Inverno do passado dia 21 de Dezembro 2009 – essa Carta dá-nos em certa medida uma panorâmica global. Curiosamente e caso único entre 1999 e 2012, a Lunação de Agosto de 2010 ocorre sobre o Grau do Eclipse de 11 de Agosto de 1999, onde tudo começou. Isso significa, entre outras coisas que 2010 é um ano chave para a compreensão no biénio que antecede o 2012, altura em que todos estes ciclos se fecharão.


E para que se perceba a força das Mútuas Recepções, diga-se desde já que nessa época Plutão e Saturno estarão em Mútua Recepção, por Plutão em estar em Capricórnio e Saturno em Escorpião. Ou seja, cada deles, entra na casa do outro… é a pacificação entre aqueles que se opuseram em 11 de Setembro de 2001 – para que o mundo visse a queda das Torres, anunciada pela TORRE o que simboliza o Eclipse da CRUZ FIXA. Até nesse sentido, o que foi iniciado… estará consumado.

Possivelmente o futuro dessa situação evoluirá entre Maio de 2010 e Março de 2011 quando após os Retrógrados, Úrano entrar definitivamente em Carneiro – Signo de Fogo e militar por excelência, para posteriormente evoluir para uma Quadratura a Plutão. Nesta perspectiva o cenário prognosticável é claramente mais bélico do que pacifista.


Concomitantemente existem fortes Aspectos de tensão já iniciados, mas que se tornarão mais activos com esse Ingresso:
Sat Opp Ura entre 27 Apr 2010 e 26 Jul 2010
Sat Sqr Plu entre 31 Jan 2010 e 21 Aug 2010


Tecnicamente desenha-se assim uma chamada Quadratura em T, cujo ponto focal é Plutão – a quem se atribuiu com o Ingresso em Capricórnio a crise económica mundial. Assim sendo é muito pouco crível que a referida crise – tenha chegado ao fundo – como se costuma dizer… mais parece que ela apenas se anunciou e se instalará de forma mais dramática na segunda metade de 2010.


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Há razões para na primeira parte do ano se acreditar no contrário, essas razões prendem-se com o Mapa do Solstício no passado dia 21 de Dezembro de 2009. Entre outros aspectos relevantes, Júpiter e Neptuno estavam em Conjunção. Isso reflecte uma certa onda de esperança e optimismo, mas que eu diria nada ter de material. Será certamente lida pelos mais materialistas por uma fase de aparente recuperação que nesse sentido, apenas será uma onda apaziguadora do cenário anterior – mas é como um balão que posteriormente rebenta, porque como atrás disse – a sua essência é espiritual e não material.


Generalizando então as minhas previsões para 2010, diria:


Um primeiro Semestre onde surgirão soluções mais ou menos utópicas para a crise, e onde se pode manifestar um certo optimismo de mercados
Posteriormente um agravamento acentuado da mesma
Tendência para atentados e acentuado aumento de criminalidade generalizada
Tendência para manifestações públicas mais extremadas
Tendência para a emersão de notícias explosivas
Alto índice de acidentes tecnológicos (comunicações, transporte e nuclear), bem como acidentes de índole natural
Instabilidade climática acentuada
Instabilidade social

SLIDE 7
A Lunação de 10 de Agosto recai sobre o grau 18 de Signo de Leão – o que mais uma vez reporta para o Eclipse de Agosto de 1999 – onde tudo começou. Plutão como regente de FC é o Ponto Focal da Quadratura em T – sendo que esta configuração ocorre com o Ingresso Retrógrado de Úrano em Carneiro e em Oposição a Marte. Um Plutão como Ponto Focal de uma Quadratura em T – sugere tornar-se muito problemática para o mundo. Este mapa foi deliberadamente rodado para que o Ascendente coincidisse com o Grau da Lunação, o que permitiu verificar que em termos de coordenadas geográficas coincide com a Faixa de Gaza.


E interessante ainda verificar, que esse Grau 18, da Lunação de Agosto, é o mesmo que no passado Solstício de Inverno em 2009, Mapa base de previsões para o ano, tinha nessa mesmo posição zodiacal MARTE RETRÓGRADO – Marte que retomará o sentido directo no próximo dia 11 de Março e passará ao Grau 18 de Leão de 13 para 14 de Maio de 2010.


É um Marte muito intrigante, porque na verdade no próximo 12 de Maio é iniciada uma Quadratura de Úrano no Mapa Natal de Bento XVI e esse Aspecto está ligado a acidentes, atentados, e operações cirúrgicas que no contexto da Carta astrológica de Ratzinger poderá supor o inicio dum processo terminal de vida. Essa Quadratura prevalece até Março de 2011.

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Em conclusão:
2010 afigura-se como um ano charneira no sentido que levará a perceber pelo desfazer da Mutua Recepção Úrano – Neptuno e o primeiro contacto de Úrano com Carneiro, se a tendência emerge ou não para características bélicas, motivadas agora pelo factor nuclear.
O aumento das tensões Israelo-Árabes parece ser um dado adquirido.
O efeito geral da “crise económica” poderá acentuar-se na 2ª metade do ano.
A vinda de Bento XVI a Portugal, coincidente com o início de uma fase pessoal de muito alto risco, mas que no contexto geral ganha sentido se quisermos levar em linha de conta as Profecias de S. Malaquias.
Há efectivamente um clima geral de instabilidade que se repercute aos mais diversos níveis. Em contrapartida manifesta-se também uma “emergência de significado”. Quero com isto dizer que as pessoas estarão mais propensas a encontrar a sua própria verdade, e tudo se tornará um tanto extremado quer no bom quer no mau sentido.