Friday, August 27, 2010

Recomeço das Tertúlias a 25 de Setembro, com Jose Manuel Freire sobre Misterios da Atlantida

Texto de apoio
Ecos da Atlântida
autor: Jose Manuel Freire


 
Fazemos, neste artigo, que integra um trabalho maior (podendo, pois, dar ao leitor a sensação de começar a meio e acabar abruptamente), uma digressão pelos ecos, universalmente disseminados, da existência e destruição da Atlântida.

Mergulhando no vasto universo da Filosofia e da Mitologia, somos conduzidos ao Pai da Academia, o grande Platão. O Filósofo, no “Timeu”, narra episódios da história da Atlântida recorrendo à personagem Crítias que, por sua vez, se apoia nos relatos transmitidos por um dos sacerdotes egípcios ao seu velho amigo Sólon, sendo este acusado por aquele, de não ter “[…] no espírito nenhuma opinião antiga fundada numa velha tradição […]”1.

Esclarece ainda que as avassaladoras destruições da Humanidade terão sido provocadas pelo fogo e pela água, confidenciando que a natureza de tais cataclismos, assim como “[…] tudo o que se fez de belo, grande ou notável […] encontra-se aqui [no Egipto] registado por escrito nos nossos templos desde tempos imemoriais, e assim se conservou”. 1

Na Antiguidade, o conhecimento oficial (não esotérico) pressupunha a existência de uma única grande ilha continental – o Mundo, denominado Aea –, rodeada pelo imenso Mar – o Oceano Atlântico. No entanto, não há dúvida de que um número restrito de indivíduos não preconizava tal ensinamento, visto que “[…] nessa época podia-se atravessar o Oceano. Havia uma ilha diante do Estreito a que dais o nome de Colunas de Hércules [nome dado ao Estreito de Gibraltar]. Esta ilha era maior que a Líbia e a Ásia juntas 2 e a partir daí os viajantes podiam passar para as outras ilhas 3 e, a partir destas, alcançar todo o continente [as Américas] que se estende diante delas e bordeja este mar verdadeiro [o Oceano Atlântico]” 1.

É evidente que Platão integrava esse núcleo restrito de homens de sabedoria que detinham o conhecimento não só da existência do Continente Atlante – ou o que restou dele –, como do Continente oposto – o Continente Americano.

É com singular subtileza que o discípulo de Pitágoras compõe o “Timeu” demarcando três secções: o mito da Atlântida; a formação do Mundo e da Alma, ou a Cosmologia de Platão; e a formação do corpo do Homem. Como Iniciado, recorre invariavelmente à linguagem alegórica e simbólica para re-velar as Grandes Verdades que apenas se vislumbram nas águas trans-lúcidas da Ciência Esotérica. Na verdade, as matérias abordadas nas três secções são inexoravelmente inseparáveis.

Assim, tal como acontece no “Crítias”, jamais houve a intenção do autor se limitar a relatar meras odisseias dos seus antepassados mas, sim, a de se servir delas para ocultar as mais significativas inquietações que lhe iam na alma, concernentes ao Universo e à Humanidade em particular.

O Mito de Atlas
e as Sub-Raças Atlantes

“O mais velho, o rei, recebeu o nome que serviu para designar toda a ilha e o mar chamado Atlântico, porque o primeiro rei do país naquela época chamava-se Atlas […] a raça de Atlas tornou-se numerosa e conservou as honras do poder” 4.

A ilha referida por Platão não deverá ser literalmente entendida como o já mencionado último pedaço de terra firme – Poseidonis –, mas sim como o Dvipa, o Continente Atlante na sua maior expressão, apto a albergar a Humanidade da 4ª Raça-Raiz. A referência a Atlas, o Primeiro Rei, que morava numa montanha localizada no centro de uma imensa planície, é uma alusão à Montanha dos Deuses – expressão Helénica –, ambos configurando símbolos da Humanidade Atlante, assim como as suas sete filhas, as Atlântides, ou as Plêiades, denominadas Krittikâs em sânscrito – as 7 irmãs, tantas vezes citadas em abordagens astronómicas – simbolizam as sete Sub-Raças atlantes.

O mito narra que as Sete Filhas de Atlas se envolveram em relações amorosas com os deuses, tornando-se as antecessoras da humanidade actual. Atingindo a imortalidade entre os homens, foram coroadas nos céus e denominadas Plêiades. Filhas de Atlas e Plêione, receberam os nomes de Maia, Electra, Taígeta, Astérope, Mérope, Alcíone e Celeno. De todas, Mérope terá sido a única que desposou um ser mortal, atribuindo-se a essa circunstância o facto de a estrela em que ela se “materializou” comportar um brilho menos intenso do que todas as outras.

Na mitologia Herculiana, Atlas, que personifica uma Montanha e um Rei Atlante, tem três Filhas – as Hespérides – conhecidas pelas Filhas do Poente: a Negra, a Vermelha e a Branca, que representam simbolicamente as três fundamentais colorações de pele. Note-se que estas três cores correspondem também às cores características das rochas vulcânicas das ilhas atlânticas, razão pela qual alguns estudiosos especulam sobre a possibilidade de Platão conhecer esse facto.
 
É interessante que após o Dilúvio, segundo se narra no “Livro de Enoch”, “[…] o boi branco, que se tinha tornado homem, saiu da arca e com ele três touros. E um dos três touros era branco, e semelhante a esse boi; um outro era vermelho como sangue; e o terceiro era negro. O touro branco afastou-se dos outros”.5 Mais adiante, acrescenta-se que o filho nascido sobreviverá ao cataclismo juntamente com os seus três filhos; “[…] Quando todo o género humano for destruído, apenas ele será salvo” 6. Trata-se, de facto, da transição da 4ª para a 5ª Raça-Raiz – da Humanidade Atlante para a vigente Raça-Raiz.

Referências Universais

Afigura-se oportuno evidenciar o facto das cosmogonias da antiguidade, nomeadamente das civilizações Egípcia, Persa, Caldaica e Hindu, adoptarem o Touro como símbolo sagrado, representante da geração física.

Na verdade, esta tríade de cores corresponde às três cores da Grande Obra Alquímica, bem como às três fases da procura da Pedra Filosofal Alquímica. Lembremo-nos da luta travada entre Hércules e o Gigante Anteu, de forma a que o Herói pudesse alcançar o Jardim das Hespérides guardado por três filhas de Atlas, a fim de colher as preciosas Maçãs de Ouro. Estas Maçãs, à semelhança da tentadora Maçã do Livro do Génesis da Tradição Judaica, simbolizam o Princípio Manásico ou a Ciência – o Conhecimento e/ou discernimento do Bem e do Mal –, que implica o conflito. Por seu turno, o Ouro constitui o metal iniciático. Assim, tem-se o Conhecimento Iniciático – o Graal – simbolizado pela Maçã de Ouro.

Na mitologia grega narra-se a luta travada entre Zeus – “o Deus supremo do Panteão helénico, que reunia em si todos os atributos divinos e tinha como função primordial manter a ordem e a harmonia do mundo” 7 – e os gigantes, com a participação de Atlas, tendo este sido severamente punido e passando a acarretar o fardo de suportar nos ombros a abóbada celeste.

Por seu turno, Zeus, saindo vitorioso do combate travado, graças ao auxílio de Posídon, reparte a herança paterna ficando com o céu. A Hades entregou as trevas inferiores, cabendo a Posídon o imenso mar.

Na linguagem alegórica utilizada, “céu” significa o que está suspenso, ou seja, os princípios superiores e, como tal, mais espiritualizantes. Por sua vez, as trevas inferiores correspondem às formas mais materializadas da substância, os corpos perecíveis – note-se que na cultura helénica, Hades correspondia ao termo sânscrito Kâma-Loka, que significa a região do desejo e que equivale ao purgatório da teologia cristã e ao Amenti, tantas vezes citado no “Livro dos Mortos do Antigo Egipto”. Quanto ao imenso mar, embora na sua interpretação literal se equipare ao grande Oceano Atlântico, refere-se, no seu sentido esotérico, às águas kâmicas, isto é, ao princípio kâmico dos desejos e paixões que a humanidade terá de dominar na sua senda evolutiva, sendo essa missão simbolizada pelo sacrifício, incumbido a Atlas, de suportar o fardo da abóbada celeste.

Também na épica “Odisseia” de Homero se fala de uma ilha, misteriosa, situada em pleno mar, reinada por Atlas. Este notável autor da Tradição Heróica, reúne, nas suas obras, preciosas jóias da Antiguidade, nomeadamente no que respeita a importante informação astronómica e implicados conhecimentos civilizacionais que remontam a cerca de um milénio antes de Cristo, relatando as aventuras de Ulisses no contexto dos poderosos confrontos traçados contra a divindade atlante Poseidon.

Sabe-se, ainda, que as mais remotas memórias concernentes às tradições da América Central, que chegaram à actualidade, contam que os seus desalojados antepassados eram provenientes de uma fabulosa ilha chamada Aztlan – Continente Insular –, localizada a Oriente, no grande Oceano, tendo acabado por submergir na sequência de várias catástrofes.

Na recente publicação de “Ecos Portugueses da Atlântida”, inserida em “Cadernos da Tradição”, refere-se que “o heróico Montezuma [ou Motecuzoma] protestava que os seus avós não eram naturais do país, e que tinham vindo de um rico país situado no Oriente. Este país chamava-se ´Aztlan´, e o seu nome, em todas as inscrições, era encimado pelo sinal hieroglífico que significava água” 8. Estes relatos encontram-se nas chamadas “Cartas do México”, da autoria de Hernando Cortez, dirigidas ao rei espanhol, em 1519.

Na mesma obra, faz-se referência a dois importantes manuscritos: o Códice Troano, que se supõe ter sido escrito há mais de três mil anos, na região peninsular do Iucatão; e o Códice Cortesiano, elaborado com recurso a hieróglifos. Ambos apresentam relatos que aludem ao cataclismo que terá destruído Poseidonis.
 
A obra acima mencionada contém a seguinte transcrição relativa ao Códice Troano, publicada em 1930 na “A Arquitectura Portuguesa” de A. R. Silva Júnior: “No ano 6 do ´Kan A II´, Muluc, no mês de ´Zac´, terríveis tremores de terra se produziram e continuaram, sem interrupção, até 13 ´Chuen´. […]. A região das colinas de argila, o país de ´Um´ foi sacrificado. […]. Depois de ter sido sacudido por duas vezes, desapareceu subitamente durante a noite; o solo foi continuamente levantado por forças vulcânicas que o fizeram elevar e abaixar, em muitos pontos, até que cedeu; as regiões foram então separadas umas das outras, depois dispersas, não tendo podido resistir a tão terríveis convulsões, afundaram-se arrastando consigo 64 milhões de habitantes. Isto passou-se 8064 anos antes da composição deste livro” 8. O acontecimento então ocorrido remonta a cerca de 11.000 anos, em consonância com a Tradição Oculta.

O mesmo autor refere a existência de uma inscrição caldaica no antigo Templo budista da cidade de Lassa, no Tibete, onde se narra a destruição de Poseidonis do seguinte modo: “Quando a estrela Bal caiu no lugar onde só agora há mar e céu, as Sete Cidades, com as suas Portas de Ouro e Templos Transparentes, tremeram e estremeceram como folhas de árvores movidas por vendaval e, então, uma língua de fogo e de fumo se elevou dos palácios; os gritos de agonia da multidão enchiam os ares. […]. Buscavam refúgio nos seus templos e cidadelas e então o sábio Mu, o sacerdote de Ra-Um, apresentou-se-lhes e disse: ´Não previ eu tudo isto?´ E os homens e mulheres cobertos de pedras preciosas e de luzidios vestuários chamaram dizendo: ´Mu salva-nos!´ e Mu replicou: ´Morrereis com vossos escravos e vossas riquezas e de vossas cinzas surgirão novas nações: Se elas se esquecerem de que devem ser superiores não pelo que adquiriram mas pelo que dêem, a mesma sorte as esperará´. As chamas e o fumo abafaram as palavras de Mu e a terra fez-se em pedaços e submergiu-se com os seus habitantes, nas profundezas do mar” 8.

Os Astecas e os Caribes afirmavam que em Aztlan havia uma montanha sagrada de onde partiram sete tribos alertadas pelos sucessivos abalos sísmicos face aos perigos que se avizinhavam. Os Maias da Guatemala – a tribo Quiché – preservaram igualmente memórias de uma tremenda fuga proveniente da terra natal dos seus antepassados ancestrais, aludindo o seu mito da Criação a uma gruta sétupla. Ora, tal história narrada em 1519 aos primeiros colonos espanhóis encabeçados por Cortez, corresponde seguramente à interpretação literal – da forma desprovida do conteúdo essencial – de ensinamentos mais profundos, outrora divulgados por Iniciados que aludiam a esses grupos de antepassados, simbolizando as 7 Sub-Raças atlantes.

Não será concerteza mera coincidência o facto das antigas tradições Celtas, sustentadas em terras do Norte da Europa, e portanto, separadas dos Astecas e Caribes pela supostamente intransponível barreira oceânica, se reportarem igualmente a essa ilha e aos três principais cataclismos ocorridos.

Enquanto “[…] conservavam a sua natureza divina, viram crescer todos os bens […] mas, quando a porção divina que estava neles se alterou pela sua frequente mistura com um elemento mortal considerável, e o carácter humano predominou, incapazes desde então de suportarem a prosperidade, comportaram-se indecentemente […] contaminados por injustas cobiças e pelo orgulho de dominar. […] Zeus, que reina segundo as leis e que pode discernir estas espécies de coisas, resolveu castigá-los para torná-los mais moderados e mais sábios […]” 9.

Platão relata-nos que os Atlantes eram inicialmente uma Nação próspera até que a corrupção corroeu os alicerces da medida justa – o métron helénico –, conduzindo-os à desobediência das Leis fundamentais, acabando toda a Raça por sofrer avultadas consequências, pelo egocentrismo que adoptou.

A Lei Kármica ou da Causação (a Nêmesis grega, ou seja, a divindade amada por Zeus, que pune todo o criminoso que tende a comprometer o equilíbrio do Universo), sendo Universal, é inerente ao Uno, manifestando-se de forma intransgredível em todas as expressões de vida, no sentido de repor ou restaurar o equilíbrio quando este é perturbado temporariamente. Esta acção reguladora de efeitos, não é mais do que o númeno da Harmonia Universal que tudo contém e que a todos vela, contrariamente ao primarismo de se considerar um juízo voluntarioso, emocional e moralista de uma certa natureza pessoalizada, que penaliza e compensa. É o próprio actor que, cooperando ou transgredindo as Leis da Natureza, irá respectivamente rejubilar-se ou punir-se a si mesmo.

Após a consagração da divisão em sexos ocorrida no período evolucionário da Raça precedente (a Lemuriana), os Atlantes surgem como o Homem que, embora semidivino – na medida em que só a meio da sua evolução, 4ª Sub-Raça, é que se começa a desenhar o arco ascendente –, reúne as condições propícias à realização das concepções e nascimentos equiparados à do Homem actual. São eles os filhos de Adão e Eva, sobre os quais se edificaram os símbolos de Caim e Abel, respectivamente a Humanidade Masculina e Feminina, representativa da 4ª Raça-Raiz, inexoravelmente condenada ao aniquilamento, soando na “[…] voz do espírito de Abel que foi morto por seu irmão Caim e que o acusará até que sua raça seja exterminada da face da Terra, até que esta raça seja apagada do meio dos homens” 10.

A mítica Atlântida (palavra que em grego significa filha de Atlas) foi o palco – Dvipa – que acolheu o primeiro Homem denso completo – a 4ª Raça-Raiz –, tendo a vida desse Continente durado um período de alguns milhões de anos.

O Continente e as Idades

Cada Raça-Raiz corresponde a um ciclo encarnativo da Humanidade, provida de um renovado invólucro apto a expressar novas potencialidades, após ressurgir da matriz do espaço; este desenvolvimento e rejuvenescimento encarnativo é acompanhado por um processo semelhante na própria formação da crosta terrestre, com toda a sucessão de convulsões geológicas inerentes a um novo nascimento.

No entanto, a transição entre dois Continentes, isto é, o período de declínio e aniquilamento de um Continente e o nascimento e consolidação do Continente procedente, corresponde a um longo processo de continuidade e sobreposição de acontecimentos. Desta forma, algumas porções significativas de terra firme da Lemúria tiveram a sua continuidade no Continente Atlante. Enquanto a Lemúria se deformava e desmoronava sob as águas, outras terras se elevavam, tais como os desertos do Saara e de Gobi, tendo sido este último um mar interior da Ásia Central.

Presentemente, embora os estudos e sondagens efectuadas no fundo do Atlântico ainda sejam bastante introdutórios, é um facto que a morfologia identificada diagnostica sinais evidentes do desabamento e afundamento de um enorme Continente, do qual apenas se mantêm emersas as conhecidas ilhas que formam o arquipélago dos Açores, também elas providas de montanhas que atingem cotas superiores a 2.000 metros de altitude, outrora os cumes mais elevados da imensa cadeia montanhosa da Atlântida. Conforme referido por C. Jinarajadasa, “Ao redor dos Açores, o fundo do mar não baixa de nível em declive suave, como é comum nas terras costeiras, mas submerge abruptamente” 11.

A crista central atlântica, que demarca a divisão entre placas tectónicas, encontra-se camuflada por espessas camadas de lama, lodo e resíduos de actividades vulcânicas tais como lavas e cinzas. As investigações que têm sido efectuadas, nomeadamente com a preciosa ajuda do submarino “Alvin” (apto a mergulhar a grandes profundidades), têm permitido analisar e estudar cuidadosamente um leque variado de amostras, tais como aglomerados de calcário provenientes de formações coralinas extraídas através de cirúrgicas perfurações e drenagens, evidenciando o facto da crista, em tempos, ter-se situado acima da superfície das águas.

Acresce que se desenvolveram estudos de registos de eventuais sistemas fluviais, com base em métodos de contornos pormenorizados em cartas hidrográficas, tendo-se constatado que determinados rios precipitavam as suas águas em enormes vales e bacias hidrográficas, hoje localizados a largas dezenas de quilómetros das linhas costeiras actuais.

Estudos desta natureza foram levados a cabo pelos investigadores O´Brien, que afirmaram e fundamentaram a existência de um continente açoriano (cuja área se aproximava à da Península Ibérica), outrora situado acima do nível das águas oceânicas, comportando cordilheiras montanhosas que poderiam atingir alturas próximas dos 4.000 metros.

Muitas têm sido as personalidades de diversos quadrantes que, ao longo dos tempos, se têm pronunciado favoravelmente quanto à verosimilhança da existência de um antigo continente Atlante. Tal é, por exemplo, o caso de M. Pierre Termier, então Director Científico da Carta Geológica de França, quando declarou que “ […] uma cadeia montanhosa foi submersa muito antes do colapso dos territórios vulcânicos dos quais os Açores são os últimos vestígios” conforme citação de Lewis Spence, em “A História da Atlântida”.

José Manuel Freire



Notas:

1 Platão – “Timeu”

2 No séc. IV a.c., a designação de Líbia abarcava todo o sector norte do continente africano, correspondendo a Ásia à actual Turquia.

3 As ilhas que se estendiam desde o Mar dos Sargaços até ao Mar das Caraíbas. A propósito, tudo indica que o Grande Banco e o Pequeno Banco das Bahamas constituíam duas ilhas de dimensões consideráveis, acabando por submergir grande parte dos seus territórios, com o final do último Período Glacial – o Wurm –, mantendo-se apenas acima da superfície das águas as actuais ilhas.

4 Platão – “Crítias”

5 “O Livro de Enoch”, Cap. LXXXVII, 12-13

6 “O Livro de Enoch”, Cap. CIV, 15

7 Guimarães, Ruth – “Dicionário da Mitologia Grega”

8 “Cadernos da Tradição”

9 Platão – “Crítias”

10 “O Livro de Enoch”, Cap. XXI, 7-8

11 Jinarajadasa, C. – “Fundamentos

Sunday, July 11, 2010

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Sunday, June 27, 2010

85 pessoas tomaram parte na celebração do Solstício de 2010 na Tertúlia do Bar do Além , do Alenquer Camping



Depois de um àgape ao ar livre, todos os participantes, testemunhas e celebrantes após o sol posto, celebraram ritualmente enquadrados pelos Mestres Celebrantes a Nascente, Norte, Sul e Poente, o Solstício do décimo ano do III Milénio. Em noite de lua cheia, foi constituido sucessivamente um círculo de fogo, e uma cadeia de união, que se transformou em roda-viva (Roda da Vida) que realizou três viagens simbólicas, à volta do Fogo de São João, para finalmente se transfigurar numa cadeia de solidariedade, felicidade e de energia positiva, de acordo com o ritual conduzido pelo Mestre de Cerimónias. A Música este ano incluiu a ode à alegria do Cirq du Soleil, como consta no texto do ritual publicado na mensagem anterior deste blog. Este evento teve lugar no Alenquer Camping que patrocina a Tertúlia do Bar do Além há dez anos. Ver link:
http://bardoalem.dosdin.pt/?page_id=7

 


Mestre Celebrante do Oriente -
- Porque assim é, antes de nos separarmos com ordem e harmonia, que ressoe uma ultima vez na noite, o nosso triplo sinal de alegria:


- Todos, e três vezes três!
Vivat, Vivat, semper Vivat
Todos :
Vivat, Vivat, semper Vivat
Todos
Vivat, Vivat, semper Vivat




Monday, June 21, 2010

Novo ritual para a celebração do Solsticio e Fogo de São João, do I decénio do III Milénio, a 26 de Junho


Ritual de Celebração do Solstício de Verão do décimo decénio
do III Milénio, dia 26 Junho, sábado

(na Tertúlia do Bar do Além, Alenquer. Local: Jardins e esplanada do Alenquer Camping)

Mestres celebrantes:

Norte- Tereza del Pilar
Sul- Ana Maria Sibila
Ocidente - Felício Correia
Mestre de Cerimónias- Nandin de Carvalho 

Música. A ode à Alegria do Cirq du Soleil, é a referência para este ano.
Notas e advertências:


1) O texto ritual recriado pelo Secretário da Tertúlia do Bar do Além, Luis Nandin de Carvalho, teve por base recolhas feitas na Internet, elementos de tradição oral de diversas origens, e na sua versão anterior de 2009, que se  acha publicada no blog da tertúlia em:


2) Este documento nada tem de secreto, nem tem a pretensão de constituir nenhum repositório de natureza histórica, nem de constituir nenhum procedimento para qualquer tipo de iniciação, ou de práticas de superstição visando a obtenção de resultados ocultos. Serve apenas o interesse de um conjunto de membros da Tertúlia do Bar do Além, em realizar um exercício prático de uma cerimónia "branca", mas simbólica, de celebração solsticial, dita de mid summer.


3) Os elementos constantes do ritual contêm factores de evocação de práticas ancestrais imputáveis a remota origem celta, bem como de costumes de origem tradicional associadas à noite mais curta do ano (São João 24/Junho), prenúncio portanto do dia mais longo. Podem ser-lhes atribuído o significado profano a gosto de cada um, ou para os iniciados, aquele que a respectiva sensibilidade espiritual o permitir. Ou seja para além da expressão exteriorizada ou exotérica da celebração do Solsticio, cada um escolherá para si o seu significado esotérico e interior.

Programa Indicativo exclusivo para os membros da Tertúlia atempadamente inscritos

- Dia 26 de Junho, sábado a partir das 19.45h, chegada dos participantes inscritos previamente, (maioritariamente vestidos de branco) recepção no secretariado com entrega do ritual, e de uma vela/tocha a cada um (pagamento da inscrição de 17.50€ por pessoa).
- 20.15h início de jantar de barbecue volante (ágape) na esplanada da nogueira velha.
- Após o por do sol, após uma nota oral explicativa, dá-se a deslocação dos participantes em cortejo de fila singular e silenciosa, para a ascensão à plataforma da cerimónia, seguindo o Mestre-de-cerimónias com o seu archote aceso.
- Às 22.15h disposição dos participantes em círculo, à volta da pira de madeira, previamente arranjada.

- O Mestre Celebrante acompanhado de três Co-celebrantes assume a sua posição a Oriente ou nascente, (com uma mesa como altar dos perfumes) e os demais 3 nos outros pontos cardeais: Ocidente ou poente, Norte e Sul todos empunhando archotes. Forma-se assim um pentagrama, com o Mestre-de-cerimónias, com cinco pontas, e no quadrado dos pontos cardeais, inscrito no círculo dos participantes. Conjuga-se pois a geometria dos triângulos, com a do quadrado e com a do círculo.

O Mestre-de-cerimónias dirige a celebração com passos rituais, em esquadria, pontuados pelo bastão do archote e no sentido sinistorsum, pois no hemisfério norte, o périplo do Sol desenvolve-se de direita para a esquerda, face ao Norte magnético. 

************************************RITUAL ABERTURA**********

(já na plataforma da cerimónia, onde está a pira)



À chegada do cortejo dos participantes, conduzidos pelo Mestre de Cerimónias, com o seu archote aceso, no fogo do ano anterior, estão já presentes na plataforma, os 4 Mestres Celebrantes, com os archotes apagados, nos pontos cardeais, revestidos por túnicas negras, e formando um quadrado (em 2009 foi emitida música adequada, com trechos do Hino à alegria de Beethoven) :


O Mestre celebrante do oriente, a nascente, com o archote apagado frente a um altar/mesa com 3 velas : vermelha, azul e verde, e 4 recipientes com sal, incenso, mirra e resina.

O 2º Mestre celebrante do ocidente, a poente
O 3º Mestre celebrante a Norte
O 4º mestre celebrante a Sul

- Mestre de Cerimónias -coloca-se ao lado do ponto a ocidente, constituindo o vértice do 2º triangulo que compõe o pentagrama, com o seu archote aceso, (simbolicamente a partir de um fogo do ano anterior)

Mestre de Cerimónias -Minhas Senhoras e Senhores, Meus Irmãos e amigos!

Proclamo que neste final de um dos dias mais longos do Ano, e prenúncio da noite mais curta deste décimo ano do III Milénio, nos encontramos aqui livremente, para celebrar a Festa Solstícial de Verão, através de um Fogo de São João, e ao fim de um ano de trabalhos e sementeiras, e em vésperas de colheitas.

Convido-vos pois a cada um, que queira tomar a sua vela/tocha em ambas as mãos, que será oportunamente alumiada, com transmissão do fogo do meu archote, e que participem neste grande círculo, por detrás dos celebrantes situados nos quatro pontos cardeais, formando um quadrado, neste pentagrama, e a distância cautelar, a fim de se evitarem incidentes.


(Pausa, para os participantes munidos de velas formarem o Circulo, que de seguida são acesas através do archote do Mestre de Cerimónias, uma a uma, sem que os participantes saiam dos seus lugares, formando assim um anel de fogo)


Mestre de Cerimónias -Logo que sejam solicitados, agora que todas as testemunhas têm a chama dos seus espíritos identificadas pelo fogo que receberam, vão participar activamente em 3 fases sucessivas ao meu exemplo, e a seu tempo quando for anunciado:

1) Aproximarem-se do grande fogo, para a ele se associarem, no final, com a vossa chama,
2) Formarem e integrarem uma cadeia de união, e
3) De seguida participarem nesta, que será transformada numa roda da vida, e que girará três vezes, num simbolismo de três viagens, que cada um interpretará para si, como melhor entender!

Agradecemos a todos a vossa presença e a vossa participação interessada!



……………………………………CERIMONIA RITUAL………………………………………….

Mestre de Cerimónias.

- Proclamo aos quatro pontos cardeais, que com a transmissão das chamas está formado o anel de fogo, do círculo das testemunhas, e participantes da Festa Solstícial do Verão deste décimo ano do terceiro milénio!

- Mestre Celebrante do Oriente - Como foi formada esta Pira de fogueira ?

- Mestre Celebrante do Sul – Foi com mãos humildes que recolheram da Mãe Terra os madeiros necessários a sua formação.


-Mestre Celebrante do Oriente - Que dimensões tem a Fogueira ?

-Mestre Celebrante do Norte -
-Três côvados de base,
- Quatro côvados de altura,
- Cinco côvados de diagonal

- Mestre Celebrante do Oriente - Quem a protege?
- Mestre celebrante do Norte - Uma Imensa abóbada Celeste , cheia de estrelas!

- Mestre Celebrante do Oriente -Está portanto sob protecção dos Espíritos Celestes ?


- Mestre Celebrante do Norte -Assim é, eles são os seus verdadeiros Protectores !

- Mestre Celebrante do Oriente -Quem a guarda?

- Mestre Celebrante do Norte - Cinco Grandes Archotes colocados à distância justa, e que figuram assim, as Cinco Pontas Sagradas da Estrela.


- Mestre Celebrante do Oriente - Porquê?


- Mestre Celebrante do Sul - Para que as Leis Celestes se reflictam sobre a Terra, nas Leis dos homens, afim que aquilo que está em Baixo seja como aquilo que está em Cima.

- Mestre Celebrante do Oriente - Que assim seja, é por isso que o traçado desta Cerimónia, e segundo a Palavra trasnmitisa, é como a abóbada celeste em todas as suas partes.

- Mestre Celebrante do Ocidente - Assim é, a fim que a Humanidade receba a Paz, e que a glória dos pensamentos dos Homens permaneça em Harmonia.



Pausa

- Mestre Celebrante do Oriente - Que o Céu se reflicta então sobre a Terra, e que assim, no horizonte do Oriente, seja alumiado o primeiro Archote, a Nascente!

Mestre de Cerimonias dirige-se em esquadria, no sentido idêntico ao périplo da luz solar, alumia o Oriente, e retoma o seu lugar,

Mestre Celebrante do Oriente - Mestre de Cerimónias, alumia os pontos cardeais como o sol percorre o arco da abóbada celeste, sucessivamente o Norte, o Sul ou Meio Dia, e o Ocidente ou poente.

- Mestre Celebrante do Norte - Que o Oriente e o Ocidente se unam, e que assim, a Boreal, no horizonte Norte, seja alumiado o segundo Archote!

-Mestre de Cerimónias alumia o Norte, retoma o seu lugar, e depois de chamado, pelo Celebrante do Oriente, dirige-se para Sul

Mestre Celebrante do Oriente - Mestre de cerimónias alumia agora o Sul!

- Mestre Celebrante do do Sul - Afim que tudo seja perfeito do Ocidente ao Oriente, que seja alumiada o terceiro Archote, ao Meio Dia, a Sul!

Mestre de Cerimonias alumia o Sul, retoma o seu lugar, e depois de chamado, dirige-se para Ocidente

Mestre Celebrante do Ocidente - -Que o Céu e a Terra se unam, e que assim, seja alumiada a quarta Tocha no horizonte, a poente!

Mestre de Cerimonias em silêncio, alumia o Ocidente, depois retoma o seu lugar.

Mestre Celebrante do Oriente - Que o Ocidente e o Oriente se unam agora, e que assim, no horizonte, do nascente ao poente, e do norte ao sul, fique completa e visível a Estrela Sirius de cinco pontas, no firmamento celeste.
.

- È chegado o momento de invocarmos os votos propiciatórios das três velas no altar :

-Mestre Celebrante do Oriente -Que o Mestre de Cerimónias acenda e consagre a vela vermelha !

- Mestre Cerimónias - Anuncio-vos que esta vela vermelha fica acesa em recordação de todos os mortos/ das famílias que nos precederam nesta terra/ e sem os quais não seriamos quem somos!

Mestre Celebrante do Oriente - Que o Mestre de Cerimonias acenda e consagre a Vela Azul !

- Mestre Cerimónias - Anuncio-vos que esta vela azul fica acesa em testemunho e fidelidade/a todos os familiares e amigos ausentes/que não podem estar aqui connosco nesta noite/mas que partilham a nossa fé no eterno retorno à Luz


Mestre Celebrante do Oriente - Que o Mestre de cerimónias acenda a vela Verde !



Mestre de Cerimónias -Anuncio-vos que esta vela verde fica acesa na esperança que todas as crianças/que vierem a nascer/ possam perpetuar os nossos valores sob o fogo do Sol !

Mestre de cerimónias regressa ao seu lugar


Mestre Celebrante do Oriente – Proponho que este simbolismo seja reconhecido, e nos recorde o permanente combate diário da Luz sobre as Trevas!

Mestre Celebrante do Norte - ! Que esta nossa Noite não seja senão, -de Luz!


Mestre Celebrante do Oriente - No Início dos Tempos era a Lógica/, e a Lógica estava perto de Deus Criador/, e a Lógica era o Criador./ Estava no Início próximo do Criador.


Mestre Celebrante do Ocidente - Tudo foi feito por Ele/, e nada do que foi criado foi feito sem Ele/. Ele era a Vida/, e a Vida era a Luz dos Homens/. E a Luz iluminava as Trevas,/ e as Trevas não a ocultavam.


Mestre Celebrante do Norte - Que todos aqui presentes/, e que nos circundam sejam animados/, como nós assim estamos/, de sentimentos fraternos, /de união, de paz e de amor /por todos os seres.



Mestre Celebrante do Sul - Que estes Lumes e Archotes Misteriosos/ que vão inflamar-se em breve neste Fogo,/ nos recordem que a Chama Espiritual que nos foi transmitida/, nunca fique jamais extinta em cada um de nós !



Mestre Celebrante do Ocidente - Que os Archotes nos iluminem na realização da nossa Obra comum.

Mestre Celebrante do Oriente - - Demos, todos os celebrantes, um passo, com o pé direito, em direcção à fogueira !



- Que estas Chamas nos inflamem de solidariedade no trabalho, pois que as Leis da Harmonia que regulam o Universo nos dão um tão admirável exemplo.

Mestre Celebrante do Norte -Que a beleza da Luz nos acompanhe!

Mestre Celebrante do Sul - Que a harmonia da Alegria esteja nos corações!

Mestre Celebrante do Ocidente –Que a justiça reine entre os Homens

Mestre Celebrante do Oriente - Que a força da Fraternidade e da Solidariedade reinem para Sempre!



E convido todos juntos, que queiram proclamar em alegria, comigo por três vezes três!


Todos:
Vivat, Vivat, semper Vivat-
Todos:
Vivat, Vivat, semper Vivat
Todos:
Vivat, Vivat, semper Vivat

Mestre Celebrante do Oriente Ao meu exemplo que os celebrantes acendam a Fogueira !

Mestres Celebrantes do Oriente, Norte, Sul, Ocidente e Mestre de Cerimónias, ateiam a fogueira com as suas tochas e regressam aos seus lugares.



PAUSA ..........(E logo que as chamas se ateiem na grande fogueira):



- Mestre Celebrante do Oriente - Que seja lançado o incenso, a resina e a mirra.


- Mestre de Cerimónias  (toma pausadamente cada um dos recipientes)

- e anuncia:


- Deito ao fogo o incenso, para perfumar a elevação dos nossos espíritos



- Deito ao fogo a mirra, para agradar aos espíritos dos que nos precederem



- Deito ao fogo a resina, para consagrar este momento à sabedoria e à justiça



– Mestre Celebrante do Oriente

- Como desde os séculos dos séculos,/ desde o tempo dos santuários,/ o Fogo Sagrado flua perante o Senhor da Eternidade,



- Que este Fogo,/ e estes perfumes olorosos purifiquem/ e envolvam todo o nosso ser!



- Que as nossas inteligências se desenvolvam,/ e que os espíritos dominem sem cessar,/ em nós, /os impulsos materiais inferiores



- Que as nossas alegrias sejam apenas/ as do SER e do ESPIRITO!



- Que a todos nós seja possível/ sermos tão felizes cá em Baixo,/ como tal seja possível ao Homem/ desejar lá em Cima.



Mestre de Cerimónias -Que o Fogo receba também o Sal, simbolo da amizade duradoura, e da imortalidade! ( deita o sal grosso) na Fogueira.

- Mestre Celebrante do Oriente


Que as chamas dancem alto,



E reaqueçam os nosso corações



Que as centelhas irrompam,



E tragam luz ás nossas almas.



Que as crepitações nos despertem,



Que os nossos votos e desejos se realizem,



Que o fumo suba alto



Em direcção ao criador,



No céu estrelado.



Que as bênçãos celestes recaiam sobre todos nós !



- Mestre Celebrante do Oriente -Guardemos um minuto de silêncio /para contemplarmos as chamas interiores e exteriores que nos animam.



Mestre de Cerimónias - Que se aproximem todos os celebrantes/ e testemunhas/ e juntem a sua chama, à de todos nós!



- Que cada um venha dos seus pontos cardeais/ juntar o seu lume,/ antes da bênção da evocação final concedida,/ para que os desejos e os votos de todas as almas/ sejam admitidos.



- que se aproximem todos os participantes/ e testemunhas,/ que juntem a sua chama a de todos nós/ e que nesse momento formulem um desejo,/ ou um voto, ou uma promessa/ que esperam, seja cumprido

(Os celebrantes um a um, à excepção do Mestre de Cerimónias colocam ordeiramente os seus archotes na Fogueira, sendo o último o Celebrante do Oriente, que além do seu archote atira ou coloca a vela vermelha, a azul e a verde, retirando-as do altar)

Mestre de cerimónias : - Guardemos agora mais um minuto de silêncio inspirador/ para contemplarmos as chamas interiores e exteriores que nos animam.



Mestre Celebrante do Oriente - Que estas brasas, antes de desaparecerem, deixem nos nossos corações o Fogo do seu poder e da sua Força !



(curta pausa)

Mestre de Cerimónias ( sempre com o archote aceso) : - Formemos a Cadeia de União !

- conduz a formação de Uma Cadeia Longa ( de mãos dadas) que, liderada pelo Celebrante do Oriente, como uma roda, dará três voltas dextorsum, na busca da luz do Oriente, com epicentro na Fogueira, e com início pelo Oriente, e retorna a este lugar, depois de passar pelos outros pontos cardeais. Todos os celebrantes tomam parte nesta cadeia de união.

Mestre de Cerimónias : (que não integra a cadeia e que circulará no seu interior) - vamos todos agora iniciar as nossas três viagens simbólicas da Roda Viva (Roda da Vida)!



No início da 1ª volta, o Mestre de Cerimónias proclama:

- Esta primeira viagem recorda-nos/ a fase de aprendizes das nossas vidas./ Relembra-nos a infância, /hesitantes no caminho a prosseguir, /em que a mão do nosso guia próximo / é o conforto mínimo/ e em quem se pode confiar o sentido da nossa marcha/ pelo mundo.

No início da segunda volta o Mestre de Cerimónias proclama:

-Esta segunda viagem representa a nossa idade activa/ de companheiros,/ já podemos pelo pouco saber adquirido/ confiar nas mãos dos que nos precedem,/ ou que nos seguem em companhia,/ e por isso, mais confiantes, /já pouco hesitámos nos nossos passos.



No inicio da terceira volta, O Mestre de Cerimónias proclama:

- Esta terceira e última viagem/ simboliza o grau de maturidade e mestria/ que podemos alcançar,/ os nossos passos são mais rápidos,/ e acham-se mais soltos e lestos,/ já podemos auxiliar aprendizes e companheiros,/ pois só se transmite o que antes se adquire!




Evocação Final

Mestre de Cerimónias -Terminada a terceira volta, a cadeia fica estática, no seu ponto de partida, mantendo-se todos (numa nova cadeia) com as mãos esquerdas no ombro direito da testemunha da esquerda, e com a mão direita sobre o próprio coração, em sinal de felicidade, fidelidade e comunhão, constituindo-se assim, uma corrente solidária e purificadora de energia positiva!



- Meus Irmãos.. e meus Amigos.., congratulemo-nos pela cerimonia que cumprimos com rigor, ritual e lealmente.

-Que o símbolo das chamas que fizemos reviver,/ nos conduza por cada um dos dias vindouros/ para a Perfeição do nosso Trabalho.

-Fiquemos fortalecidos nos nossos corações/ pelo Amor do nosso próximo,/ e pelo sentimento de fidelidade no cumprimento dos nossos Deveres de consciência,/ como nós nos devotamos ao serviço da Verdade.

-Que as nossas futuras Festas/ de celebração dos Solstícios e do Fogo de São João,/ sejam cada vez mais afirmadas pela vossa união,/ e pela vontade de sermos úteis aos nossos semelhantes.



- Que elas sejam para sempre/ um espaço de Paz, (de Harmonia,/ e de Tolerância fraterna,/ e que a Cadeia das nossas mãos e corações/ seja, a partir de agora,/ tão forte entre nós,/ que nada possa,/ nunca a quebrar.



............



PAUSA de Poucos instantes

Mestre Celebrante do Oriente - Rompamos a Cadeia de União ao meu exemplo! ( e explica)


- Acompanhem-me ao meu ritmo : desfazem a cadeia e soltam as mãos, levantam os 2 braços ao céu, e depois deixam-nos cair ao longo do corpo com uma palmada seca. Todos ao mesmo tempo!
…………………….


(curta pausa, mantendo-se a formação do círculo)


Mestre Celebrante do Oriente - A que momento devem os fogos de São João estar findos no Solstício?

Mestre Celebrante do Ocidente - É meia Noite ! O momento chegou !

Mestre Celebrante do Oriente - Porque assim é, antes de nos separarmos com ordem e harmonia, que ressoe uma ultima vez na noite, o nosso triplo sinal de alegria:

-Todos, e três vezes três!


Vivat, Vivat, semper Vivat
Todos :
Vivat, Vivat, semper Vivat
Todos
Vivat, Vivat, semper Vivat

(final)

O Mestre de cerimónias: empunha o seu archote aceso, e sob a música de uma ode à alegria (de Beethoven, ou do Cirq du Soleil) conduz o cortejo dos Mestre Celebrantes, e Testemunhas participantes, para em coluna individual, abandonarem em silêncio a plataforma da cerimonia, e descerem para regressaram em fila e à esplanada da Nogueira Velha, do ágape.

Sunday, May 23, 2010

Proxima tertúlia dia 26 de Junho, sábado início as 20h para cerimómia ritual de evocação do Solsticio de verão do ano de 2010

- Convocam-se os celebrantes:
o Nascente a Oriente,
o Poente, a Ocidente.
- Convocam-se
o Boreal a Norte
e o Meio Dia a Sul!
- E convocam-se todos os participantes e testemunhas que desejem inscrever-se
para o ritual de evocação do Solsticio de 2010.

O ritual inicia-se com um agápe volante pelas 20h. Prevê-se o termo pelas 22.30
Os participantes devem ser membros da Tertúlia, ou convidados por estes.
Vestuario branco. A cada participante será fornecida uma chama individual.
Lotação limitada. Inscrições abertas pelo e-mail bar.do.alem@gmail.com

A cerimónia ritual de evocação para o solsticio de verão Promovida pela Tertúlia Cultural do Bar do Além, em Alenquer, terá o mesmo manual publicado neste blog, e utilizado no ano de 2009 que pode ser visto neste link:


http://bardoalem.blogspot.com/2009/06/cerimonia-de-evocacao-do-solsticio-do.html

Sunday, May 02, 2010

Fotos e textos da Terúlia sobre AMOR...a natureza incompleta fisica e espiritual do Homem na busca da sua AMETADE: o Amor não platónico em Platão

Realizada em 22 de Junho, com mais de 30 participantes


O mito do amor em Platão


Orador Prof Jose Marques

Sessão sobre o AMOR EM PLATÃO...Para uma mesa redonda participada

Todos os homens desejam de um ou outro modo a imortalidade, transcenderem a parca existência dos seus corpos perecíveis, colocarem-se para além dos limites naturais da morte e da destruição.

Ora o amor não é mais do que um dos modos privilegiados de o conseguirem.

É esta asserção que irei tentar demonstrar a que junto uma outra: O amor ao invés de ser sinónimo da nossa excelência é originário no carácter híbrido dos homens e consequentemente na sua incompletude.

São estas duas estranhas teses que irei desenvolver a partir do comentário ao belíssimo texto de Platão em forma de diálogo: O Banquete ou Simpósio, como o título sugere a acção decorre num Banquete que o dramaturgo Ágaton oferece em sua casa após haver vencido uma competição teatral.



Estes banquetes eram frequentes na época e poderiam degenerar em orgia ou em alguns casos, como o presente, serem palco de conversas e discussões elevadas sobre um qualquer tema de cariz estético, filosófico ou político.

Eram eventos frequentes e reuniam a nata da intelectualidade ateniense em debates tão informais quanto elevados.

Intervêm Apolodoro, Sócrates, Aristodemo, o autor de comédias Aristófanes, Erixímaco; o médico, o célebre Fedro e o celebérrimo e controverso Alcibíades.

Chegam os convivas que a convite do dono da casa se acomodam sendo dadas instruções aos escravos para os servirem como quiserem, na condição de receberem os elogios destes.

Estes banquetes eram acompanhados de dançarinas e tocadoras de flauta que animavam as reuniões e em alguns casos se misturavam com os convivas quando estes bem bebidos se dispunham a darem largas à satisfação dos instintos.

Neste caso, os serviços destas personagens são dispensados, o que se justifica por duas razões: Primeira, os participantes deste banquete haviam estado numa reunião semelhante no dia anterior estavam saciados e até ressacados. Por outro lado, há uma intenção clara de imprimir um cunho de seriedade e de elevação a esta reunião.

Por sugestão de Ágaton o tema a ser debatido é o Amor sendo cada um responsável por proferir os melhores discursos que possa sobre tão estimulante tema.

O autor teatral justifica a sua escolha por ser tão ávara a produção literárias em honra deste tão poderoso e antigo deus. (Ainda não havia nascido o grande Ovídio)

Fedro, o primeiro a intervir, ilustra o seu propósito de modo bem eloquente: “...eu próprio já tive a ocasião de ler uma obra de um certo sábio onde o sal era exaltado até às nuvens em razão da sua utilidade...Quanto ao Amor verás que até ao dia de hoje nenhum homem se dignou dirigir-lhe um canto condigno.”

A isto curiosamente, Sócrates responde afirmando que nada mais conhece que não seja de amor, ele que dizia nada saber.

O primeiro discurso será de Fedro, como já o referimos.

Começa por referir que “o Amor era um grande deus, um deus na verdade admirável aos olhos dos homens e também dos deuses, por muitos e variados motivos entre os quais avultava a sua origem”.

.....” A sua dignidade deve-se ao facto de ser o mais antigo entre os deuses... Hesíodo afirma que primeiro existiu o Caos e depois a terra de peito ingente, suporte inabalável de tudo quanto existe e Eros o mais belo entre os deuses imortais, que amolece os membros e no peito de todos os homens e deuses domina o espírito e vontade esclarecida” (Teogonia)

“ Também Parménides alude à geração, pensou primeiro no amor antes de todos os deuses”

E assim fica esclarecido que o amor é o “ deus mais antigo venerável, sendo como tal, aquele que nos traz maiores benefícios.”

Fedro continua a sua argumentação num sentido muito interessante; “ os homens, aqueles que se esforçam por viver uma vida bela, é necessário que considerem que nem a nobreza do parentesco, nem as honras nem o dinheiro, nem nenhuma outra coisa são capazes de inspirarem actos tão belos como o amor.”

Partindo do pressuposto que a infâmia que recai sobre as acções vis e a glória que cobre as acções belas, são motivadoras das boas acções tanto de indivíduo como de um Estado Fedro afirma que “se alguém praticar acções censuráveis em público ou receber injúrias de alguém , não se defendendo por cobardia à vista do pai, ou dos amigos, sofrerá tanto como na presença do ser amado.”

Assim os amantes só podem ter um comportamento admirável, em tudo o que façam à vista do amado, pois nada lhe será mais doloroso que a vergonha e a infâmia face ao ser amado. É por essa razão que tal homem não desertará das fileiras e será impedido pelo amor a largar as armas e fugir face ao amado. Que admirável será o ser que ama. Tal como Alceste que por amor do companheiro se dispõe a morrer em vez dele, provocando tal admiração entre os deuses que estes não hesitam em fazer que a sua alma retorne do Hades, reino dos mortos como recompensa da sua bravura.


Depois deste admirável discurso é a vez Pausânias que contesta a singeleza conceptual proposta por Fedro, afirmando que o deus do Amor não é um único, mas sim vários e nem todos são igualmente dignos de elogios, Só a espécie de amor que impele a amar nobremente, merece a nossa consideração. É assim estabelecida a relação entre Eros e aretê, virtude.

Pausânias distingue entre o amor vulgar, protagonizado pela Afrodite popular, em que o desejo visa os corpos e não as almas. No início desta conversa chamámos a atenção para o carácter transcendente e imortal do amor ao invés da precaridade do que vive corporeamente. Se o que se persegue é a imortalidade está explicada a razão da distinção. Todos sabemos por experiência própria como o tempo, as doenças e os vícios podem destruir a beleza do corpo, tornando-o decadente e fátuo. Então há que destacar outro tipo de amor mais perene e desta feita dirigido para as almas, para o espírito, que na opinião do locutor não perecem, mantendo-se inalteráveis.

De resto estes dois tipos de amor marcam os dois tipos de comportamento amoroso: O primeiro próprio dos espíritos mais vulgares e grosseiros, só se interessa por seres destituídos de inteligência, pois aqui vale o menor esforço e a satisfação imediata dos sentidos. Assim o investimento é fortuito e débil, como fugaz é o desejo e a sua consumação.

Bem diferente é esse outro tipo de amor, ligada à deusa celeste, Úrana, em que busca um amor mais puro e sobretudo sólido, capaz de resistir à degradação dos corpos, pois é o espírito que é o verdadeiro objecto.

Pausânias conclui: “ O amor não tem uma natureza simples, bela ou feia em si mesma; mas realizada com beleza torna-se bela, e com vileza torna-se aviltante; ora, realizá-la com vileza é conceder favores a alguém indigno e realizá-lo de maneira bela é conceder favores a um homem de bem.”

Chega a vez de Eraxímaco

Concorda com a distinção de Pausânias, no entanto estribado na sua experiência de médico estende a noção de amor a todas as coisas vivas, animais e plantas. Nomeadamente os enormes sacrifícios que os progenitores fazem pelas suas crias, mesmo em situações limite, com o fito de perpetuar a espécie no desafio à perenidade tantas vezes já referida.

Mas na arte médica também se articularão as influências do amor. Já não falando da atitude sumamente generosa que consiste em curar e preservar a vida de outrem, por parte de quem faz o juramento de Hipócrates, a dimensão amorosa penetra no âmago da arte médica helénica. Na verdade a medicina era para os gregos a preservação do equilíbrio dos elementos do corpo e da alma.

“ O que Pausânias dizia, que era belo agradar aos homens dignos, e, aos desregrados, vergonhoso, o mesmo se aplica aos corpos: é belo e deve manter-se e favorecer os elementos sãos e belos em cada corpo ( e a isto se chama medicina)enquanto aos maus aqueles que provocam a doença, é mau ceder, havendo obrigação de contrariá-los.... Precisamente a medicina consiste na ciência dos fenómenos do amor no corpo relativos à repleção e à vacuidade; quem saiba neles distinguir o bom e o mau amor é precisamente um bom médico.”

Esse bom médico, fiel à tradição médica helénica deve saber “ criar amizade entre os elementos mais hostis do corpo e levá-los a amarem-se; o frio e o quente, o seco e o húmido, o amargo ao doce, etc.

É interessante verificar que a maioria das doenças era, na convicção daqueles tempos, provocadas por desequilíbrios entre estes e outros elementos. Competia ao médico evitar essas rupturas, amorosas na harmonia.

Eraxímaco estende a influência do amor a outras artes, como a agricultura e ginástica.

Citando Heraclito fá-lo surgir na actividade musical, já que elementos inicialmente discordantes como o agudo e o grave, acabam por se conciliar e harmonizar na música.

O discurso do médico extravasa agora para os homens ao afirmar que é nossa obrigação proteger os moderados, assegurar o seu amor no sentido de os tornar ainda melhores aos que o não são, tal é o amor superior da Musa Urânia a que se opõe a Musa popular, Polímnia.

Mais uma vez a ligação do amor a uma lógica de virtude, neste caso inserida na dimensão da justa medida, fonte de prazer. No amor, tal como na gastronomia, dever-se-á procurar o prazer sem excesso. Como explicará muito depois Freud, a busca desmedida do prazer conduzia frequentemente à aniquilação.

Chega a vez do célebre autor de comédias, Aristófanes, falar, que começa por dizer que “os homens não suspeitam nem de longe os efeitos do amor, senão consagrar-lhe-iam os templos mais sumptuosos e oferecer-lhe-iam os sacrifícios mais de maior valia”

Aristófanes conquista a ênfase do auditório ao contar o mito da origem do amor como sendo o irresistível impulso que leva os homens a buscarem a sua outra metade, após os deuses irritados com a perfeição e poder dos antepassados dos homens; os hermafroditas os haverem “partido ao meio”, já que estes seres andróginos eram dotados de duas faces opostas e quatro pares de membros, assim como de dois sexos, “ com as costas e os flancos arredondados e em círculo” caminhando direitos e nos dois sentidos ou às cambalhotas quando tinham de vencer rapidamente uma dada distância..

“ Ora estes homens eram dotados de terrível força resistência e alimentavam planos ambiciosos, pelo que começaram a atentar contra os deuses”( 190 b) pelo que estes os separaram no sentido de diminuírem o seu poder sem terem que os exterminar.

Ora quando a forma natural se achou dividida em duas, cada metade com saudades da sua outra metade... não mais aspirava senão em fundir-se num só. (191 b)

Então o amor mais não é do que perseguir a metade que nos pertenceu e da qual sofremos de intensa falta.

Cada um de nós não passa de uma téssera, e é a sua própria téssera ou metade que cada um de nós procura infatigavelmente.

“ Em consequência todos os que são provenientes de um ser misto, procuram o ser do sexo oposto, podendo ocorrer que se forem provenientes de um único ser feminino se inclinem para as mulheres e para os homens se forem provenientes de um ser masculino

Veja-se como Aristófanes explica não só o amor como a raiz da homossexualidade quer feminina quer masculina.

Em 193 a Aristófanes preludia a tese de Sócrates ao afirmar que a força e a natureza do amor reside afinal da nossa incompletude, “ cada um de nós formava um todo; ora é essa aspiração ao todo a que chamamos amor. Se dantes éramos completos, estamos agora reduzidos à dispersão.

Na verdade e talvez surpreendentemente Sócrates quando inicia o seu discurso reserva duas atitudes originais:

Em primeiro lugar coloca uma mulher, uma sacerdotisa a falar de amor por ele e em segundo lugar na linha de Aristófanes vai caracterizar a natureza do amor como a mais eloquente prova na nossa relativa imperfeição.

Esta situação ainda será remediada por Ágaton que elogia o amor como possuindo uma natureza bondosa, sendo os seus dons decorrentes dessa natureza. (196 a)” o amor ....se move e habita sobre o que de mais suave existe, afastando-se do que é áspero e fero.... só quando encontra um sítio adornado de flores ele pousa e se instala” É belo e consequentemente é bom.

Ora estas duas intervenções vem a calhar pois Sócrates vai dar-lhes grande utilidade na lógica do seu discurso

Em 197 e, afirma Ágaton, “ é ele o amor que apaga em nós a ideia de sermos estranhos uns aos outros e nos comunica um sentimento de familiaridade através de reuniões como esta... abrindo, por um lado as vias à delicadeza, fechando-os por outro à rudeza, liberal em conceder favores e incapaz de malquerenças; amável e alegre contemplado por sábios, admirado por deuses, objecto de inveja para os que o não o logram e para os que o partilham é pai das delícias, da doçura e do requinte... propício aos bons, desatento aos maus.”

Veremos o uso que o filósofo dará a estas duas visões tão radicalmente diversas.

Sócrates logo em 200b chama a nossa atenção para o facto de amor ser o desejo daquilo que se ama. Ora se amamos desejamos e se desejamos não o temos, pois que só podemos desejar o que não possuímos, muito embora o conheçamos o suficiente para o possuir. Ora como admitirá Ágaton o amor é acima de tudo o amor do Bem e não do vil, o que parece irresistivelmente demonstrar que o não o possuímos pois só desejamos o que afinal ainda não temos. Ora como o amor do Belo é o amor do Bem, tal significa que estamos tão desprovidos de um como do outro e por isso amamos ambos.

É a partir destas duas premissas dadas por Aristófanes e Ágaton que se torna plausível a estranha natureza híbrida do amor, segundo a narrativa de Diotima,. Em Mantineia.

Quando Sócrates lhe falou do amor como algo de belo e de excelso, a mulher refuta-o nos termos que Sócrates utilizou para contestar a visão idílica do jovem e talentoso Agaton.

O amor não poderia ser belo ou bom. Ao que Sócrates surpreendido responde : É então o amor feio e vil. Diotima responde-lhe:

“Cuidado com o que dizes... ou achas que por não ser belo, tem forçosamente de ser feio?”

A confusão de Sócrates não tem limites. Então como classificar como um deus algo que afinal não é vil nem bom, não sendo feio ou belo?

Diotima classifica o amor como algo de prodigioso, um génio, intermédio entre os homens e os deuses, pois que a sua origem assim o demonstra; 203 a e ss

Fruto do encontro entre o Engenho adormecido no banquete em honra de Afrodite, que cheio de hidromel jazia estirado nu e tentador para a pobre Pénia, a indigente que como era costume veio mendigar os restos do festim e que não desperdiça a sorte de conceber com o belo deus o filho que há muito desejava ter.

Assim se explica a natureza dual e contraditória do deus, “...descalço, sem morada, estirado sempre por terra sem ter nada que o cubra, é assim que dorme ao relento...”

Mas logo vem a herança do pai na ousadia na coragem e persistência na busca do que é bom e belo. Caçador temível, sempre a arquitectar qualquer armadilha, sedento de saber e inventivo, “a vida inteira passa filosofando este hábil feiticeiro, mago e sofista.”

O Amor é assim amante do belo e do bem contudo sem os possuir, passa a vida perseguindo-os, como um paciente predador até lograr capturar a sua presa.

O amor não possui o seu objecto, mas de algum modo já o possui já que o reconhece ao ponto de desejá-lo com toda a convicção do seu ser. É esse o carácter do amor em Platão:

Só amamos o que desejamos e só desejamos o que não temos, embora o tenhamos a ponto de o querermos mais. Eis a metáfora do homem que pela sua natureza é amante do que se julga privado: carinho, sabedoria, carícias etc.

Distinto portanto das pedras que não sentem falta de nada, tão pouco dos deuses a quem nada falta.

Está dada a resposta à fome de imortalidade e Absoluto que nutrimos desde a tenra infância. Isto é não sendo imortais, mas tendo a centelha de imortalidade em nós que nos impele a superarmo-nos na busca do que é imperecível, o bem e o belo são imutáveis, não engendrados na óptica de Platão, resta-nos conquistá-los.

Que nos resta a nós homens?
Platão deu a sua resposta, e nós?