Sunday, June 27, 2010

85 pessoas tomaram parte na celebração do Solstício de 2010 na Tertúlia do Bar do Além , do Alenquer Camping



Depois de um àgape ao ar livre, todos os participantes, testemunhas e celebrantes após o sol posto, celebraram ritualmente enquadrados pelos Mestres Celebrantes a Nascente, Norte, Sul e Poente, o Solstício do décimo ano do III Milénio. Em noite de lua cheia, foi constituido sucessivamente um círculo de fogo, e uma cadeia de união, que se transformou em roda-viva (Roda da Vida) que realizou três viagens simbólicas, à volta do Fogo de São João, para finalmente se transfigurar numa cadeia de solidariedade, felicidade e de energia positiva, de acordo com o ritual conduzido pelo Mestre de Cerimónias. A Música este ano incluiu a ode à alegria do Cirq du Soleil, como consta no texto do ritual publicado na mensagem anterior deste blog. Este evento teve lugar no Alenquer Camping que patrocina a Tertúlia do Bar do Além há dez anos. Ver link:
http://bardoalem.dosdin.pt/?page_id=7

 


Mestre Celebrante do Oriente -
- Porque assim é, antes de nos separarmos com ordem e harmonia, que ressoe uma ultima vez na noite, o nosso triplo sinal de alegria:


- Todos, e três vezes três!
Vivat, Vivat, semper Vivat
Todos :
Vivat, Vivat, semper Vivat
Todos
Vivat, Vivat, semper Vivat




Monday, June 21, 2010

Novo ritual para a celebração do Solsticio e Fogo de São João, do I decénio do III Milénio, a 26 de Junho


Ritual de Celebração do Solstício de Verão do décimo decénio
do III Milénio, dia 26 Junho, sábado

(na Tertúlia do Bar do Além, Alenquer. Local: Jardins e esplanada do Alenquer Camping)

Mestres celebrantes:

Norte- Tereza del Pilar
Sul- Ana Maria Sibila
Ocidente - Felício Correia
Mestre de Cerimónias- Nandin de Carvalho 

Música. A ode à Alegria do Cirq du Soleil, é a referência para este ano.
Notas e advertências:


1) O texto ritual recriado pelo Secretário da Tertúlia do Bar do Além, Luis Nandin de Carvalho, teve por base recolhas feitas na Internet, elementos de tradição oral de diversas origens, e na sua versão anterior de 2009, que se  acha publicada no blog da tertúlia em:


2) Este documento nada tem de secreto, nem tem a pretensão de constituir nenhum repositório de natureza histórica, nem de constituir nenhum procedimento para qualquer tipo de iniciação, ou de práticas de superstição visando a obtenção de resultados ocultos. Serve apenas o interesse de um conjunto de membros da Tertúlia do Bar do Além, em realizar um exercício prático de uma cerimónia "branca", mas simbólica, de celebração solsticial, dita de mid summer.


3) Os elementos constantes do ritual contêm factores de evocação de práticas ancestrais imputáveis a remota origem celta, bem como de costumes de origem tradicional associadas à noite mais curta do ano (São João 24/Junho), prenúncio portanto do dia mais longo. Podem ser-lhes atribuído o significado profano a gosto de cada um, ou para os iniciados, aquele que a respectiva sensibilidade espiritual o permitir. Ou seja para além da expressão exteriorizada ou exotérica da celebração do Solsticio, cada um escolherá para si o seu significado esotérico e interior.

Programa Indicativo exclusivo para os membros da Tertúlia atempadamente inscritos

- Dia 26 de Junho, sábado a partir das 19.45h, chegada dos participantes inscritos previamente, (maioritariamente vestidos de branco) recepção no secretariado com entrega do ritual, e de uma vela/tocha a cada um (pagamento da inscrição de 17.50€ por pessoa).
- 20.15h início de jantar de barbecue volante (ágape) na esplanada da nogueira velha.
- Após o por do sol, após uma nota oral explicativa, dá-se a deslocação dos participantes em cortejo de fila singular e silenciosa, para a ascensão à plataforma da cerimónia, seguindo o Mestre-de-cerimónias com o seu archote aceso.
- Às 22.15h disposição dos participantes em círculo, à volta da pira de madeira, previamente arranjada.

- O Mestre Celebrante acompanhado de três Co-celebrantes assume a sua posição a Oriente ou nascente, (com uma mesa como altar dos perfumes) e os demais 3 nos outros pontos cardeais: Ocidente ou poente, Norte e Sul todos empunhando archotes. Forma-se assim um pentagrama, com o Mestre-de-cerimónias, com cinco pontas, e no quadrado dos pontos cardeais, inscrito no círculo dos participantes. Conjuga-se pois a geometria dos triângulos, com a do quadrado e com a do círculo.

O Mestre-de-cerimónias dirige a celebração com passos rituais, em esquadria, pontuados pelo bastão do archote e no sentido sinistorsum, pois no hemisfério norte, o périplo do Sol desenvolve-se de direita para a esquerda, face ao Norte magnético. 

************************************RITUAL ABERTURA**********

(já na plataforma da cerimónia, onde está a pira)



À chegada do cortejo dos participantes, conduzidos pelo Mestre de Cerimónias, com o seu archote aceso, no fogo do ano anterior, estão já presentes na plataforma, os 4 Mestres Celebrantes, com os archotes apagados, nos pontos cardeais, revestidos por túnicas negras, e formando um quadrado (em 2009 foi emitida música adequada, com trechos do Hino à alegria de Beethoven) :


O Mestre celebrante do oriente, a nascente, com o archote apagado frente a um altar/mesa com 3 velas : vermelha, azul e verde, e 4 recipientes com sal, incenso, mirra e resina.

O 2º Mestre celebrante do ocidente, a poente
O 3º Mestre celebrante a Norte
O 4º mestre celebrante a Sul

- Mestre de Cerimónias -coloca-se ao lado do ponto a ocidente, constituindo o vértice do 2º triangulo que compõe o pentagrama, com o seu archote aceso, (simbolicamente a partir de um fogo do ano anterior)

Mestre de Cerimónias -Minhas Senhoras e Senhores, Meus Irmãos e amigos!

Proclamo que neste final de um dos dias mais longos do Ano, e prenúncio da noite mais curta deste décimo ano do III Milénio, nos encontramos aqui livremente, para celebrar a Festa Solstícial de Verão, através de um Fogo de São João, e ao fim de um ano de trabalhos e sementeiras, e em vésperas de colheitas.

Convido-vos pois a cada um, que queira tomar a sua vela/tocha em ambas as mãos, que será oportunamente alumiada, com transmissão do fogo do meu archote, e que participem neste grande círculo, por detrás dos celebrantes situados nos quatro pontos cardeais, formando um quadrado, neste pentagrama, e a distância cautelar, a fim de se evitarem incidentes.


(Pausa, para os participantes munidos de velas formarem o Circulo, que de seguida são acesas através do archote do Mestre de Cerimónias, uma a uma, sem que os participantes saiam dos seus lugares, formando assim um anel de fogo)


Mestre de Cerimónias -Logo que sejam solicitados, agora que todas as testemunhas têm a chama dos seus espíritos identificadas pelo fogo que receberam, vão participar activamente em 3 fases sucessivas ao meu exemplo, e a seu tempo quando for anunciado:

1) Aproximarem-se do grande fogo, para a ele se associarem, no final, com a vossa chama,
2) Formarem e integrarem uma cadeia de união, e
3) De seguida participarem nesta, que será transformada numa roda da vida, e que girará três vezes, num simbolismo de três viagens, que cada um interpretará para si, como melhor entender!

Agradecemos a todos a vossa presença e a vossa participação interessada!



……………………………………CERIMONIA RITUAL………………………………………….

Mestre de Cerimónias.

- Proclamo aos quatro pontos cardeais, que com a transmissão das chamas está formado o anel de fogo, do círculo das testemunhas, e participantes da Festa Solstícial do Verão deste décimo ano do terceiro milénio!

- Mestre Celebrante do Oriente - Como foi formada esta Pira de fogueira ?

- Mestre Celebrante do Sul – Foi com mãos humildes que recolheram da Mãe Terra os madeiros necessários a sua formação.


-Mestre Celebrante do Oriente - Que dimensões tem a Fogueira ?

-Mestre Celebrante do Norte -
-Três côvados de base,
- Quatro côvados de altura,
- Cinco côvados de diagonal

- Mestre Celebrante do Oriente - Quem a protege?
- Mestre celebrante do Norte - Uma Imensa abóbada Celeste , cheia de estrelas!

- Mestre Celebrante do Oriente -Está portanto sob protecção dos Espíritos Celestes ?


- Mestre Celebrante do Norte -Assim é, eles são os seus verdadeiros Protectores !

- Mestre Celebrante do Oriente -Quem a guarda?

- Mestre Celebrante do Norte - Cinco Grandes Archotes colocados à distância justa, e que figuram assim, as Cinco Pontas Sagradas da Estrela.


- Mestre Celebrante do Oriente - Porquê?


- Mestre Celebrante do Sul - Para que as Leis Celestes se reflictam sobre a Terra, nas Leis dos homens, afim que aquilo que está em Baixo seja como aquilo que está em Cima.

- Mestre Celebrante do Oriente - Que assim seja, é por isso que o traçado desta Cerimónia, e segundo a Palavra trasnmitisa, é como a abóbada celeste em todas as suas partes.

- Mestre Celebrante do Ocidente - Assim é, a fim que a Humanidade receba a Paz, e que a glória dos pensamentos dos Homens permaneça em Harmonia.



Pausa

- Mestre Celebrante do Oriente - Que o Céu se reflicta então sobre a Terra, e que assim, no horizonte do Oriente, seja alumiado o primeiro Archote, a Nascente!

Mestre de Cerimonias dirige-se em esquadria, no sentido idêntico ao périplo da luz solar, alumia o Oriente, e retoma o seu lugar,

Mestre Celebrante do Oriente - Mestre de Cerimónias, alumia os pontos cardeais como o sol percorre o arco da abóbada celeste, sucessivamente o Norte, o Sul ou Meio Dia, e o Ocidente ou poente.

- Mestre Celebrante do Norte - Que o Oriente e o Ocidente se unam, e que assim, a Boreal, no horizonte Norte, seja alumiado o segundo Archote!

-Mestre de Cerimónias alumia o Norte, retoma o seu lugar, e depois de chamado, pelo Celebrante do Oriente, dirige-se para Sul

Mestre Celebrante do Oriente - Mestre de cerimónias alumia agora o Sul!

- Mestre Celebrante do do Sul - Afim que tudo seja perfeito do Ocidente ao Oriente, que seja alumiada o terceiro Archote, ao Meio Dia, a Sul!

Mestre de Cerimonias alumia o Sul, retoma o seu lugar, e depois de chamado, dirige-se para Ocidente

Mestre Celebrante do Ocidente - -Que o Céu e a Terra se unam, e que assim, seja alumiada a quarta Tocha no horizonte, a poente!

Mestre de Cerimonias em silêncio, alumia o Ocidente, depois retoma o seu lugar.

Mestre Celebrante do Oriente - Que o Ocidente e o Oriente se unam agora, e que assim, no horizonte, do nascente ao poente, e do norte ao sul, fique completa e visível a Estrela Sirius de cinco pontas, no firmamento celeste.
.

- È chegado o momento de invocarmos os votos propiciatórios das três velas no altar :

-Mestre Celebrante do Oriente -Que o Mestre de Cerimónias acenda e consagre a vela vermelha !

- Mestre Cerimónias - Anuncio-vos que esta vela vermelha fica acesa em recordação de todos os mortos/ das famílias que nos precederam nesta terra/ e sem os quais não seriamos quem somos!

Mestre Celebrante do Oriente - Que o Mestre de Cerimonias acenda e consagre a Vela Azul !

- Mestre Cerimónias - Anuncio-vos que esta vela azul fica acesa em testemunho e fidelidade/a todos os familiares e amigos ausentes/que não podem estar aqui connosco nesta noite/mas que partilham a nossa fé no eterno retorno à Luz


Mestre Celebrante do Oriente - Que o Mestre de cerimónias acenda a vela Verde !



Mestre de Cerimónias -Anuncio-vos que esta vela verde fica acesa na esperança que todas as crianças/que vierem a nascer/ possam perpetuar os nossos valores sob o fogo do Sol !

Mestre de cerimónias regressa ao seu lugar


Mestre Celebrante do Oriente – Proponho que este simbolismo seja reconhecido, e nos recorde o permanente combate diário da Luz sobre as Trevas!

Mestre Celebrante do Norte - ! Que esta nossa Noite não seja senão, -de Luz!


Mestre Celebrante do Oriente - No Início dos Tempos era a Lógica/, e a Lógica estava perto de Deus Criador/, e a Lógica era o Criador./ Estava no Início próximo do Criador.


Mestre Celebrante do Ocidente - Tudo foi feito por Ele/, e nada do que foi criado foi feito sem Ele/. Ele era a Vida/, e a Vida era a Luz dos Homens/. E a Luz iluminava as Trevas,/ e as Trevas não a ocultavam.


Mestre Celebrante do Norte - Que todos aqui presentes/, e que nos circundam sejam animados/, como nós assim estamos/, de sentimentos fraternos, /de união, de paz e de amor /por todos os seres.



Mestre Celebrante do Sul - Que estes Lumes e Archotes Misteriosos/ que vão inflamar-se em breve neste Fogo,/ nos recordem que a Chama Espiritual que nos foi transmitida/, nunca fique jamais extinta em cada um de nós !



Mestre Celebrante do Ocidente - Que os Archotes nos iluminem na realização da nossa Obra comum.

Mestre Celebrante do Oriente - - Demos, todos os celebrantes, um passo, com o pé direito, em direcção à fogueira !



- Que estas Chamas nos inflamem de solidariedade no trabalho, pois que as Leis da Harmonia que regulam o Universo nos dão um tão admirável exemplo.

Mestre Celebrante do Norte -Que a beleza da Luz nos acompanhe!

Mestre Celebrante do Sul - Que a harmonia da Alegria esteja nos corações!

Mestre Celebrante do Ocidente –Que a justiça reine entre os Homens

Mestre Celebrante do Oriente - Que a força da Fraternidade e da Solidariedade reinem para Sempre!



E convido todos juntos, que queiram proclamar em alegria, comigo por três vezes três!


Todos:
Vivat, Vivat, semper Vivat-
Todos:
Vivat, Vivat, semper Vivat
Todos:
Vivat, Vivat, semper Vivat

Mestre Celebrante do Oriente Ao meu exemplo que os celebrantes acendam a Fogueira !

Mestres Celebrantes do Oriente, Norte, Sul, Ocidente e Mestre de Cerimónias, ateiam a fogueira com as suas tochas e regressam aos seus lugares.



PAUSA ..........(E logo que as chamas se ateiem na grande fogueira):



- Mestre Celebrante do Oriente - Que seja lançado o incenso, a resina e a mirra.


- Mestre de Cerimónias  (toma pausadamente cada um dos recipientes)

- e anuncia:


- Deito ao fogo o incenso, para perfumar a elevação dos nossos espíritos



- Deito ao fogo a mirra, para agradar aos espíritos dos que nos precederem



- Deito ao fogo a resina, para consagrar este momento à sabedoria e à justiça



– Mestre Celebrante do Oriente

- Como desde os séculos dos séculos,/ desde o tempo dos santuários,/ o Fogo Sagrado flua perante o Senhor da Eternidade,



- Que este Fogo,/ e estes perfumes olorosos purifiquem/ e envolvam todo o nosso ser!



- Que as nossas inteligências se desenvolvam,/ e que os espíritos dominem sem cessar,/ em nós, /os impulsos materiais inferiores



- Que as nossas alegrias sejam apenas/ as do SER e do ESPIRITO!



- Que a todos nós seja possível/ sermos tão felizes cá em Baixo,/ como tal seja possível ao Homem/ desejar lá em Cima.



Mestre de Cerimónias -Que o Fogo receba também o Sal, simbolo da amizade duradoura, e da imortalidade! ( deita o sal grosso) na Fogueira.

- Mestre Celebrante do Oriente


Que as chamas dancem alto,



E reaqueçam os nosso corações



Que as centelhas irrompam,



E tragam luz ás nossas almas.



Que as crepitações nos despertem,



Que os nossos votos e desejos se realizem,



Que o fumo suba alto



Em direcção ao criador,



No céu estrelado.



Que as bênçãos celestes recaiam sobre todos nós !



- Mestre Celebrante do Oriente -Guardemos um minuto de silêncio /para contemplarmos as chamas interiores e exteriores que nos animam.



Mestre de Cerimónias - Que se aproximem todos os celebrantes/ e testemunhas/ e juntem a sua chama, à de todos nós!



- Que cada um venha dos seus pontos cardeais/ juntar o seu lume,/ antes da bênção da evocação final concedida,/ para que os desejos e os votos de todas as almas/ sejam admitidos.



- que se aproximem todos os participantes/ e testemunhas,/ que juntem a sua chama a de todos nós/ e que nesse momento formulem um desejo,/ ou um voto, ou uma promessa/ que esperam, seja cumprido

(Os celebrantes um a um, à excepção do Mestre de Cerimónias colocam ordeiramente os seus archotes na Fogueira, sendo o último o Celebrante do Oriente, que além do seu archote atira ou coloca a vela vermelha, a azul e a verde, retirando-as do altar)

Mestre de cerimónias : - Guardemos agora mais um minuto de silêncio inspirador/ para contemplarmos as chamas interiores e exteriores que nos animam.



Mestre Celebrante do Oriente - Que estas brasas, antes de desaparecerem, deixem nos nossos corações o Fogo do seu poder e da sua Força !



(curta pausa)

Mestre de Cerimónias ( sempre com o archote aceso) : - Formemos a Cadeia de União !

- conduz a formação de Uma Cadeia Longa ( de mãos dadas) que, liderada pelo Celebrante do Oriente, como uma roda, dará três voltas dextorsum, na busca da luz do Oriente, com epicentro na Fogueira, e com início pelo Oriente, e retorna a este lugar, depois de passar pelos outros pontos cardeais. Todos os celebrantes tomam parte nesta cadeia de união.

Mestre de Cerimónias : (que não integra a cadeia e que circulará no seu interior) - vamos todos agora iniciar as nossas três viagens simbólicas da Roda Viva (Roda da Vida)!



No início da 1ª volta, o Mestre de Cerimónias proclama:

- Esta primeira viagem recorda-nos/ a fase de aprendizes das nossas vidas./ Relembra-nos a infância, /hesitantes no caminho a prosseguir, /em que a mão do nosso guia próximo / é o conforto mínimo/ e em quem se pode confiar o sentido da nossa marcha/ pelo mundo.

No início da segunda volta o Mestre de Cerimónias proclama:

-Esta segunda viagem representa a nossa idade activa/ de companheiros,/ já podemos pelo pouco saber adquirido/ confiar nas mãos dos que nos precedem,/ ou que nos seguem em companhia,/ e por isso, mais confiantes, /já pouco hesitámos nos nossos passos.



No inicio da terceira volta, O Mestre de Cerimónias proclama:

- Esta terceira e última viagem/ simboliza o grau de maturidade e mestria/ que podemos alcançar,/ os nossos passos são mais rápidos,/ e acham-se mais soltos e lestos,/ já podemos auxiliar aprendizes e companheiros,/ pois só se transmite o que antes se adquire!




Evocação Final

Mestre de Cerimónias -Terminada a terceira volta, a cadeia fica estática, no seu ponto de partida, mantendo-se todos (numa nova cadeia) com as mãos esquerdas no ombro direito da testemunha da esquerda, e com a mão direita sobre o próprio coração, em sinal de felicidade, fidelidade e comunhão, constituindo-se assim, uma corrente solidária e purificadora de energia positiva!



- Meus Irmãos.. e meus Amigos.., congratulemo-nos pela cerimonia que cumprimos com rigor, ritual e lealmente.

-Que o símbolo das chamas que fizemos reviver,/ nos conduza por cada um dos dias vindouros/ para a Perfeição do nosso Trabalho.

-Fiquemos fortalecidos nos nossos corações/ pelo Amor do nosso próximo,/ e pelo sentimento de fidelidade no cumprimento dos nossos Deveres de consciência,/ como nós nos devotamos ao serviço da Verdade.

-Que as nossas futuras Festas/ de celebração dos Solstícios e do Fogo de São João,/ sejam cada vez mais afirmadas pela vossa união,/ e pela vontade de sermos úteis aos nossos semelhantes.



- Que elas sejam para sempre/ um espaço de Paz, (de Harmonia,/ e de Tolerância fraterna,/ e que a Cadeia das nossas mãos e corações/ seja, a partir de agora,/ tão forte entre nós,/ que nada possa,/ nunca a quebrar.



............



PAUSA de Poucos instantes

Mestre Celebrante do Oriente - Rompamos a Cadeia de União ao meu exemplo! ( e explica)


- Acompanhem-me ao meu ritmo : desfazem a cadeia e soltam as mãos, levantam os 2 braços ao céu, e depois deixam-nos cair ao longo do corpo com uma palmada seca. Todos ao mesmo tempo!
…………………….


(curta pausa, mantendo-se a formação do círculo)


Mestre Celebrante do Oriente - A que momento devem os fogos de São João estar findos no Solstício?

Mestre Celebrante do Ocidente - É meia Noite ! O momento chegou !

Mestre Celebrante do Oriente - Porque assim é, antes de nos separarmos com ordem e harmonia, que ressoe uma ultima vez na noite, o nosso triplo sinal de alegria:

-Todos, e três vezes três!


Vivat, Vivat, semper Vivat
Todos :
Vivat, Vivat, semper Vivat
Todos
Vivat, Vivat, semper Vivat

(final)

O Mestre de cerimónias: empunha o seu archote aceso, e sob a música de uma ode à alegria (de Beethoven, ou do Cirq du Soleil) conduz o cortejo dos Mestre Celebrantes, e Testemunhas participantes, para em coluna individual, abandonarem em silêncio a plataforma da cerimonia, e descerem para regressaram em fila e à esplanada da Nogueira Velha, do ágape.

Sunday, May 23, 2010

Proxima tertúlia dia 26 de Junho, sábado início as 20h para cerimómia ritual de evocação do Solsticio de verão do ano de 2010

- Convocam-se os celebrantes:
o Nascente a Oriente,
o Poente, a Ocidente.
- Convocam-se
o Boreal a Norte
e o Meio Dia a Sul!
- E convocam-se todos os participantes e testemunhas que desejem inscrever-se
para o ritual de evocação do Solsticio de 2010.

O ritual inicia-se com um agápe volante pelas 20h. Prevê-se o termo pelas 22.30
Os participantes devem ser membros da Tertúlia, ou convidados por estes.
Vestuario branco. A cada participante será fornecida uma chama individual.
Lotação limitada. Inscrições abertas pelo e-mail bar.do.alem@gmail.com

A cerimónia ritual de evocação para o solsticio de verão Promovida pela Tertúlia Cultural do Bar do Além, em Alenquer, terá o mesmo manual publicado neste blog, e utilizado no ano de 2009 que pode ser visto neste link:


http://bardoalem.blogspot.com/2009/06/cerimonia-de-evocacao-do-solsticio-do.html

Sunday, May 02, 2010

Fotos e textos da Terúlia sobre AMOR...a natureza incompleta fisica e espiritual do Homem na busca da sua AMETADE: o Amor não platónico em Platão

Realizada em 22 de Junho, com mais de 30 participantes


O mito do amor em Platão


Orador Prof Jose Marques

Sessão sobre o AMOR EM PLATÃO...Para uma mesa redonda participada

Todos os homens desejam de um ou outro modo a imortalidade, transcenderem a parca existência dos seus corpos perecíveis, colocarem-se para além dos limites naturais da morte e da destruição.

Ora o amor não é mais do que um dos modos privilegiados de o conseguirem.

É esta asserção que irei tentar demonstrar a que junto uma outra: O amor ao invés de ser sinónimo da nossa excelência é originário no carácter híbrido dos homens e consequentemente na sua incompletude.

São estas duas estranhas teses que irei desenvolver a partir do comentário ao belíssimo texto de Platão em forma de diálogo: O Banquete ou Simpósio, como o título sugere a acção decorre num Banquete que o dramaturgo Ágaton oferece em sua casa após haver vencido uma competição teatral.



Estes banquetes eram frequentes na época e poderiam degenerar em orgia ou em alguns casos, como o presente, serem palco de conversas e discussões elevadas sobre um qualquer tema de cariz estético, filosófico ou político.

Eram eventos frequentes e reuniam a nata da intelectualidade ateniense em debates tão informais quanto elevados.

Intervêm Apolodoro, Sócrates, Aristodemo, o autor de comédias Aristófanes, Erixímaco; o médico, o célebre Fedro e o celebérrimo e controverso Alcibíades.

Chegam os convivas que a convite do dono da casa se acomodam sendo dadas instruções aos escravos para os servirem como quiserem, na condição de receberem os elogios destes.

Estes banquetes eram acompanhados de dançarinas e tocadoras de flauta que animavam as reuniões e em alguns casos se misturavam com os convivas quando estes bem bebidos se dispunham a darem largas à satisfação dos instintos.

Neste caso, os serviços destas personagens são dispensados, o que se justifica por duas razões: Primeira, os participantes deste banquete haviam estado numa reunião semelhante no dia anterior estavam saciados e até ressacados. Por outro lado, há uma intenção clara de imprimir um cunho de seriedade e de elevação a esta reunião.

Por sugestão de Ágaton o tema a ser debatido é o Amor sendo cada um responsável por proferir os melhores discursos que possa sobre tão estimulante tema.

O autor teatral justifica a sua escolha por ser tão ávara a produção literárias em honra deste tão poderoso e antigo deus. (Ainda não havia nascido o grande Ovídio)

Fedro, o primeiro a intervir, ilustra o seu propósito de modo bem eloquente: “...eu próprio já tive a ocasião de ler uma obra de um certo sábio onde o sal era exaltado até às nuvens em razão da sua utilidade...Quanto ao Amor verás que até ao dia de hoje nenhum homem se dignou dirigir-lhe um canto condigno.”

A isto curiosamente, Sócrates responde afirmando que nada mais conhece que não seja de amor, ele que dizia nada saber.

O primeiro discurso será de Fedro, como já o referimos.

Começa por referir que “o Amor era um grande deus, um deus na verdade admirável aos olhos dos homens e também dos deuses, por muitos e variados motivos entre os quais avultava a sua origem”.

.....” A sua dignidade deve-se ao facto de ser o mais antigo entre os deuses... Hesíodo afirma que primeiro existiu o Caos e depois a terra de peito ingente, suporte inabalável de tudo quanto existe e Eros o mais belo entre os deuses imortais, que amolece os membros e no peito de todos os homens e deuses domina o espírito e vontade esclarecida” (Teogonia)

“ Também Parménides alude à geração, pensou primeiro no amor antes de todos os deuses”

E assim fica esclarecido que o amor é o “ deus mais antigo venerável, sendo como tal, aquele que nos traz maiores benefícios.”

Fedro continua a sua argumentação num sentido muito interessante; “ os homens, aqueles que se esforçam por viver uma vida bela, é necessário que considerem que nem a nobreza do parentesco, nem as honras nem o dinheiro, nem nenhuma outra coisa são capazes de inspirarem actos tão belos como o amor.”

Partindo do pressuposto que a infâmia que recai sobre as acções vis e a glória que cobre as acções belas, são motivadoras das boas acções tanto de indivíduo como de um Estado Fedro afirma que “se alguém praticar acções censuráveis em público ou receber injúrias de alguém , não se defendendo por cobardia à vista do pai, ou dos amigos, sofrerá tanto como na presença do ser amado.”

Assim os amantes só podem ter um comportamento admirável, em tudo o que façam à vista do amado, pois nada lhe será mais doloroso que a vergonha e a infâmia face ao ser amado. É por essa razão que tal homem não desertará das fileiras e será impedido pelo amor a largar as armas e fugir face ao amado. Que admirável será o ser que ama. Tal como Alceste que por amor do companheiro se dispõe a morrer em vez dele, provocando tal admiração entre os deuses que estes não hesitam em fazer que a sua alma retorne do Hades, reino dos mortos como recompensa da sua bravura.


Depois deste admirável discurso é a vez Pausânias que contesta a singeleza conceptual proposta por Fedro, afirmando que o deus do Amor não é um único, mas sim vários e nem todos são igualmente dignos de elogios, Só a espécie de amor que impele a amar nobremente, merece a nossa consideração. É assim estabelecida a relação entre Eros e aretê, virtude.

Pausânias distingue entre o amor vulgar, protagonizado pela Afrodite popular, em que o desejo visa os corpos e não as almas. No início desta conversa chamámos a atenção para o carácter transcendente e imortal do amor ao invés da precaridade do que vive corporeamente. Se o que se persegue é a imortalidade está explicada a razão da distinção. Todos sabemos por experiência própria como o tempo, as doenças e os vícios podem destruir a beleza do corpo, tornando-o decadente e fátuo. Então há que destacar outro tipo de amor mais perene e desta feita dirigido para as almas, para o espírito, que na opinião do locutor não perecem, mantendo-se inalteráveis.

De resto estes dois tipos de amor marcam os dois tipos de comportamento amoroso: O primeiro próprio dos espíritos mais vulgares e grosseiros, só se interessa por seres destituídos de inteligência, pois aqui vale o menor esforço e a satisfação imediata dos sentidos. Assim o investimento é fortuito e débil, como fugaz é o desejo e a sua consumação.

Bem diferente é esse outro tipo de amor, ligada à deusa celeste, Úrana, em que busca um amor mais puro e sobretudo sólido, capaz de resistir à degradação dos corpos, pois é o espírito que é o verdadeiro objecto.

Pausânias conclui: “ O amor não tem uma natureza simples, bela ou feia em si mesma; mas realizada com beleza torna-se bela, e com vileza torna-se aviltante; ora, realizá-la com vileza é conceder favores a alguém indigno e realizá-lo de maneira bela é conceder favores a um homem de bem.”

Chega a vez de Eraxímaco

Concorda com a distinção de Pausânias, no entanto estribado na sua experiência de médico estende a noção de amor a todas as coisas vivas, animais e plantas. Nomeadamente os enormes sacrifícios que os progenitores fazem pelas suas crias, mesmo em situações limite, com o fito de perpetuar a espécie no desafio à perenidade tantas vezes já referida.

Mas na arte médica também se articularão as influências do amor. Já não falando da atitude sumamente generosa que consiste em curar e preservar a vida de outrem, por parte de quem faz o juramento de Hipócrates, a dimensão amorosa penetra no âmago da arte médica helénica. Na verdade a medicina era para os gregos a preservação do equilíbrio dos elementos do corpo e da alma.

“ O que Pausânias dizia, que era belo agradar aos homens dignos, e, aos desregrados, vergonhoso, o mesmo se aplica aos corpos: é belo e deve manter-se e favorecer os elementos sãos e belos em cada corpo ( e a isto se chama medicina)enquanto aos maus aqueles que provocam a doença, é mau ceder, havendo obrigação de contrariá-los.... Precisamente a medicina consiste na ciência dos fenómenos do amor no corpo relativos à repleção e à vacuidade; quem saiba neles distinguir o bom e o mau amor é precisamente um bom médico.”

Esse bom médico, fiel à tradição médica helénica deve saber “ criar amizade entre os elementos mais hostis do corpo e levá-los a amarem-se; o frio e o quente, o seco e o húmido, o amargo ao doce, etc.

É interessante verificar que a maioria das doenças era, na convicção daqueles tempos, provocadas por desequilíbrios entre estes e outros elementos. Competia ao médico evitar essas rupturas, amorosas na harmonia.

Eraxímaco estende a influência do amor a outras artes, como a agricultura e ginástica.

Citando Heraclito fá-lo surgir na actividade musical, já que elementos inicialmente discordantes como o agudo e o grave, acabam por se conciliar e harmonizar na música.

O discurso do médico extravasa agora para os homens ao afirmar que é nossa obrigação proteger os moderados, assegurar o seu amor no sentido de os tornar ainda melhores aos que o não são, tal é o amor superior da Musa Urânia a que se opõe a Musa popular, Polímnia.

Mais uma vez a ligação do amor a uma lógica de virtude, neste caso inserida na dimensão da justa medida, fonte de prazer. No amor, tal como na gastronomia, dever-se-á procurar o prazer sem excesso. Como explicará muito depois Freud, a busca desmedida do prazer conduzia frequentemente à aniquilação.

Chega a vez do célebre autor de comédias, Aristófanes, falar, que começa por dizer que “os homens não suspeitam nem de longe os efeitos do amor, senão consagrar-lhe-iam os templos mais sumptuosos e oferecer-lhe-iam os sacrifícios mais de maior valia”

Aristófanes conquista a ênfase do auditório ao contar o mito da origem do amor como sendo o irresistível impulso que leva os homens a buscarem a sua outra metade, após os deuses irritados com a perfeição e poder dos antepassados dos homens; os hermafroditas os haverem “partido ao meio”, já que estes seres andróginos eram dotados de duas faces opostas e quatro pares de membros, assim como de dois sexos, “ com as costas e os flancos arredondados e em círculo” caminhando direitos e nos dois sentidos ou às cambalhotas quando tinham de vencer rapidamente uma dada distância..

“ Ora estes homens eram dotados de terrível força resistência e alimentavam planos ambiciosos, pelo que começaram a atentar contra os deuses”( 190 b) pelo que estes os separaram no sentido de diminuírem o seu poder sem terem que os exterminar.

Ora quando a forma natural se achou dividida em duas, cada metade com saudades da sua outra metade... não mais aspirava senão em fundir-se num só. (191 b)

Então o amor mais não é do que perseguir a metade que nos pertenceu e da qual sofremos de intensa falta.

Cada um de nós não passa de uma téssera, e é a sua própria téssera ou metade que cada um de nós procura infatigavelmente.

“ Em consequência todos os que são provenientes de um ser misto, procuram o ser do sexo oposto, podendo ocorrer que se forem provenientes de um único ser feminino se inclinem para as mulheres e para os homens se forem provenientes de um ser masculino

Veja-se como Aristófanes explica não só o amor como a raiz da homossexualidade quer feminina quer masculina.

Em 193 a Aristófanes preludia a tese de Sócrates ao afirmar que a força e a natureza do amor reside afinal da nossa incompletude, “ cada um de nós formava um todo; ora é essa aspiração ao todo a que chamamos amor. Se dantes éramos completos, estamos agora reduzidos à dispersão.

Na verdade e talvez surpreendentemente Sócrates quando inicia o seu discurso reserva duas atitudes originais:

Em primeiro lugar coloca uma mulher, uma sacerdotisa a falar de amor por ele e em segundo lugar na linha de Aristófanes vai caracterizar a natureza do amor como a mais eloquente prova na nossa relativa imperfeição.

Esta situação ainda será remediada por Ágaton que elogia o amor como possuindo uma natureza bondosa, sendo os seus dons decorrentes dessa natureza. (196 a)” o amor ....se move e habita sobre o que de mais suave existe, afastando-se do que é áspero e fero.... só quando encontra um sítio adornado de flores ele pousa e se instala” É belo e consequentemente é bom.

Ora estas duas intervenções vem a calhar pois Sócrates vai dar-lhes grande utilidade na lógica do seu discurso

Em 197 e, afirma Ágaton, “ é ele o amor que apaga em nós a ideia de sermos estranhos uns aos outros e nos comunica um sentimento de familiaridade através de reuniões como esta... abrindo, por um lado as vias à delicadeza, fechando-os por outro à rudeza, liberal em conceder favores e incapaz de malquerenças; amável e alegre contemplado por sábios, admirado por deuses, objecto de inveja para os que o não o logram e para os que o partilham é pai das delícias, da doçura e do requinte... propício aos bons, desatento aos maus.”

Veremos o uso que o filósofo dará a estas duas visões tão radicalmente diversas.

Sócrates logo em 200b chama a nossa atenção para o facto de amor ser o desejo daquilo que se ama. Ora se amamos desejamos e se desejamos não o temos, pois que só podemos desejar o que não possuímos, muito embora o conheçamos o suficiente para o possuir. Ora como admitirá Ágaton o amor é acima de tudo o amor do Bem e não do vil, o que parece irresistivelmente demonstrar que o não o possuímos pois só desejamos o que afinal ainda não temos. Ora como o amor do Belo é o amor do Bem, tal significa que estamos tão desprovidos de um como do outro e por isso amamos ambos.

É a partir destas duas premissas dadas por Aristófanes e Ágaton que se torna plausível a estranha natureza híbrida do amor, segundo a narrativa de Diotima,. Em Mantineia.

Quando Sócrates lhe falou do amor como algo de belo e de excelso, a mulher refuta-o nos termos que Sócrates utilizou para contestar a visão idílica do jovem e talentoso Agaton.

O amor não poderia ser belo ou bom. Ao que Sócrates surpreendido responde : É então o amor feio e vil. Diotima responde-lhe:

“Cuidado com o que dizes... ou achas que por não ser belo, tem forçosamente de ser feio?”

A confusão de Sócrates não tem limites. Então como classificar como um deus algo que afinal não é vil nem bom, não sendo feio ou belo?

Diotima classifica o amor como algo de prodigioso, um génio, intermédio entre os homens e os deuses, pois que a sua origem assim o demonstra; 203 a e ss

Fruto do encontro entre o Engenho adormecido no banquete em honra de Afrodite, que cheio de hidromel jazia estirado nu e tentador para a pobre Pénia, a indigente que como era costume veio mendigar os restos do festim e que não desperdiça a sorte de conceber com o belo deus o filho que há muito desejava ter.

Assim se explica a natureza dual e contraditória do deus, “...descalço, sem morada, estirado sempre por terra sem ter nada que o cubra, é assim que dorme ao relento...”

Mas logo vem a herança do pai na ousadia na coragem e persistência na busca do que é bom e belo. Caçador temível, sempre a arquitectar qualquer armadilha, sedento de saber e inventivo, “a vida inteira passa filosofando este hábil feiticeiro, mago e sofista.”

O Amor é assim amante do belo e do bem contudo sem os possuir, passa a vida perseguindo-os, como um paciente predador até lograr capturar a sua presa.

O amor não possui o seu objecto, mas de algum modo já o possui já que o reconhece ao ponto de desejá-lo com toda a convicção do seu ser. É esse o carácter do amor em Platão:

Só amamos o que desejamos e só desejamos o que não temos, embora o tenhamos a ponto de o querermos mais. Eis a metáfora do homem que pela sua natureza é amante do que se julga privado: carinho, sabedoria, carícias etc.

Distinto portanto das pedras que não sentem falta de nada, tão pouco dos deuses a quem nada falta.

Está dada a resposta à fome de imortalidade e Absoluto que nutrimos desde a tenra infância. Isto é não sendo imortais, mas tendo a centelha de imortalidade em nós que nos impele a superarmo-nos na busca do que é imperecível, o bem e o belo são imutáveis, não engendrados na óptica de Platão, resta-nos conquistá-los.

Que nos resta a nós homens?
Platão deu a sua resposta, e nós?






















































Tuesday, March 30, 2010

Fotos texto da Tertulia em almoço debate do Bar do Alem sobre a ALQUIMIA DO PALáCIO E JARDINS DA REGALEIRA



Realizada no sábado 24 de Abril, as 12h, na Tertúlia do Bar do Além

Orador João Susano
e quem quer aderir ao facebook da Regaleira pode seguir para o link...
http://www.facebook.com/pages/Sintra-Portugal/Quinta-da-Regaleira/103738155478?v=wall

João Luis Susano foi durante seis anos guia na Quinta da Regaleira. A experiência do trabalho aí desenvolvido e o contacto diário com os conteúdos temáticos das Ciências Herméticas levou-o a interessar-se por outros lugares de profundo significado esotérico.



Tem guiado visitas a lugares como Alcobaça, Cós, Nazaré e à Baixa Pombalina de Lisboa, na óptica da História e da Tradição Mítica portuguesas.



Criou em 2009 as edições Arcano Zero, cuja linha editorial incide sobre os estes mesmos assuntos e outros conexos. Frequentou o Curso de Licenciatura em Antropologia da F.C.S.H. da Universidade Nova de Lisboa

moderador Luis Nandin de Carvalho
Tema: Alquimia na Regaleira
texto de apoio sugerido por Joao Susano

Há já cerca de vinte anos que a Quinta da Regaleira é conhecida no panorama cultural português como “a Mansão Filosofal de Sintra”. Esta designação vem vinculando o Palácio e os seus jardins ao livro escrito por autor desconhecido que assinou com o pseudónimo Fulcanelli, (que significa o Fogo de Hely), publicado em França em 1930 com o título “Les Demeures Philosophales” e traduzido em português nas edições 70, no ano de 1989 com o título (a meu ver incorrecto) “As mansões filosofais”.



O assunto de que trata o livro é a Alquimia, arte multimilenar que todos julgavam definitivamente arrumada na gaveta das superstições e de que este livro veio dar a prova inequívoca da sua continuidade nos dias de hoje.



Mas o que tem a ver a Quinta da Regaleira com a Alquimia?



De que elementos dispomos para produzir um discurso de teor alquímico em torno desta propriedade?



O que sabemos nós acerca do seu encomendante, o Dr. Carvalho Monteiro, filantropo e homem das Ciências Naturais numa época em que estas estavam já imbuídas de um positivismo epistemológico, o mesmo positivismo que catalogara a Alquimia de pré-química infantil?

E o que tem tudo isto a ver com a Maçonaria, movimento de ideias liberais nascido em Inglaterra, com forte presença em Portugal no final do séc XIX e inícios do XX, ao qual se tem associado a Quinta mas cuja simbólica desconhece Nossa Senhora, precisamente a referência que domina nas imagens e inscrições da Capela da Quinta da Regaleira?  Aqui fica o convite a uma visita virtual a este lugar ímpar que é a Regaleira, e a vislumbrar por detrás das aparentes contradições a coerência do pensamento do Dr. Carvalho Monteiro.

Sunday, March 21, 2010

Excelente tertúlia sobre a TEORIA da DOUTRINA SECRETA da TEOSOFIA com Jose Anacleto!



AS TRÊS PROPOSIÇÕES FUNDAMENTAIS

DA DOUTINA SECRETA
(HELENA BLAVATSKY)

Renascimentos

A Doutrina Secreta de Helena Blavatsky, a obra maior de Ciência e Filosofia Oculta à disposição do público, apresenta, no seu Proémio, uma síntese magnífica de tudo o que é essencial e causal para a compreensão dos Mistérios da Vida e do Ser, formulada nas suas três proposições fundamentais. Nelas, encontramos o ponto de partida e a fundamentação de qualquer temática (do Esoterismo ou, realmente, de tudo), incluindo, naturalmente, a deste artigo. E por este motivo, bem como por serem uma referência que importa nunca perder de vista, aqui as vamos reproduzir:

PRIMEIRA
Um Princípio omnipresente, Eterno, Ilimitado e Imutável, sobre o qual toda a especulação é impossível, dado que transcende o poder da concepção humana e não pode ser traduzido por qualquer expressão ou comparação humana. Está para além do alcance do pensamento; é, segundo a expressão do Mandukya-Upanishad, ‘impensável e indizível’.

Para que se possa compreender mais claramente estas ideias, deve o leitor adoptar como ponto de partida o seguinte postulado: há uma Realidade Absoluta, anterior a tudo o que é manifestado ou condicionado. Esta Causa Infinita e Eterna, vagamente formulada no “Inconsciente” e no “Incognoscível” da filosofia europeia em voga, é a Raiz sem Raiz de “tudo quanto foi, é e será”. É, naturalmente, desprovida de todo e qualquer atributo e permanece essencialmente sem nenhuma relação com o Ser manifestado e finito. É a “Asseidade”, mais propriamente que o Ser; é Sat, em sânscrito, e está fora do alcance de todo o pensamento ou especulação.

Esta Asseidade é simbolizada, na Doutrina Secreta, sob dois aspectos. Por um lado, o Espaço Abstracto Absoluto, representando a subjectividade pura, aquilo que nenhuma mente humana pode excluir de qualquer concepção nem, tampouco, consegue conceber como existente em si mesmo. Por outro lado, o Movimento Abstracto Absoluto, que representa a Consciência Incondicionada. Mesmo os nossos pensadores ocidentais mostraram que a consciência, considerada sem mutação, é inconcebível para nós, que o Movimento é o melhor símbolo dessa mutação e a sua característica essencial. Este último aspecto da Realidade Única é também simbolizado pelo termo “Grande Sopro”, símbolo bastante sugestivo para necessitar elucidação. Assim, o primeiro axioma fundamental da Doutrina Secreta é esta Única e Absoluta Asseidade metafísica, que a inteligência limitada representou na Trindade teológica.

SEGUNDA
A Eternidade do Universo, no total, como um plano sem limites; periodicamente o “cenário de Universos inumeráveis que se manifestam e desaparecem incessantemente”, chamados “Estrelas que se Manifestam” e “Centelhas de Eternidade”.

“A Eternidade do Peregrino” é como um abrir e fechar de olhos da Existência-em-si-Mesma, como diz o Livro de Dzyan. “O aparecimento e desaparecimento dos Mundos são como o fluxo e o refluxo periódicos das marés”.

Esta segunda asserção da Doutrina Secreta é a absoluta universalidade desta lei da periodicidade, de fluxo e de refluxo, de maré enchente e vazante, que a ciência física tem observado e registrado em todos os domínios da Natureza. Alternâncias como Dia e Noite, Vida e Morte, Sono e Vigília, são um facto tão comum, tão perfeitamente universal e sem excepção, que é fácil de compreender porque aí divisamos uma das Leis absolutamente fundamentais do Universo.

TERCEIRA
A identidade fundamental de todas as Almas com a Super-Alma Universal, sendo esta última, ela própria, um aspecto da Raiz Desconhecida; a peregrinação obrigatória de todas as Almas, centelhas daquela Super-Alma, através do Ciclo de Encarnação (ou da “Necessidade”), de acordo com a Lei Cíclica e Kármica, durante todo esse período. Por outras palavras: nenhuma Buddhi (Alma Divina) puramente espiritual pode ter uma existência independente e consciente antes que a centelha saída da pura Essência do Sexto Princípio Universal – isto é, da Super-Alma – tenha (1) passado através de cada forma elementar do mundo fenomenal deste Manvantara e (2) adquirido a individualidade, primeiro por impulso natural e depois à custa dos próprios esforços conscientemente dirigidos (e regulados pelo seu Karma), percorrendo assim todos os degraus da inteligência, desde o Manas mais baixo até ao mais elevado, do mineral e da planta até ao Arcanjo (Dhyâni-Buddha) mais santo. A doutrina axial da Filosofia Esotérica não admite privilégios, nem dons especiais, no homem, salvo os que o seu próprio Ego conquistou pelo esforço e mérito pessoais no decurso de uma longa série de metempsicoses e reencarnações 1.

Apliquemos agora esta síntese notável à questão dos Renascimentos.
Poder-se-á pensar, superficialmente, que a primeira das proposições nada tem a ver com o tema do Renascimento e da Reencarnação. Na verdade, porém, é o seu ponto de partida incontornável.

Ser e Permanência
Com efeito, é preciso que haja um fundamento permanente de Ser. Só aquilo que É, permanentemente, pode viver, morrer, e renascer; só aquilo que É, permanentemente, pode expressar-se numa forma, ou conjunto de formas, abandoná-la(o) e incorporar-se num(a) outra(o). O processo reencarnativo ou de renascimentos implica a existência de uma dimensão de permanência, e de uma outra de impermanência. É a manifestação (ou a radiação ou reflexão2) daquilo que é permanente em formas impermanentes, que caracteriza a reencarnação. Se a forma onde se nasce ou encarna não tivesse fim, não haveria novos nascimentos, porque jamais se daria a morte; e se a fonte de onde emana essa projecção de vida ou ser não fosse permanente, não haveria novos e sucessivos nascimentos; no limite, se não houvesse ser, radical e necessário, não haveria nascimento, nem morte, nem nada.

Potencialidade e Acto
No entanto, esse Ser, é pura potencialidade – potencialidade de tudo, contudo, acto nenhum. É destituído de atributos, tanto positivos como negativos. Potencialidade absoluta de tudo, é, assim, actualidade de nada. Base de todas as manifestações, experiências e qualidades de ser, não tem em si mesmo nenhuma em particular. Para tanto precisa de passar pela relatividade, limitadora mas também definidora; sofrida mas também disciplinadora 3; dura, mas também despertadora dos poderes latentes.

É assim que temos a peregrinação obrigatória, necessária, pelo ciclo da Encarnação, conforme a Terceira daquelas Proposições. Através dela, a Mónada Divina, saindo da homogeneidade primordial, projecta-se no mundo fenomenal, objectivo, descendo os sucessivos graus de materialidade, adquirindo, nos chamados Reinos Elementais, a capacidade de ser forma; depois, no que costuma designar-se por Arco Ascendente, progredindo até à consciência individual (de eu individual), característica da etapa humana; e, a partir daí, ampliando essa consciência, na senda de um englobamento cada vez maior, até chegar a uma consciência universal – a re-união consciente com o Todo.

Este regresso autoconsciente (isto é, com a consciência de ser um Eu [divino e espiritual mas também inteligente]) ao Uno é a consumação de um longo e prodigioso processo evolutivo. No entanto, ao aludirmos a “evolução”, não pretendemos significar a ideia de que o maior seja produzido pelo menor (o que é uma impossibilidade já sustentada, inclusive, por Aristóteles), como o fazem certos postulados de evolucionismos mais ou menos científicos4 e mais ou menos materialistas.

Com efeito, o que o ciclo (re)encarnativo permite é a passagem da Potencialidade ao Acto. Tal implica o desdobramento da Consciência de Relação a partir da sempiterna Consciência Absoluta (que é a potencialidade de tudo mas actualidade ou efectividade de nada em particular): consciência de relação entre o espírito e a matéria, entre a subjectividade e a objectividade (levando à identidade individual e à auto-consciência), consciência de relação do Todo centrado num ponto (um Eu) e o Todo espargido pelo círculo, que é constituído por outras Unidades de Vida que são também, cada uma delas, o próprio centro do Todo.

A Lei da Periodicidade
A Encarnação implica a relação entre um nível de Permanência (Espírito) e um nível de Impermanência (as formas substanciais ou materiais), o que se coliga com a Segunda Proposição. Efectivamente, no Ser Eterno e Ilimitado, cósmico ou Humano, exsurgem Universos (ou formas encarnativas) inumeráveis que se manifestam e desaparecem incessantemente, e que são como um abrir e fechar de olhos da Existência-em-si-Mesma. E entre essa Permanência (a verdadeira Realidade) e a Impermanência (irrealidade ou aparente realidade) há uma constante sucessão cíclica, de acordo com uma das Leis absolutamente fundamentais do Universo – a Lei da Periodicidade.

O que é Permanente é o cenário, o pano de fundo, o espaço, a raiz, o Ser que permite e de onde irradia o que é impermanente. No entanto, como Ser-Consciência Absoluta, não está (directamente) envolvido na existência mortal, na Impermanência, e em todos os seus episódios e fenómenos. Testemunha silenciosa, Ser Imutável (que é Movimento Absoluto), a tudo assiste sem se envolver, sem se condicionar, sem se relativizar.

O simples fragmento (para usar a expressão do Bhagavad Gîta, 9: 4 e 10: 42), o simples raio, a simples possibilidade manifestada que, projectada do Permanente, permite a existência condicionada, a construção e a vitalização das formas materiais, e a consciência que nele há e se desenvolve, é a Alma. É esta que involui5 ou se contrai, e que se expande ou evolui.

Encarnação Humana
Temos, até agora, usado palavras e conceitos que, por analogia, são aplicáveis tanto à Encarnação Cósmica (ou Macrocósmica), como à Encarnação Humana, como à Encarnação nos Reinos precedentes ao Humano, por onde nós6 igualmente já passámos. “A doutrina da reencarnação aplica-se a cada átomo no universo”7.

Agora, contudo, tratemos mais especialmente da Encarnação Humana.

Para entendermos o processo encarnativo no Ser Humano, é necessário recordarmos a sua constituição septenária de princípios vivenciais e cognitivos.

Antes de tudo, é ele uma Unidade Divina Imortal, o Eu-Ser Absoluto. Em sânscrito, é o Âtman, mais propriamente o Âtman sem atributos, o Adhy-Âtman (Espírito Supremo ou Primordial), a Mónada no seu sentido radical.

No entanto, esta pura unidade, não poderia espoletar e aproveitar-se da dialéctica da manifestação encarnativa – a peregrinação pelos diferentes níveis de substancialidade – sem algo que lhe contraste, que seja um pólo oposto e complementar, que seja o seu mediador na existência objectiva. Esse “algo” é a Alma Espiritual, ou seja, o veículo do Espírito: Buddhi, em sânscrito, o princípio de determinação da consciência, de discernimento espiritual, de sabedoria íntima e unificadora. Esta é a Díade Monádica ou Espiritual, em que Âtman é positivo, e Buddhi é receptivo, feminino. Como, porém, da união de dois pólos opostos mas complementares, surge sempre um terceiro elemento, a Tríade completa-se com a Inteligência, o Manas Superior, a Mente Abstracta – o Filho do Homem. É através da Mente que o Homem Espiritual e o Homem Animal-Material, se encontram, se chocam, se contrastam. No que se refere aos mundos inferiores, e nas palavras de Helena Blavatsky, “Buddhi só percebe por intermédio do Manas Superior” 8.

Esta Tríade Superior (Âtma-Buddhi-Manas) é perene. Dura todo o ciclo de reencarnações – de centenas e centenas de existências. Ao final, a díade monádica recebe a quintessência, o aroma espiritual do Manas Superior, com a síntese de toda a qualidade desenvolvida na experiência. Tal fora armazenado, justamente, nos níveis de conjunção de Buddhi e Manas, de cuja substância se constitui o chamado Corpo causal. “Este ‘corpo’ [causal], que, na realidade, não é corpo algum, nem objectivo nem subjectivo, mas Buddhi, a Alma espiritual, é assim denominado por ser causa directa do estado de Suchupti, que conduz ao de Turîya, o mais alto estado de Samâdhi. Os yogîs, que praticam o Târaka-Râja-Yoga, dão-lhe o nome de Karanopudhi, ‘a base da Causa’, e, no sistema vedantino, corresponde ao Vijñanamaya e ao Ânandamaya-Kosha (sendo de se notar que este último princípio segue imediatamente o Âtman e é, portanto, o veículo do Espírito Universal). O Buddhi, por si só, não poderia ser chamado de ‘Corpo Causal’, porém chega a sê-lo em união com o Manas, o Ego ou entidade que se reencarna. [Assim, pois, chama-se Corpo Causal ao conjunto Buddhi-Manas, ou seja, o quinto e sexto princípios unidos, e é assim chamado porque recolhe dentro de si os resultados de todas as experiências, as quais, trabalhando como causas, moldam as vidas futuras.]”9.

“Ao reencarnar, o Ego Superior emite um Raio, que é o Ego Inferior”10. O último é apenas uma expressão parcial do primeiro. É somente uma sua manifestação limitada, tal como um raio solar o é da estrela de onde promana. Só à medida que o homem progride é que maiores potencialidades da sua natureza espiritual se vão expressar nos níveis inferiores.

Este derramar da vida e da consciência da Tríade Espiritual, mais propriamente do seu elemento menos elevado, a Mente (Manas) Superior, para formas encarnativas inferiores, representa uma limitação, um enclausuramento, um sacrifício. “A crucifixão do Christos simboliza o auto-sacrifício do Manas Superior”11.

O mencionado raio, essa porção da Mente Superior (aquela natureza mental que é capaz de lidar com o geral e arquetípico) que se projecta para a encarnação, para níveis inferiores, constitui o que se chama Manas (Mente) Inferior; e vai-se ligar à natureza passional, emocional ou dos desejos, que a atrai: Kâma, em sânscrito.

Forma assim a natureza psíquica de uma encarnação, o conglomerado Kâma-Manas – Desejo e Mente (Inferior). É esta natureza psíquica o cerne e o carácter de cada personalidade encarnativa ou Eu Inferior.

Somam-se-lhe três princípios mais objectivos, que completam o Quaternário Inferior ou Forma Encarnativa: o Corpo Astral, que é o molde ou padrão karmicamente condicionado, a partir do qual se constrói (decalca ou duplica) o Corpo Físico (o último, isto é, o mais denso, o mais material dos Princípios). O Corpo Físico é animado e mantido em coerência pelo Princípio da Vitalidade (Prâna), que lhe aflui por intermédio do Corpo Astral (ou Linga-Sharîra).

Recapitulando, há, pois, a considerar:
a) A Unidade Divina Imortal, o Âtman Supremo ou Âtman sem atributos (nirguna), a Essência Monádica, a Centelha da Eternidade, o Eu Divino.

Não podendo, em si mesma, estar implicada na dialéctica da manifestação e da involução-evolução, este Espírito Puro desdobra-se numa Tríade Perene, por meio da qual pode receber impressões da existência múltipla.

b) Esta Tríade Superior ou Tríade Espiritual, o Eu Superior, consiste em:

1. Âtman ou Espírito

2. Buddhi, Alma Espiritual ou Intuição

3. Manas ou Mente Superior

O Manas, em cada encarnação, projecta de si mesmo um raio, um “fragmento”, que vai coligar-se ao:

c) Quaternário Inferior ou Eu Inferior

4. Kâma-Manas

5. Prâna ou Força Vital

6. Linga-Sharîra ou Corpo Astral

7. Corpo Físico

A Vida Antes e Depois da Morte
O Quaternário Inferior, enquanto forma agregada, dissolve-se nos períodos post-mortem. Assim, os três princípios inferiores (Corpo Físico, Corpo Astral e Prâna) são descartados pelo ser humano, ao sobrevir a morte física.

No momento da última pulsação, toda a existência que então cessou é revista pelo ser humano. Se tal visão integral num curto espaço do nosso tempo é possível, tal se deve ao facto de, nesse momento, a personalidade se tornar una com o Eu Espiritual. É por este motivo também, que a vida, no plano físico, que se deixou para trás, é avaliada imparcialmente, compreendendo-se a justiça kármica subjacente à cadeia de causas e efeitos.

Restam, pois, quatro princípios: o Kâma-Manas, o Manas Superior, o Buddhi e o Âtman. E dá-se, então, o ingresso no Kâma-loka, o local (subjectivo) do Kâma.

Aqui, o Manas vai por sua vez separar-se do Kâma-Rûpa, que é deixado para trás, num processo de desagregação. De facto, neste estado intermédio, dá-se a grande “luta” entre as tendências inferiores (mortais), representadas por Kâma, e as tendências elevadas, sementes de espiritualidade (susceptíveis de serem assimiladas na Tríade Superior), que se identificam com a Díade Superior (assim, o Manas é disputado entre Âtma-Buddhi e Kâma). A gestação de tais sementes no Kâma-Loka é necessária para formar a substância adequada (o aroma espiritual da personalidade) ao mundo do Ego Espiritual.

Após uma segunda revisão da vida passada, dá-se a entrada no Devachan, que significa, etimologicamente, “o Paraíso dos Deuses” (outra designação ainda é Sukhavati, palavra igualmente sânscrita, que significa “Terra Feliz”). Trata-se, pois, de renascer no mundo do Eu Superior.

“‘Quem vai para o Devachan?’ O Ego pessoal 12, é claro, mas beatificado, purificado, sagrado. Cada Ego – a combinação do sexto e do sétimo princípios – que, depois do período de gestação inconsciente, renasce no Devachan, é necessariamente tão puro e inocente quanto um bebé recém-nascido. (…) E, enquanto o (mau) karma fica de lado por algum tempo para segui-lo na sua futura encarnação terrestre, ele traz consigo para este Devachan o karma das suas boas acções, palavras e pensamentos. (…) Portanto, todos aqueles que não caíram no lodo do pecado e da bestialidade irrecuperáveis – vão para o Devachan. Eles terão de pagar pelos seus pecados, voluntários e involuntários, mais tarde. Enquanto isso, eles são recompensados; recebem os efeitos das causas que produziram.

Naturalmente, trata-se de um estado; um estado, digamos assim, de intenso egoísmo13, durante o qual o Ego colhe a recompensa do seu altruísmo na terra. Ele está completamente envolvido na bênção de todas as suas afeições, preferências e pensamentos pessoais terrestres, e colhe o fruto das suas acções meritórias. Nenhuma dor, nenhuma aflição, e nem mesmo a sombra de uma tristeza surgem para escurecer o horizonte iluminado da sua pura felicidade; (…) Já que a percepção consciente da personalidade do indivíduo na terra é apenas um sonho passageiro, esta percepção também será a de um sonho no Devachan – só que cem vezes mais intensa. Isso é tão verdade, de facto, que o Ego feliz é incapaz de ver através do véu das maldades, aflições e angústias a que os que ele amou na terra podem estar sujeitos. Ele vive naquele doce sonho com os que ama – quer tenham ido antes ou ainda permaneçam na terra; ele tem-nos perto de si, tão felizes, tão abençoados e tão inocentes como o próprio sonhador desencarnado.

(…) Há muita diversidade nos estados do Devachan14. Há tantas variedades de bem-aventurança como, na terra, há tonalidades de percepção e de capacidade de apreciar tal recompensa15. É um paraíso feito de ideias, produzido em cada caso pelo próprio Ego, e preenchido por ele com o cenário movimentado pelos factos e povoado pelas pessoas que ele esperaria encontrar nesta esfera de bem-aventurança compensatória.

(…) É uma ‘dimensão espiritual’ apenas em contraste com a nossa própria e grosseira ‘dimensão material’ e, como já foi dito, são estes graus de espiritualidade que constituem e determinam a grande ‘diversidade’ de condições dentro dos limites do Devachan. Uma mãe de uma tribo selvagem não é menos feliz que uma mãe de um palácio real, com o seu filho perdido de volta aos braços. (…) Os prazeres experimentados por um indígena pele-vermelha nos seus ‘felizes campos de caça’ naquela Terra dos Sonhos não são menos intensos que o êxtase sentido pelo connoisseur [conhecedor] que passa longas eras enlevados pela delícia de escutar sinfonias divinas tocadas por coros e orquestras angelicais imaginários” 16.

Quando a vivência no Devachan está a cessar, por se esgotar o Karma que o possibilitou, há ainda uma terceira revisão da última encarnação. Então, o homem volta-se de novo para os mundos objectivos, os mundos inferiores, a cujo “apelo” responde. Começa, pois, o processo conducente a nova reencarnação.

De acordo com os padrões kármicos de cada indivíduo, os veículos inferiores são reconstituídos para uma nova encarnação, para uma nova personalidade. Esta obedece às tendências e predisposições (mentais, psíquicas, astrais e físicas) cultivadas na(s) vida(s) anteriores, que determinam a qualidade da substância da nova personalidade encarnativa. Tais predisposições e tendências constituem os Skandhas do ensinamento budista, que são os exércitos do Karma17. No que toca ao Corpo Físico, ele é formado por “dentro”, a partir do molde astral onde esses condicionalismos kármicos ou os Skandhas estão impressos.

A renovação constante
Entretanto, cada renascimento significa uma nova oportunidade. Cada renascimento, cada novo renascimento, significa um novo afluxo de vida: “em nenhum momento está contida tanta energia como no momento inicial”, que é sempre uma idade de ouro. A periodicidade, a renovação constante é omnipresente na Natureza e impulsiona o processo de evolução. Assim, o homem reencarnante, embora tenha karmicamente atraídos, para os novos veículos do Quaternário, átomos-vida que já haviam integrado as correspondentes formas em existências precedentes, rodeia-se também de essência akáshica pura – de substância primordial não “contaminada” por vícios anteriores.

A Importância do Mental
Afirmámos, há pouco, que em cada encarnação manifestamos somente uma gama limitada das potencialidades do Homem Espiritual, particularmente do Manas Superior. As imperfeições e a pouca qualidade da substância dos corpos e dos princípios inferiores não permite mais do que isso, não constituindo veículo adequado para “a manifestação dos Filhos de Deus”18. De resto, usando novamente as palavras de Helena Blavatsky, “O Manas superior não pode guiar directamente o homem: tem que actuar por intermédio do Manas Inferior”19. Entretanto, acrescenta ela pouco depois: “Devemos sempre ter presente que o Manas Inferior, na sua essência, é idêntico ao Manas Superior, com o qual poderá unificar-se repelindo os impulsos kâmicos”.

Quando os impulsos kâmicos (ou seja, dos desejos e emoções egoístas e personalísticos) são dominados e rejeitados, dá-se a sublimação de todos os níveis do Quaternário. De facto, a terminologia corrente de “os pecados da carne” não nos deve induzir em erro. O Corpo Físico, em si mesmo, não é propriamente bom nem mau. Ele faz e torna-se aquilo que as nossas decisões determinam, conforme vão predominando o desejo egoísta (ou egocêntrico) e o correspondente pensamento míope, ou os anseios nobres, as aspirações espirituais, os pensamentos lúcidos, os ideais altruístas, a criatividade superior. No que respeita ao Corpo Astral, ele adquire as qualidades decorrentes das nossas acções psíquicas e físicas.

O nosso grande instrumento de trabalho é, pois, o Mental. É aí que se decide a que tipo de impulsos – superiores ou inferiores – respondemos e aos quais aderimos20. E é aí que se constrói e amplia o Antahkarana, o órgão mental interno, a ponte estendida entre o Quaternário Inferior e a Tríade Superior, entre a natureza mortal e a natureza perene.

O alargamento e consolidação dessa ponte permite em simultâneo manifestar mais amplamente o Eu Superior e permite a recolha mais abundante das qualidades com a quintessência das experiências e lições obtidas no (através do) Eu Inferior, nos planos de maior materialidade. Estes são os que maior contraste oferecem com o Eu Espiritual e que mais agudamente estimulam o despertar das capacidades ou aptidões e o desenvolvimento da consciência de relação, com todos os seus melhores atributos ou virtudes: a Vontade, o Amor, a Sabedoria, a Harmonia, a Justiça, a Consagração, a Ordem Correcta, etc., etc.

Aptidões e Qualidades
Cabe aqui notar que “fisicamente, o homem comum não tem recordação das vidas anteriores, uma vez que já não dispõe dos mesmos instrumentos (nomeadamente o cérebro físico) dessas outras vidas. Contudo, em cada nascimento, trazemos latentes as capacidades – tão diferentes de indivíduo para indivíduo – que nelas desenvolvemos. E essas capacidades – e não a memória de factos concretos – são o que verdadeiramente importa”21.

Deste modo, as aptidões despertadas, as capacidades efectivas e as qualidades individuais – adquiridas através da longa peregrinação pelos diferentes Planos, em muitas situações, nos mais diversos cenários, através de todo o género de atritos, condicionalismos e oportunidades, de inúmeros erros e aprendizagens, e enraizadas nos níveis causais (Buddhi, com a quintessência do Manas Superior) – são a grande conquista do processo evolutivo.

“Terminado o ciclo das suas reencarnações, [o Ego] continua sendo a mesma Consciência Divina, mas então já se tornou uma Autoconsciência individualizada”22. A semente espiritual, “caída” da Árvore da Vida para a terra, onde fica sepultada, onde apodrece e de onde começa o renascimento guiado pela luz solar, acaba por se tornar, ela própria, uma Árvore florescente, que gerará frutos abundantes, e multiplicará as sementes… no ilimitado progresso universal.

O Ensinamento da Reencarnação
A Reencarnação tem sido sustentada, ao longo das Idades, pelas melhores e mais genuínas tradições espirituais e filosóficas, bem como por grande parte dos maiores pensadores que a Humanidade já produziu. Faz parte dos ensinamentos do Hinduísmo, do Jainismo, do Budismo, do Sikhismo, do Taoísmo, do Zoroastrismo, do Hermetismo, do Gnosticismo (Cristão ou não), de muitos expoentes entre os Sufis do Islão, bem como integrava as ideias dos Maniqueístas, dos Cátaros, dos Bogomilos. No seio do Judaísmo, é aceite pela Cabala, e era reconhecida pelos Essénios e Fariseus, unicamente os Saduceus a rejeitando. Muitas outras formas religiosas, em todos os continentes, a incluem e incluíram nas suas concepções da vida 23.

Foi apresentada e defendida – ou, no mínimo, admitida –, por filósofos da grandeza de Pitágoras, Heráclito, Platão, Empédocles, Apolónio de Tiana, Fílon de Alexandria, Séneca, Plotino, Porfírio, Jâmblico, Hypatia, Sinésio, Hierócles, Proclo, Giordano Bruno, Spinoza, Leibniz24, Henry More, Voltaire, David Hume, Kant, Ralph Waldo Emerson, Kant, Fichte, Schleiermacher, Krause, Schelling, Hegel ou Schopenhaeur; artistas, nomeadamente músicos e pintores, tão extraordinários como Wagner, Scriabin, Débussy, Mahler, Sibelius, William Blake, Dante Gabriel Rossetti, Gauguin, Mondrian, Kandinsky, Paul Klee, Salvador Dali ou Nicholas Roerich; escritores e poetas tão celebrados como Camões, Fernando Pessoa, Ennius, Virgílio, Ovídio, Taliesin, Skakespeare, Milton, Goethe, Schiller, Herder, Novalis, Alexander Pope, Shelley, Wordsworth, Coleridge, Tennyson, Robert Browning, Elizabeth Browning, Longfellow, Thomas Moore, Balzac, Lamartine, Victor Hugo, Flaubert, Khalil Gibran, Jack London, Louise Mary Alcott, Somerset Maugham, Oscar Wilde, Arthur Conan Doyle, Tolstoi, Rainer Maria Rilke, Walt Whitman, Rudyard Kipling, William Butler Yeats, George W. Russell, James Joyce, E. M. Forster, L. Frank Baum, Tagore, Maeterlinck ou Romain Rolland; cientistas tão importantes como Newton, Johann Ehlert Bode, David Brewster, Charles Bonnet, Humphrey Davy, Thomas Huxley, Camille Flammarion, Thomas Edison, William Crookes ou Gustaf Stromberg; políticos de tanta relevância como Frederico o Grande, Thomas Paine, Benjamin Franklin, Mazzini, Gandhi, Nehru, David Lloyd George ou Henry Wallace; homens e mulheres tão renomados como Cícero, Flávio Josefo, Plutarco, Rumi (o grande místico islâmico e sufi) Paracelso, Van Helmont, Jacob Boehme, Carlyle, Lessing, Carl Gustav Carus, Friedrich von Schlegel, Keyserling, François Charles Fourier, Henry David Thoreau, George Sand, Henri Amiel, William James, Carl Jung, Oliver Lodge, Henry Ford e tantos, tantos outros.

E quanto ao Cristianismo? A pergunta surgirá naturalmente em alguns leitores. Já escrevemos acerca disso em número anterior da Biosofia25. É preciso distinguir26. Temos, de um lado, as matrizes originais e legítimas do Cristianismo: a figura de Jesus, os ‘ingredientes’ Cabalísticos, Gnósticos (aí integrando grupos como os Nazarenos, os Ebionitas, os Essénios e os Terapeutas), Pitagóricos e Platónicos, da religiosidade Egípcia e das Tradições Orientais – que, conforme a Sabedoria de Todas as Idades, que ecoam – incluem o ensinamento da Reencarnação. Temos, do outro lado, a ignorância ou mesmo a negação de qualquer Ciência Espiritual, a insana pretensão de exclusivismo, a destruição de inúmeros documentos e testemunhos, a fraude e a falsificação não só nos textos evangélicos, como nos escritos de autores como Orígenes. No primeiro caso, temos uma religiosidade sábia e justa; no segundo caso, um amontoado de afirmações ilógicas, incoerentes, destituídas de qualquer senso de proporção e justiça, e tantas vezes imorais e até monstruosas. Qual é a verdadeira mensagem do Cristo?



José Manuel Anacleto

Presidente do Centro Lusitano de Unificação Cultural

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(1) A Doutrina Secreta, de Helena Blavatsky (Ed. Pensamento, São Paulo, 1973; Vol. I págs. 81 a 85).

(2) Toda a manifestação é ilusória, porque é o próprio domínio da impermanência, logo, da irrealidade. O que é real e impermanente está mais além da existência condicionada, que é meramente uma reflexão sua, e na qual, em si mesma, não está envolvida.

(3) Tal é a função da Coluna da Severidade na Árvore da Vida. Aquela é encimada por Binah, que representa a Forma e as Leis que a regem. “A forma limita a vida, aprisiona-a, mas, não obstante, permite-lhe organizar-se… A forma disciplina a força…” (Dion Fortune, A Cabala Mística, Ed. Pensamento, São Paulo; pág. 121).

(4) Dizemos “mais ou menos científicos, porque os modelos evolucionistas darwinistas e neo-darwinistas, apesar de alguns méritos, estão cheios de afirmações não comprovadas (quando não se verificou o seu contrário) e de meras suposições. Acerca disto, cfr., por exemplo, Para Acabar de Vez com o Darwinismo, de Rosine Chandebois (Instituto Piaget, Lisboa, 1996).

(5) Jivâtaman, a vida (anima) de Âtman (Espírito), é a involução do Espírito (na Matéria).

(6) Ou melhor: por onde passou a Vida, a nossa onda de vida.

(7) William Quan Judge, Echoes of the Orient (Point Loma Publications, San Diego, 1987); Vol. III, pág. 180.

(8) Helena Blavatsky, Doutrina Secreta, Vol. VI, pág. 201; Collected Writings, Vol. XII (The Theosophical Publishing House, Quest Books, Wheaton, 1980), pág. 673.

(9) Helena Blavatsky, Glossário Teosófico (Ed. Ground, São Paulo).

(10) Helena Blavatsky, A Doutrina Secreta, Vol. VI, pág. 222; Collected Writings, Vol. XII, pág. 709.

(11) Idem, A Doutrina Secreta, Vol. VI, pág. 215.

(12) Ou seja, o que nobre, elevado e altruísta se desenvolveu na Personalidade dessa particular Encarnação.

(13) “Egoísmo”, porque se trata, em todo o caso, de um gozo individual, merecido é certo, mas de que os Iniciados e Discípulos tendem a abdicar, para servir ao Bem Geral.

(14) E assim também quanto à duração. O homem que desenvolveu maior quantidade e qualidade de ideais, tem mais substância para alimentar o estado devachânico que, portanto, é mais prolongado, podendo, por exemplo, rondar os dois milénios (embora, normalmente, ande por metade disso).

(15) Embora a) o “selvagem”, b) o homem comum, c) ou o grande filósofo, cientista, místico, artista, esteta ou filantropo possam ter, todos o seu devachan, a qualidade e profundidade de cada um variará, naturalmente, sempre em conexão com os interesses e aspirações da vida física precedente (e só desta. Coisa bem diferente do Devachan, é o Nirvana, no fim do grande ciclo de encarnações). O que há no Devachan são os infinitos desdobramentos de cada ideal, de cada aspiração, de cada momento de criatividade do indivíduo. Os sonhos do mundo da objectividade se transformam nas realidades da existência nesse mundo da subjectividade.

(16) Cartas dos Mahatmas para A. P. Sinnett, (Ed. Teosófica, Brasília, 2001); Vol. I, págs. 298 a 301. Para uma explanação mais completa dos estados que medeiam entre duas reencarnações no Plano Físico, recomendamos o artigo “A Libertação das Formas – A (Vida Depois da) Morte”, de Helena Castanheira, publicado no nº 28 da Biosofia (Centro Lusitano de Unificação Cultural, Lisboa, 2006).

(17) Cfr. A Chave da Teosofia, de Helena Blavatsky. Edições 70, Lisboa, 1978, pág. 115; Ed. Teosófica, Brasília, 1991, pág. 129.

(18) Romanos, 8: 19.

(19) A Doutrina Secreta, Vol. VI, pág. 215.

(20) Remetemos para o nosso artigo “A Mente Dual – da Escravidão à Liberdade”, publicado no nº 21 da Biosofia (Centro Lusitano de Unificação Cultural, Lisboa, 2004).

(21) José Manuel Anacleto, Transcendência e Imanência de Deus (Centro Lusitano de Unificação Cultural, Lisboa, 2002), pág. 89.

(22) Helena Blavatsky, A Doutrina Secreta, Vol. VI, pág. 212.

(23) Cfr. Reincarnation – An East-West Anthology, complilado e editado por Joseph Head & S. L. Cranston, The Theosophical Publishing House, Quest Books, Wheaton, 1990, págs. 71 e 72.

(24) O seu conceito de “metamorfose” corresponde no findamental ao ensinamento sobre os Skandhas e os Átomos de Vida.

(25) Ver as págs. 24 a 30 do nº 8 (Centro Lusitano de Unificação Cultural, Lisboa, 2000). Com maior desenvolvimento, o artigo foi depois incluído no já citado livro Transcendência e Imanência de Deus, págs. 97 a 115.

(26) Remetemos, nomeadamente, para os nossos livros Cristo (Centro Lusitano de Unificação Cultural, Lisboa 2005) e Alexandria e o Conhecimento Sagrado (Centro Lusitano de Unificação Cultural, Lisboa, 2008), especificamente os seus Capítulos III e IV, págs. 95 a 277.





http://centrolusitano.org/acerca/esoterismo.html
http://www.biosofia.net/
www.¬biosofia.¬net/¬2004/¬09/¬22/¬esoterismopsiqui¬smo-¬e-¬artes-¬ocultas/
www.¬biosofia.¬net/¬2002/¬03/¬23/¬a-¬alma/
www.¬biosofia.¬net/¬2002/¬06/¬23/¬buddhi-¬a-¬intuicao/
www.¬biosofia.¬net/¬2000/¬10/¬01/¬transcendencia-¬e-¬imanencia-¬de-¬deus-¬v/
www.¬biosofia.¬net/¬2003/¬06/¬29/¬demiurgo-¬construtores-¬dos-¬universos/
www.¬biosofia.¬net/¬2003/¬06/¬29/¬deuses-¬idolos-¬e-¬demonios/
www.¬biosofia.¬net/¬2006/¬06/¬22/¬karma-¬2/
www.¬biosofia.¬net/¬2000/¬07/¬02/¬espiritualismo-¬ou-¬egoismo/
www.¬biosofia.¬net/¬2004/¬12/¬22/¬o-¬valor-¬do-¬conhecimento-¬espiritual/
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